Biscoito de Round 6, série de maior sucesso da Netflix, viraliza nas redes

Doce tem gostinho de infância para coreanos e descendentes no Brasil, que aproveitam o interesse para aumentar vendas.

Fernanda Nogueira
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 Chung Sung-Jun/Equipe/Getty Images
Chung Sung-Jun/Equipe/Getty Images

Doce coreano ganhou fama mundial junto com a série Round 6, da Netflix

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“Round 6”, série de maior sucesso de todos os tempos da Netflix, assistida por 111 milhões de contas desde sua estreia em 17 de setembro, virou febre nas redes sociais. Entre as discussões levantadas pela ficção, há um tema bem singelo: um biscoito coreano. Na história, os personagens participam de uma competição violenta que envolve brincadeiras infantis populares na cultura local. Entre elas, está quebrar um biscoito de açúcar pelas bordas sem estragar uma figura geométrica marcada no meio da massa.

Os usuários das redes logo compraram o desafio e começaram a buscar formas de replicar a brincadeira e, claro, tentar fazer a receita, que, parece simples, mas pode dar bem errado.

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Adriana Ha, proprietária do supermercado Otugui, inaugurado pelos pais dela – o senhor Ricardo e a senhora Sung – há 35 anos no Bom Retiro, em São Paulo, diz que a brincadeira com o biscoito é antiga e estava meio esquecida, mas agora voltou a ser feita. “Ele era vendido em barraquinhas, como aquelas de cachorro-quente, na rua. Meus pais lembram que tinha na frente da escola quando eram crianças. Era bem baratinho, para ficar com os amigos quebrando, uma brincadeira mesmo.”

“Dalgona”, o nome do biscoito em coreano, quer dizer doce, açúcar, caramelo, de acordo com Adriana. “Ficou famoso agora por causa da série. Quando fui à Coreia do Sul, nunca passou pela minha cabeça querer comer.”

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Com a “fama” do “dalgona” trazidas pela série, há lugares, como o Vinte Vinte Café, também no Bom Retiro, que vendem o biscoito embrulhado como um pirulito. O Instagram do café mostra o preparo, que leva açúcar e bicarbonato de sódio.

 

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Mesmo com apenas dois ingredientes, a receita simples pode ficar complicada na hora de adicionar o bicarbonato e acertar o ponto, mexendo para não grudar, como mostram muitos vídeos de tentativas frustradas nas redes

Kimerina Kim, que inaugurou o Vinte Vinte Café, já tinha o “dalgona” no cardápio, apresentado de uma forma diferente do tradicional, já quebrado, para ser comido ou colocado na bebida. “Tem gostinho de infância para os coreanos. Eles tomam café e sempre comem ‘dalgona’”.

Quando viu a série, ela resolveu reproduzir o biscoito moldado, que já conhecia de ver em barracas de feiras e de mercados na Coreia do Sul. “Nesses locais, tem sempre uma banquinha com um senhorzinho fazendo o doce. Vem com uma agulha ou com um palito de dente para a gente tentar quebrar.”

Desde que começou a oferecer o “dalgona” da série, há menos de uma semana, o café já vendeu mais de cem biscoitos. “Vendo todos que faço. Todo mundo gosta, tira foto, compra para dar de presente.” O biscoito em formato de pirulito sai por R$ 10. Vendido dentro de uma caixa custa R$ 15.

O preparo exige atenção, segundo Kimerina, que aprendeu a fazer o doce com a mãe. “É uma coisa simples, porque usa açúcar derretido, mas tem que ter o jeito certo de fazer. Tem que ver a hora que o açúcar está queimando, caramelizando, usar a quantidade certa de bicarbonato. Depende do ambiente em que está fazendo. Vários fatores influenciam se vai dar certo ou não”, explica. Ela fez pesquisas e testes até acertar o ponto.

A receita leva duas colheres de sopa de açúcar e uma pitada de bicarbonato de sódio. O momento de colocar o bicarbonato é quando o açúcar estiver mais dourado, todo derretido. Para tirar do fogo, a textura tem que estar homogênea, com a cor não muito dourada, mas também não tão branca, segundo Kimerina. “Precisa usar o feeling. Se passar um segundo, muda toda a textura.”

Depois de tirar, é só esperar alguns segundos para moldar, “senão gruda”. Em seguida, coloca-se o molde com as figuras, “senão endurece e não tem mais como fazer”. O processo todo leva cinco minutos. Os moldes podem ser encontrados em lojas de produtos para confeitaria. Os formatos mais tradicionais são o guarda-chuva, a estrela, o círculo, o triângulo e o quadrado.

Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

“Dalgona” feito e vendido por Kimerina Kim, no Vinte Vinte Café, no Bom Retiro, em São Paulo

Sucesso nos negócios
O sucesso de séries como “Round 6” e outros produtos da cultura coreana ajudam a aumentar os negócios no mercado de Adriana. Os clientes passaram de 100% coreanos para 50% brasileiros nos últimos anos pelo sucesso da música K-pop e de novelas coreanas.

“Aumentou ainda mais com a quarentena. O pessoal fica em casa vendo Netflix, depois vem atrás dos produtos. Os vendedores já até conhecem os mais procurados, explicam o que é, onde estão nas prateleiras. É legal ver que as pessoas estão curiosas, querem saber mais. Agora tem a cultura, como o “dalgona”, que fez parte da vida dos meus pais.”

Os produtos mais procurados no Otugui são macarrões, bebidas e salgadinhos. O mercado também produz alimentos tradicionais, como o “kimchi”, uma salada de acelga apimentada em conserva. “Todo restaurante tem. É um acompanhamento do arroz e da carne ou sopa, como se fosse o feijão brasileiro.”

Divulgação
Divulgação

Produtos coreanos do Mercado Otugui, no Bom Retiro; clientela brasileira só cresce

Adriana conta que viu e gostou da série “Round 6”. “Meu pai não quis ver, achou muito forte, mas achou criativa a ideia de falarem sobre as brincadeiras de antigamente. Ele fica muito feliz e orgulhoso pela Coreia, que é tão pequena e está fazendo sucesso no mundo todo.” O sentimento é compartilhado por Kimerina. “É legal, a gente se orgulha de ver as pessoas conhecendo cada dia mais. Mexe com o nosso emocional.”

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