Clean beauty: 6 marcas brasileiras de cosméticos que não causam prejuízos ao meio ambiente e à saúde

Carol Yepes/Getty Images
Carol Yepes/Getty Images

Marcas brasileiras de clean beauty registraram crescimento digital e de consumo em 2020

O termo clean beauty (beleza limpa) vem se popularizando nos últimos anos. A expressão faz referência a cosméticos sustentáveis do ponto de vista social e ambiental, seguros e que oferecem alta performance, usando a tecnologia como uma grande aliada.

Segundo a Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), o setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos registrou crescimento de 5,8% em 2020 e superávit de US$ 23,4 milhões. Nesse período, o mercado de clean beauty também experimentou uma boa fase.

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Muitas marcas reportaram crescimento ao longo do ano passado, movimento impulsionado pela pandemia e pela busca por uma vida mais saudável. Ananda Boschilia, fundadora da Biouté – importadora e distribuidora de produtos de higiene pessoal orgânicos e naturais –, afirma que o mercado de cosméticos naturais é diferente do convencional, já que as empresas têm um objetivo maior do que a beleza, que passa pelo bem-estar e saúde do consumidor final.

No primeiro semestre do ano passado, a marca de skincare e maquiagem Care Natural Beauty, por exemplo, cresceu 155% em relação ao mesmo período de 2019. Marketplaces e grandes varejistas também aproveitaram a onda crescente para investir nesse mercado e lucrar. Foi o caso da Amaro, plataforma de lifestyle que apostou em marcas como Biossance, Simple Organic, Terral e Quintal para fazer parte do seu portfólio de bem-estar.

As mudanças de comportamento dos consumidores também levaram grandes empresas do setor de cosméticos a repensar estratégias e investir em sustentabilidade. Em março, a L’Oréal promoveu uma conferência online para expor as mudanças que estão sendo feitas nas marcas do conglomerado para um futuro mais limpo e seguro. Até 2030 e com uma abordagem de “ciências verdes”, a empresa espera utilizar cerca de 95% de seus ingredientes de fontes renováveis ou de processos circulares. As projeções da gigante da beleza mostram também que a companhia tem unido esforços para desenvolver fórmulas que sejam 100% seguras para os mares e oceanos.

“Temos o dever de ser transparentes e de dar o exemplo para todo o mercado, já que somos uma empresa do setor de beleza com mais de 100 anos de história preocupada com qualidade, segurança, performance e, agora, sustentabilidade”, explica Cristina Garcia, diretora científica da multinacional francesa.

O crescimento do clean beauty, no entanto, levanta uma discussão sobre a capacidade da natureza de suprir a demanda da indústria da beleza. “Se, hoje, o mundo quisesse só consumir ingredientes naturais, não teria para todo mundo. Não tem como atender essa expectativa atualmente. A indústria teve que desenvolver ingredientes sintéticos livres de impactos ambientais e livres de toxinas. A beleza limpa não necessariamente é de origem natural, mas tem que ser isenta de prejuízos ao meio ambiente e à saúde”, explica Patrícia Silveira, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e especialista em cosmética natural.

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CERTIFICAÇÕES

O mercado de beleza limpa é construído a partir de produtos que carregam a consciência da importância de manutenção da segurança em toda a cadeia de produção. Além da atenção à qualidade e origem dos ingredientes, é um mercado focado em políticas de reciclagem bem desenvolvidas, contato com produtores certificados e estratégias de engajamento para que o consumidor faça parte dessa rede de forma sustentável também.

Algumas das certificações mais importantes para as marcas de clean beauty vêm da Ecocert, um organismo de inspeção e certificação fundado na França. No Brasil, o grupo é associado ao Instituto Brasil Orgânico e credenciado pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). A Ecocert realiza a certificação de cosméticos orgânicos e naturais através do referencial Cosmos, uma norma adaptada pela Ecocert Greenlife

Muitas marcas de clean beauty possuem o selo Eureciclo, por exemplo. O programa ajuda as empresas a se conectarem com operadores de coleta e triagem ao mesmo tempo em que auxilia os consumidores a escolherem produtos de fabricantes que investem na cadeia de reciclagem do país.

Veja, na galeria de imagens a seguir, seis marcas brasileiras que investem em clean beauty:

  • Bioart Biocosmetics

    Criada em 2010, a marca é uma das pioneiras no Brasil a formular e desenvolver, em seu laboratório próprio, fórmulas limpas e seguras de cosméticos. Ao seguir os pilares de inovação e tecnologia verde, rastreabilidade em toda a cadeia e a fabricação sustentável, a marca conseguiu que seus produtos recebessem a certificação Ecocert/Cosmos.

