Vacina russa pode ser produzida inteiramente no Brasil até abril, diz União Química

Anton Vaganov/Reuters
Anton Vaganov/Reuters

O contrato da União Química com o RDIF, que está comercializando a Sputnik V, contempla transferência de tecnologia de 100%

A farmacêutica brasileira União Química começou um teste de produção do ingrediente ativo necessário para produzir a vacina russa contra Covid-19 Sputnik V, e planeja fabricar a própria vacina em abril, o que faria dela a primeira feita inteiramente no Brasil, disse a empresa à Reuters.

“Esta semana já iniciamos um lote piloto de aprendizado de produção de IFA (ingrediente farmacêutico ativo). Não é para uso”, disse o cientista-chefe da União Química, Miguel Giudicissi, à Reuters.

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O Brasil está dependendo atualmente da exportação de ingredientes ativos de vacinas pela China para produzir vacinas contra a Covid-19, doença que já deixou mais de 210 mil mortos no país, mas o envio pelos chineses tem atrasado.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan preveem começar a produzir vacinas inteiramente no país apenas no segundo semestre — em agosto a vacina da AstraZeneca será fabricada pela Fiocruz, e no final de setembro o Butantan começará a fabricar a vacina da Sinovac.

Giudicissi disse que o contrato da União Química com o Fundo de Investimento Direto da Rússia (RDIF), que está comercializando a Sputnik V, contempla uma transferência de tecnologia de 100% que já está bem encaminhada. Células e clones de vírus chegaram para iniciar a produção no Brasil sem necessidade de importação do ingrediente ativo.

“Nosso contrato é de transferência total de tecnologia. Já recebemos as células e os clones dos vírus. Já está tudo certo e vamos produzir aqui no Brasil”, afirmou.

“Não será necessário importar IFA, e isto criaria uma autonomia para o Brasil de vacina para Covid”, disse Giudicissi em uma videoconferência.

Executivos da empresa se reunirão com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda hoje (21) para fornecer informações adicionais que o órgão regulador solicitou para conceder uma autorização de uso emergencial à Sputnik V.

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O executivo-chefe do RDIF disse em Moscou que a União Química está iniciando o processo de envasamento e embalagem da vacina e que acelerará a produção em fevereiro. Ele ainda disse que espera que a aprovação regulatória do Brasil seja resolvida nas próximas semanas.

Os parceiros russos fornecerão resultados adicionais de testes clínicos de estágio avançado com 22 mil voluntários na Rússia –de um total de 44 mil– que devem convencer a Anvisa de que a Sputnik V é segura e tem uma eficácia de 90%, disse Giudicissi.

O RDIF tem 400 mil doses prontas para serem enviadas ao Brasil assim que a Anvisa liberar o uso emergencial, a serem seguidas por 4,6 milhões de doses em fevereiro e seis milhões em março graças ao processo de envasamento da União Química em sua linha de produção de São Paulo. (Com Reuters)

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