Chapeleiro de Venice Beach revigora clássicos e cria peças de luxo

Com ateliê em Venice Beach e uma carteira estrelada de clientes, o chapeleiro Nick Fouquet empresta seu olhar que revigora clássicos para uma parceria com a marca de botas Lucchese

Mariana Weber
Compartilhe esta publicação:
Foto: Divulgação/Kris Brock
Foto: Divulgação/Kris Brock

Nick Fouquet consolidou-se como criador de chapéus de estilo western modernizado que atraem famosos e anônimos

Acessibilidade


Neymar já usou, Bob Dylan também. Sem contar a modelo Cara Delevingne, o jogador de futebol americano Tom Brady e mais uma longa lista de personalidades do palco global. Na verdade, celebridades desfilam os chapéus de Nick Fouquet praticamente desde que ele começou a fabricá-los. “Um dos meus cinco primeiros clientes foi Billy Gibbons, do ZZ Top”, diz o chapeleiro nascido em Nova York, crescido na França, viajado pelo mundo e hoje, aos 39 anos, instalado em Los Angeles. Logo se somaram aos consumidores os músicos Pharrell e Madonna – os dois usaram acessórios da marca no Grammy de 2014. “Olho para trás e vejo que foi um momento importante, quando comecei a receber apoio de marketing de uma clientela desse calibre.”

Impulsionado por um time de influenciadores peso-pesado, Fouquet consolidou-se como criador de chapéus de estilo western modernizado que atraem famosos e anônimos. E agora ele volta seu olhar de designer para outro clássico americano: as botas, em uma parceria lançada em março com a Lucchese. “A Lucchese é uma marca icônica, conhecida pelas melhores botas cowboy”, diz Fouquet. “Chegou até mim porque gostou do que eu tenho feito para revigorar o mercado de chapéus.”

Leia mais: Surfista vira uma das mulheres mais ricas dos EUA vendendo moletons

Nesse processo, foi decisiva uma conversa com um cowboy de Ohio que tinha feito o próprio chapéu. Fouquet, então com vinte e poucos anos, conta que nunca tinha pensado sobre como nascia um chapéu. E ficou impressionado com a qualidade da peça, com o método artesanal de produção, com o design atemporal e quase imutável, com o potencial da categoria. “É um produto de luxo, com um processo de luxo, mas é preciso educar as pessoas para que saibam disso.”

A partir daí, passou a pesquisar e acabou abrindo o ateliê em Venice Beach. Hoje conta com cerca de 30 funcionários e também uma loja em Aspen. Virou garoto-propaganda dos seus produtos (como se não bastasse o casting de celebridades) e divulgador da categoria como um todo. “Todo mundo pode usar chapéu”, defende. “A escolha depende da proporção, da estrutura facial, das cores dos olhos, da pele, do cabelo.” E existe um jeito certo de usar? “Com confiança.”

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Para Fouquet, chapéus merecem ser tratados como produtos de luxo

Veja a seguir a entrevista que Fouquet, usando um boné da collab com a Lucchese, deu à Forbes.

Li que você cria um universo para pensar em quem usaria seus chapéus – o que essa pessoa veste, aonde vai, com quem se relaciona. quem é esse cliente imaginário? E quem é seu cliente real?

Esse cliente imaginário deriva de vários clientes da área de LA. Pode ser a garota de Malibu em um Mercedes conversível dirigindo com o cabelo esvoaçante, óculos escuros e chapéu. Pode ser o cara do centro… São sempre clientes imaginários criativos, artísticos, que trabalham duro, passionais. Viajantes e de espírito artístico e boêmio. Minha clientela de verdade tem uma diversidade grande. De atletas de beisebol, futebol americano e futebol –Neymar e Dani Alves são meus clientes – a atores, rappers, roqueiros. É louco como eu atinjo todos esses diferentes grupos. Sinto-me agradecido por essa clientela imaginária ser também realista. Os clientes são, em sua maioria, pessoas passionais e criativas, que entendem a qualidade, o fazer artesanal, a atemporalidade, a beleza e a elegância. Isso é o denominador comum. E, claro, sinto-me muito grato por ter essas celebridades incríveis e lindas seguindo a marca.

