Fundação Bill & Melinda Gates investe mais US$ 250 milhões na luta contra o coronavírus

Instituição apoia projetos de pesquisa, desenvolvimento e distribuição igualitária de vacinas entre os países.

Caroline Howard
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Melinda Gates diz que conheceu duas pessoas que tiveram Covid-19 em março e afirma ter ficado “assustada”

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A Fundação Bill & Melinda Gates acaba de anunciar mais uma ajuda de US$ 250 milhões para os esforços globais na luta contra a pandemia de Covid-19. Os fundos levantados para a causa pela fundação chegam a US$ 1,75 bilhão, sendo esta última doação a de maior valor.

O novo investimento chega em um momento crítico. Os problemas causados pela crise se tornaram mais agudos nas últimas semanas, com o registro de 69 milhões de casos e mais de 1,5 milhões de mortes no mundo. Os Estados Unidos atingiram a marca dos 15 milhões de casos e quase 290 mil mortes, segundo dados do Johns Hopkins Coronavirus Resource Center.

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Por outro lado, avanços científicos necessários para combater a pandemia foram desenvolvidos e aprovados com uma rapidez e urgência nunca vistas antes. China e Rússia aprovaram vacinas, o Reino Unido começou o processo de vacinação na segunda semana de dezembro e o FDA, a agência que controla alimentos e medicamentos nos EUA, está em processo de aprovação de outras vacinas.

“É incrível saber que em breve o FDA aprovará uma vacina que já está sendo distribuída no Reino Unido”, afirma Melinda Gates. “Lá em março, eu acho que nenhum de nós poderia imaginar que chegaríamos a esse ponto”, completa.

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O novo financiamento será focado em duas áreas principais: pesquisa e desenvolvimento de novos testes de Covid-19, tratamentos e vacinas e melhorias nos métodos de distribuição para garantir que os recursos sejam entregues com segurança, igualdade e com poucos custos.

A Gates Foundation espera garantir que países de média e baixa renda tenham acesso a tecnologias de ponta, assim como países ricos. “Eles merecem ter acesso aos mesmos recursos que nós”, afirma Gates.

Para que o vírus seja erradicado, é preciso que existam investimentos em logística, cadeias de suprimento e preparação de clínicas e funcionários da saúde, para que testes e vacinas sejam administrados. Também é importante que exista engajamento dentro das comunidades para que as pessoas entendam e confiem naquilo que está sendo aplicado nelas.

“Idealmente, a vacina será barata, eficiente e de dose única”, afirma Mark Suzman, CEO da Gates Foundation. “Além do preço e da eficiência, nós não teríamos que acompanhar as pessoas para uma segunda dose, e a produção deveria ser relativamente fácil.”

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O que diferencia o imunizante de Covid-19 de outras vacinas e de iniciativas de saúde públicas é a quantidade. “Estamos falando sobre vacinar todo o mundo, ou pelo menos 70% da população, o que significa cerca de 10 bilhões de doses”, reflete Suzman. “É importante lembrar que ainda não temos comprovação de que as vacinas são seguras para crianças e mulheres grávidas. Por isso, teremos uma segunda onda de vacinação e esse é um dos principais motivos pelos quais é importante continuar investindo em pesquisas.”

Outro problema é a desconfiança em relação às vacinas, que é alimentada por teorias da conspiração. A fundação já enfrentou questões parecidas com métodos contraceptivos e vacinação infantil. “É de partir o coração ver tanta desinformação, porque isso cria medo”, diz Gates. “Isso pode ser agravado pelo fato de as pessoas estarem em casa, ficarem ansiosas com a situação e acabarem consumindo informações erradas. Quando tudo isso acabar, vamos precisar estudar como incluir regulações em redes sociais para que informações falsas são se espalham com tanta facilidade. Desinformação causa mais mortes.”

Gates afirma que exemplos serão ainda mais importantes que uma limpeza digital. “Assim que as pessoas começarem a ver profissionais da saúde, idosos e professores tomando a vacina e voltando a ter uma vida normal, elas conversarão com médicos e poderão decidir se, para elas, faz sentido ou não tomar a vacina.”

A fundação ainda não identificou parceiros específicos ou beneficiados, mas, no passado, já financiou organizações para doenças infecciosas com trabalhos para imunoterapia, como a Gavi (Vaccine Alliance) e empresas privadas de biotecnologias, como a BioNTech. Segundo a instituição, já foram financiados mais de US$ 16 bilhões em pesquisa, desenvolvimento e produção de vacinas em 2019.

“Como uma instituição de filantropia, podemos correr alguns riscos de investimentos, mas esse caso requer ações dos setores público e privado”, diz Suzman. “Vale lembrar que historicamente os Estados Unidos são líderes em iniciativas de saúde como essa.” A fundação mantém contato com o senador Mitch McConnell e a presidente da câmara, Nancy Pelosi, e estão esperando que a gestão de Biden comece a funcionar para que as conversas continuem.

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“Vamos analisar caso a caso para avaliar onde estão as maiores necessidades e oportunidades”, completa Suzman. Ele diz que a fundação é uma referência. “Nós estamos tentando conseguir apoio de outros parceiros. E, de certa forma, nosso trabalho pode ser como uma semente que ajudará a acelerar esse processo em outras áreas.”

Bill e Melinda Gates já tinham ciência da ameaça, quando o primeiro caso de Covid-19 foi registrado em janeiro nos Estados Unidos, em Seattle. “Nós estávamos coletando informações e eu comecei a pensar ‘quão rápido isso vai evoluir?’”, ela relembra.

Após 20 anos de trabalho na saúde pública e com doenças infecciosas, essa se tornou uma missão pessoal. “Nós temos dois amigos, cujos dois membros das famílias tiveram Covid em março”, afirma Gates. “Eu estive em contato com essas duas pessoas várias vezes no mesmo dia. Foi terrível ver pelo o que as famílias deles estavam passando. Eu sei quão assustadora essa doença pode ser.”

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