Casarão centenário abre as portas ao público como centro cultural em SP

Local, que já foi residência consular da Suécia e do Japão, passou por reforma milionária para se tornar sede do Instituto Artium

Rebecca Silva
Compartilhe esta publicação:
João Caldas Fº
João Caldas Fº

O Instituto Artium ocupa um casarão centenário, conhecido como Palacete Stahl, no bairro de Higienópolis, em São Paulo

Acessibilidade


Um casarão centenário localizado no bairro de Higienópolis, na capital paulista, ganhou nova vida. O local agora abriga o Instituto Artium, entidade cultural sem fins lucrativos que abre as portas oficialmente para o público hoje (10), com a exposição “Semana de 21”.

Construída entre 1920 e 1921, a residência foi erguida para hospedar o consulado da Coroa Sueca em São Paulo, servindo como lar para o Cônsul-Geral, o Comendador Gustav Stahl. Com 1.500 metros quadrados, a construção também foi utilizada pelo Império do Japão como território consular, passando por momentos turbulentos, incluindo a Segunda Guerra Mundial e o sequestro do então Cônsul-Geral Nobuo Okuchi em 1970, durante a ditadura militar.

VEJA TAMBÉM: Expoente do modernismo brasileiro, John Graz ganha exposição na Pina Estação

O Palacete Stahl, como ficou conhecido, perdeu seu uso na década de 1980 e, apesar de ter sido tombado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) em 2005, encontrava-se abandonado e deteriorado até que Carlos Cavalcanti, morador do bairro de Higienópolis, decidiu adquiri-lo em 2007. “Houve um primeiro restauro em 2009, devolvendo vitalidade à casa, já que o imóvel estava em processo de abandono há 29 anos. A casa ficou destelhada, sem cuidados. Já no ano passado, por ordem do Conpresp, fizemos a recuperação da textura original de massa cimentícia áspera coberta com uma velatura de época, que remete à arquitetura francesa”, explica o proprietário.

Conhecido da cena cultural, Cavalcanti é vice-presidente da Fiesp e diretor-titular do departamento de infraestrutura da entidade. Ele foi o responsável por produções de teatro musical como “O Homem de La Mancha”, “A Noviça Rebelde” e “Billy Elliott”. Com vontade de ampliar as possibilidades de realização cultural, criou, em 2019, o Instituto Artium, para produzir exposições, atividades culturais, peças teatrais e cursos sobre a área musical e teatral. “O meu desejo é que cada vez mais as empresas compreendam como é importante transformarmos São Paulo, uma cidade que não tem atrativos naturais, em grande polo cultural capaz de atrair o turismo internacional. A vocação da cidade é se tornar o maior polo cultural do hemisfério Sul”, almeja Cavalcanti.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Em 2020, o Instituto chegou a produzir o musical “Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate”, no Teatro Alfa, assim como cursos e oficinas, mas a pandemia interrompeu os planos. A parte educacional foi transferida para o ambiente digital, enquanto o musical teve as sessões canceladas. “O Instituto teve aprovação de um plano de atividade bastante intenso pela Secretaria Especial de Cultura do Governo Federal. Foi com base nele que captamos os recursos para organizar toda esta produção cultural. Evidentemente, fomos atropelados pela pandemia”, lamenta o presidente. O plano de atividade a qual Cavalcanti se refere foi aprovado via Lei Rouanet, com a captação de R$ 25 milhões. Já para a abertura da sede em Higienópolis e todo o restauro exigido pelo Conpresp, Cavalcanti afirma que investiu R$ 1,5 milhão de recursos próprios.

A exposição de inauguração, “Semana de 21”, reúne obras de 18 artistas de diferentes linguagens e mídias. O projeto da exposição não se orienta por um tema determinado, mas o objetivo é mostrar o contraste entre a arte realizada contemporaneamente e a arquitetura do século passado, representada pelo casarão. A curadoria é do fotógrafo e artista plástico Alberto Simon. “Essa casa praticamente sempre teve função pública, mas não era aberta ao público. Dos casarões que ainda permanecem de pé daquela época, poucos foram transformados em centro cultural, com portas abertas à população. É uma enorme satisfação ter esse espaço, com possibilidade de mostrar uma parte da história social, política e arquitetônica do país ao público”, diz o idealizador.

A exposição é gratuita e permanecerá no Instituto Artium até 24 de outubro. Os ingressos devem ser reservados pelo site oficial do espaço. As expectativas são positivas, principalmente com o avanço na imunização da população. “Eu vejo como uma grande oportunidade de termos um efeito champanhe, das pessoas que ficaram confinadas, presas em casa, quererem sair para rua e consumir cultura e entretenimento”, finaliza o presidente do Instituto.

Conheça um pouco da sede do Instituto Artium na galeria a seguir:

  • João Caldas Fº

    Fachada da residência, conhecida como Palacete Stahl

  • João Caldas Fº

    Interior do casarão centenário

  • Divulgação

    Parte da exposição “Semana de 21”

  • Divulgação

    Parte da exposição “Semana de 21”

  • Divulgação

    Parte da exposição “Semana de 21”

  • Divulgação

    Parte da exposição “Semana de 21”, que abre ao público hoje (10)

João Caldas Fº

Fachada da residência, conhecida como Palacete Stahl

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Siga Forbes Money no Telegram e tenha acesso a notícias do mercado financeiro em primeira mão

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Compartilhe esta publicação: