Digitalização usa o isolamento social para quebrar a aura de inacessibilidade do mercado de arte brasileiro

Jéssica Mangaba
Jéssica Mangaba

Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte

O que há em comum entre a proprietária de uma feira de arte, uma presidente de um museu e um galerista? Todos eles, em um momento tão delicado, movimentam-se intensamente para quebrar o falso paradigma de que a arte é para poucos – e buscam fazer da pandemia uma chance para promover o acesso às artes no país.

Fernanda Feitosa, a diretora da SP-Arte, que estava inicialmente prevista para ocorrer entre 3 e 7 de abril, acha que não será possível a realização do evento físico ainda em 2020. “Mas estamos preparando a SP-Arte online para ser lançada em junho [Evento será virtual e acontecerá de 24 a 30 de agosto]. Já temos a plataforma 365, lançada em 2019, na qual procuramos gerar contato entre o público e as galerias durante o ano todo. O idioma do mundo da arte pode ser trabalhado em forma de conteúdo, com uma linguagem mais acessível. É uma estratégia.”

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Os números indicam que o objetivo está sendo alcançado: a última feira teve 35 mil visitas, gerando 200 mil visitas mensais ao portal e 30 mil newsletters assinadas.

As ferramentas digitais se tornaram essenciais para a sobrevivência dos negócios, são o único meio de contato atual com os clientes. “Os compradores esperam agilidade e transparência, e as ferramentas online são muito boas para isso”, avalia Fernanda. “Do ponto de vista da feira, as regionais terão vantagem, pois será mais difícil viajar. Isso pode fortalecer o mercado interno de artistas brasileiros [80% das galerias que expõem na SP-Arte são nacionais]. A dinâmica estava muito centrada nos deslocamentos físicos e em logísticas caras, o que asfixiava novas galerias. A pandemia acelerou mudanças e vai redesenhar a forma como o mundo da arte funciona.”

Algumas galerias largaram na frente no que diz respeito às ferramentas digitais. O galerista Luis Maluf – eleito Forbes Under 30 em 2018 – já promove visitação e tour virtuais nas exposições há três anos. “O que faremos agora é lançar um site novo com todos esses conteúdos que acumulamos em oito exposições. Além disso, estamos produzindo um conteúdo com câmeras 4K, instaladas nos ateliês dos artistas. A ideia é filmar o processo de trabalho e realizar leilões virtuais na sequência.” Para ele, o número de vendas de obras, mesmo sem as aberturas de exposições, permanece na média. No caso dos clientes que querem ver pessoalmente a obra, Luis organizou uma logística de “delivery de apreciação”.

Karina Bacci
Karina Bacci

O MAM-SP

O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) está na corrida para a digitalização, segundo a presidente Mariana Berenguer. “Nós temos duas frentes importantes, de educação e de museu. Temos o objetivo de construir uma nova plataforma digital que imita a experiência do museu virtualmente.” A principal barreira, diz ela, é a captação de fundos para construir algo novo. Há algum tempo já existe um tour virtual no site de algumas das exposições do MAM, feito pela empresa 3D Explora. Por ora, a presença digital foi ampliada com as lives e por meio de cursos online

Reportagem publicada na edição 77, lançada em maio de 2020

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