Obra de David Hockney pode arrecadar US$ 35 milhões em leilão

“Nichols Canyon” faz parte do lote premiado do 20th Century and Contemporary Art Evening Sale, da Phillips.

Natasha Gural
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Kirsty O'Connor/Getty Images)
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O evento está programado para dia 7 de dezembro como o lote premiado do 20th Century and Contemporary Art Evening Sale da Phillips

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Esqueça da pandemia por alguns instantes e volte quatro décadas para a beleza arrebatadora de “Nichols Canyon” (1980), com o Hollywood Boulevard ao sul e a Mulholland Drive ao norte. A vista aérea é retratada em cores exuberantes que celebram o fauvismo.

Longe de piscinas e palmeiras, “Nichols Canyon”, a primeira paisagem de David Hockney e uma de suas obras-primas favoritas, deve arrecadar cerca de US$ 35 milhões quando for a leilão. O evento está programado para dia 7 de dezembro como o lote premiado do 20th Century and Contemporary Art Evening Sale da Phillips.

Phillips/Reprodução/Forbes
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“Nichols Canyon” (1980), de David Hockney

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“Você olha para a pintura e realmente sente que está andando pela estrada, através do espaço e do tempo. Hockney se destaca pelas cores, assim como Matisse e Van Gogh, sendo o mais próximo de Matisse que se pode chegar”, disse Jean-Paul Engelen, vice-presidente e co-chefe mundial da 20th Century & Contemporary Art. “Em termos de espaço, você vê a mesma vista aérea que Picasso pintou em 1965. Hockney também observou pinturas de áreas chinesas semelhantes.”

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A paisagem mais importante de Hockney, que está sob os cuidados de uma instituição privada, sinaliza o início de sua série de vistas panorâmicas de décadas. “Nichols Canyon” é uma das duas únicas obras monumentais que Hockney criou após um breve hiato na pintura enquanto mergulhava na fotografia nos anos 1970. Sua obra “Mulholland Drive: The Road to the Studio” (1980), pintada de memória em apenas algumas semanas, foi imediatamente comprada pelo Museu de Arte do Condado de Los Angeles (LACMA) para sua coleção permanente.

“Sempre fui obcecado pela pintura e agora ela está aqui”, disse Engelen. “Hockney dirigia todos os dias para o Santa Monica Boulevard, onde estava localizado seu estúdio. Foi em 1978, quando voltou para Los Angeles, que ele se apaixonou pelo jeito como a cidade era nos anos 1960. A Califórnia é muito diferente de Yorkshire, na Inglaterra, e então, nos anos 1970, ele estava tentando capturar o espaço com todos esses projetos fotográficos. Acho que essas são as duas paisagens mais importantes da carreira dele.”

Phillips/Reprodução/Forbes
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“Interior do estúdio #2” (2014), de David Hockney

Os apaixonados por arte viram a obra pela primeira vez em 1981, na A New Spirit in Painting, uma exposição seminal na Royal Academy of Arts de Londres, onde tem sido destaque então. “Para nós, é sempre uma emoção, uma verdadeira história da arte”, diz o especialista.

“Nichols Canyon” estará em exibição em Hong Kong de 6 a 9 de novembro, e logo em seguida irá para Nova York.

“É uma pintura muito otimista, vibrante, que nos faz sentir o calor. Acho que se Matisse e Picasso tivessem ido para o sul da França, eles teriam uma experiência semelhante a de Hockney, na Califórnia. Você pode viajar pelo espaço e pelo tempo.”

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Hockney adorava a pintura em si e estava determinado a não colocar suas obras à venda. Logo depois, ele se apaixonou por uma pequena obra de Picasso na Galeria de Claude Bernard, em Paris. Ainda assim, o artista não estava disposto a gastar US$ 135 mil no trabalho de um de seus mestres mais amados. Mas quando a galeria soube de seu dilema, fechou um acordo para lhe dar a pintura de Picasso em troca do “The Conversation” (1980), um retrato colorido do curador Henry Geldzahler e Raymond Foye, e “Nichols Canyon”. O atual proprietário, um proeminente colecionador da costa oeste dos Estados Unidos, tem a obra desde que a comprou de Emmerich em 1982.

Phillips/Reprodução/Forbes
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“O portão” (2000), de David Hockney

Engelen disse que o colecionador decidiu que era hora de reduzir sua vasta quantidade de obras, trazendo esta pintura para um mercado faminto dos compradores mais exigentes do mundo. “Hoje, os melhores colecionadores entendem que é cada vez mais difícil obter peças de grande qualidade.”

Indiscutivelmente o maior desenhista do mundo desde Picasso, Hockney continua a encantar o mundo inteiro com seu modernismo parisiense. “Atualmente, há uma necessidade real da pintura figurativa”, disse Engelen. Assim como Hockney era fã de Picasso e Matisse, hoje os jovens artistas são fãs dele.”

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