    Em 2015, Soraia Zonta, CEO e fundadora da Bioart, recebeu o prêmio Mulher de Negócios na categoria de ouro do Sebrae. Ela foi a primeira mulher do Brasil a adotar o chemical leasing, modelo de negócios recomendado pela ONU baseado em desempenho para o gerenciamento sustentável de produtos químicos.

    Divulgação
  • B.O.B Bars Over Bottles

    O conceito da B.O.B Bars over Bottles surgiu da preocupação em criar produtos que levassem menos água na composição e que promovessem um banheiro sem plástico. Atualmente, o carro-chefe da marca são os shampoos e condicionadores em barra, que seguem uma política de plástico zero nas embalagens.

    “Começamos a operar em novembro de 2019 com um conceito de conteúdo. Nos vemos como pregadores de ideias que ajudam as pessoas a fazerem pequenas mudanças. No Instagram, que é nosso principal meio de comunicação, mostramos os impactos do consumo para que as pessoas tenham mais consciência”, afirma Andreia Quércia, uma das fundadoras da marca.

    Segundo dados da empresa, no primeiro trimestre de 2021 a marca, em conjunto com os seus consumidores, compensou 316.896 embalagens plásticas.

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  • Care Natural Beauty

    A Care Natural Beauty foi criada em novembro de 2018 pelas sócio-fundadoras Patricia Camargo e Luciana Navarro. Após poucos meses de funcionamento, a marca de skincare e maquiagem natural, orgânica, vegana e sustentável ganhou o selo Sephora Accelerate, cedido pela gigante dos cosméticos para marcas selecionadas em um programa de aceleração de startups.

    A empresa, que nasceu digitalmente, cresceu 370% em 2020 e, no início deste ano, recebeu sua segunda rodada de investimentos. Segundo dados da empresa, ela detém uma taxa de 60% de recompra dos produtos. Atualmente, é a única marca brasileira de maquiagem limpa disponível na rede Sephora.

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  • Quintal Dermocosméticos

    A Quintal Dermocosméticos nasceu em 2016 como a segunda marca da Casa Feito Brasil. Os produtos da empresa são produzidos com foco em argiloterapia e utilizam, principalmente, argilas brasileiras.

    A marca de beleza limpa, que já estreou com presença na Sephora Brasil, viu o faturamento dobrar e registrou crescimento de 92%. Em 2020, a Casa fechou o ano com um faturamento de R$ 7 milhões com as duas marcas. A projeção para este ano é que a empresa registre faturamento de cerca de R$ 14 milhões.

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  • Simple Organic

    Lançada em 2017 durante o São Paulo Fashion Week, a Simple Organic faturou em 2019 cerca de R$ 7 milhões. Focada em maquiagem e produtos de skincare, a marca catarinense anunciou, em dezembro de 2020, que a Hypera Pharma comprou uma participação majoritária da empresa. “Depois da aquisição, entramos no canal de farmácias, que é onde eu sempre quis chegar para alcançar mais gente. Essa operação consolida a visão da grande indústria de que esse é um novo momento para a rede”, afirma a fundadora Patrícia Lima.

    A Simple Organic, que nasceu no ambiente digital, cresceu nesse meio mais de 200% em 2020. O faturamento de julho de 2020 cresceu cerca de 630% em comparação ao mesmo período em 2019.

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  • Terral Natural

    A Terral, que hoje conta com quatro sócio-fundadores, nasceu em 2015 com o propósito de trabalhar com a natureza de uma forma justa em toda a cadeia de produção.

    Segundo Heitor Bonadio, um dos fundadores, o objetivo da empresa era trabalhar diretamente com o consumidor final de forma online. A empresa percebeu a necessidade do público ver fisicamente o produto e, assim, surgiram parcerias para venda. “Com a terceirização, precisamos expandir muito nossa produção em um curto espaço de tempo. Para fazer isso online, precisaríamos de um investimento que não tínhamos e estruturamos uma equipe para começar a atender lojas interessadas em nossos produtos. Em um ano, saímos de dez pontos de venda e fomos para quase 100”, afirma Bonadio. Atualmente, a Terral pode ser comprada virtualmente em diversos marketplaces, inclusive na Amaro.

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Bioart Biocosmetics

Criada em 2010, a marca é uma das pioneiras no Brasil a formular e desenvolver, em seu laboratório próprio, fórmulas limpas e seguras de cosméticos. Ao seguir os pilares de inovação e tecnologia verde, rastreabilidade em toda a cadeia e a fabricação sustentável, a marca conseguiu que seus produtos recebessem a certificação Ecocert/Cosmos.

Em 2015, Soraia Zonta, CEO e fundadora da Bioart, recebeu o prêmio Mulher de Negócios na categoria de ouro do Sebrae. Ela foi a primeira mulher do Brasil a adotar o chemical leasing, modelo de negócios recomendado pela ONU baseado em desempenho para o gerenciamento sustentável de produtos químicos.

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