Vale avança na adoção de combustíveis de baixo carbono para navios

Sistema permitirá que as embarcações fretadas possam ser adaptadas para, no futuro, armazenar combustíveis como gás natural liquefeito (GNL)

Reuters
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Navios mineraleiros na China
REUTERS/Aly Song

Navios mineraleiros na China

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A mineradora Vale obteve a aprovação da sociedade classificadora DNV para um projeto de incorporação de tanques multicombustíveis em navios transportadores de minério de ferro, em passo para reduzir as emissões de carbono das embarcações em até 80%, disse um executivo da companhia à Reuters.

O sistema, desenvolvido em parceria com as empresas norueguesas Brevik Engineering AS e Passer Marine, permitirá que as embarcações fretadas pela mineradora possam ser adaptadas para, no futuro, armazenar combustíveis como gás natural liquefeito (GNL), metanol e amônia.

Dos 114 navios de grande porte operados pela empresa, 77 poderão receber o tanque multicombustível. Isso sem contar as futuras embarcações que vierem a ser fretadas. A empresa já investiu 1 milhão de dólares no projeto e estima que até a sua conclusão os investimentos sejam de cerca 30 milhões de dólares por navio.

Rodrigo Bermelho, gerente de engenharia naval da Vale, explica que a validação do sistema é um passo importante no processo de adoção de combustíveis alternativos, considerando que a mineradora é intensiva no transporte marítimo para levar milhões de toneladas de minério de ferro para países como a China, todos os anos.

“Essa verificação, chamada de ‘approval in principal’, significa que o tanque está em conformidade com todas as regras e que está muito próximo de ser implementado de forma real no navio. Não é obrigatório, mas é uma prática do mercado”, disse Bermelho.

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A Vale pretende dar início à implementação do sistema em 2023. Considerando os prazos necessários para a fabricação e adaptação, a estimativa é que os tanques comecem a ser usados no início de 2025.

Bermelho diz que na comparação com o atual óleo bunker, de origem fóssil, as reduções de emissão de carbono são de cerca de 23% para o GNL e de 40% a 80% para amônia e metanol. As projeções se referem aos navios da categoria Guaibamax, do grupo de grande porte.

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“A definição de qual será o combustível ideal, o ‘combustível do futuro’ tem várias dificuldades, como estrutura regulatória, preços etc. No meio dessas incertezas, nós trabalhamos esse projeto”, disse Bermelho.

METAS ALINHADAS AO ACORDO DE PARIS

Desde 2020 a Vale anunciou investimentos de até 6 bilhões de dólares para reduzir em 33% as suas emissões de escopos 1 e 2 até 2030.

Como os navios da companhia são fretados, a navegação faz parte do escopo 3, relativo às emissões indiretas. Para esse grupo, a empresa se comprometeu com uma redução de 15% até 2035.

O programa Ecoshipping, do qual o projeto do tanque multifuel faz parte, é uma das iniciativas para o alcance dessa meta.

“O metanol é um álcool que pode ser produzido a partir da biomassa, então é um biocombustível. A amônia não carrega carbono, mas hidrogênio, que poderia ser produzido principalmente a partir de fontes renováveis. Ou seja, são combustíveis com baixíssimas emissões na cadeia”, disse Bermelho, acrescentando que a amônia ainda não é usada na navegação internacional, mas o GNL e o metanol sim, embora em pequena escala.

Hoje, os navios da Vale transportam minérios principalmente para países da Ásia, como Japão, China e Coreia do Sul. As embarcações saem dos terminais Ilha Guaíba, no Estado do Rio de Janeiro, e Ponta da Madeira, no Maranhão, além do Porto de Tubarão, no Espírito Santo.

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