Quando celebridades começaram a usar seus modelos?

Aconteceu muito organicamente. Um dos meus primeiros clientes foi Billy Gibbons, da banda ZZ Top. Fiz para ele uma peça linda. Então celebridades começaram a aparecer na loja. Fizemos chapéus para [o rapper] Pharrell, que no Grammy de 2014 usou um grande chapéu maluco de Vivienne Westwood no tapete vermelho e tocou no palco com o Daft Punk usando nosso chapéu; na mesma ocasião, Madonna também estava usando um chapéu nosso.

O que um chapéu diz sobre alguém?

Quando alguém é confiante o suficiente para usar um chapéu, isso é revelador das características daquela pessoa. Chapéus atraem interesse: na rua, se você vê um cara ou uma garota com um chapéu legal, seus olhos reconhecem isso automaticamente. Eles trazem uma excentricidade. E são um ótimo jeito de começar uma conversa: “Ei, por que você está usando esse chapéu? Oh, meu Deus, parece tão bonito. Quem é você? O que você faz? De onde você está vindo? De onde tirou esse chapéu?”

Quando você começou a usar?

Minha madrasta trabalhava na Hermès e um dia me trouxe um chapéu da [chapelaria parisiense] Motsch [produzido para a grife francesa]. A qualidade era tão inacreditável!

E quando você começou a fazê-los?

Trabalhei para um designer que estava fazendo reprodução de roupas da Primeira Guerra Mundial, da Segunda Guerra Mundial, então aprendi um pouco sobre produção e costura. Fiquei fascinado com todo o processo e a parte criativa de juntar as coisas e fazer uma roupa para vestir. Mas eu era ambicioso e queria começar meu próprio negócio. Conheci um cowboy que estava andando com esse lindo chapéu e perguntei: “Onde você conseguiu isso?” E ele: “Eu que fiz”. Eu nunca tinha pensado que havia um processo por trás de como os chapéus são feitos. Mas quando vi a qualidade daquele… Há cerca de 40, 50 pessoas nos Estados Unidos que fazem chapéus dessa maneira específica. E eles não mudaram em 50, 60 anos. Existe toda essa cultura e subcultura de chapéus sofisticados feitos de uma maneira específica, e eu senti que posso trazer isso e talvez seja capaz de reintroduzi-los
em uma escala mais ampla de mercado. Foram muitas tentativas e erros para entender como modernizar isso – seja adicionando tecidos e apetrechos e cores diferentes, seja adotando um visual desgastado ou remodelando-o.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O palito de fósfoto na fita do chapéu é a marca registrada nas peças de Nick Fouquet

Qual é a história por trás do palito de fósforo que você coloca na fita?

Quando você tem uma ideia, geralmente vem como um clarão, como se você estivesse acendendo um fósforo. É a centelha da inspiração, é a centelha da criatividade. Para mim, esse é o significado do fósforo. E ele é um iniciador de conversa.

Tem também algo a ver com tradição? Vi uma foto antiga de um entregador de gelo usando um chapéu com muitos palitos de fósforo.

Antigamente, as pessoas usavam fósforos e caixas de fósforos no chapéu para acender cigarros. Era um lugar para carregar coisas. Chapéus são bonitos também porque são uma peça utilitária: protegem do sol, podem mantê-lo aquecido e são uma declaração de moda.

Quantos chapéus você tem para uso pessoal?

Eu tenho um chapéu.

Desde quando?

Quando ajudamos a Givenchy a fazer uma coleção de passarela (em 2020), ele foi um dos chapéus de amostra. É preto estilo western. Está realmente desgastado e surrado, porque eu usei muito. Faço chapéus todos os dias, o dia todo, e os experimento. Se eu fosse mantê-los, teria muitos. E as pessoas pediriam o que eu tivesse na cabeça.

Em que ocasiões você o usa?

Todo dia, seja para sair, seja para ir à loja. É muito versátil.

Mas agora você está usando um boné. sempre tem algo na cabeça?

Sim. Este que estou usando eu fiz para a Lucchese.

Reportagem publicada na edição 95 da Forbes Brasil, lançada em março de 2022.

>> Inscreva-se ou indique alguém para a seleção Under 30 de 2022

Compartilhe esta publicação: