OMS recomenda pílula antiviral da Pfizer para tratamento de Covid-19

O painel citou novos dados de dois ensaios clínicos envolvendo 3.100 pacientes.

Robert Hart
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Fabian Sommer/Getty Images
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O Paxlovid não deve ser usado em pacientes de baixo risco

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A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou a pílula antiviral Paxlovid da Pfizer para tratamento de pacientes de Covid de alto risco, anunciou a agência hoje (22), dizendo que a medicação é mais segura, mais fácil de administrar e melhor na prevenção de hospitalizações do que outros tratamentos disponíveis.

O painel de especialistas da OMS aprovou o Paxlovid – uma combinação de nirmatrelvir, que inibe a replicação do coronavírus, e ritonavir, um inibidor do HIV que também retarda a degradação do nirmatrelvir no fígado – para pacientes com Covid sem doença grave que correm alto risco de hospitalização.

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Grupos de alto risco incluem pacientes mais velhos, aqueles com sistema imunológico comprometido ou doenças crônicas e os não vacinados, de acordo com as diretrizes.

O painel citou novos dados de dois ensaios clínicos envolvendo 3.100 pacientes, que descobriram que o Paxlovid levou a 84 menos internações hospitalares por 1.000 pacientes tratados com pouco ou nenhum risco de efeitos colaterais graves quando administrado dentro de cinco dias após o início dos sintomas.

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O Paxlovid não deve ser usado em pacientes de baixo risco, pois os benefícios são “insignificantes”, embora o grupo tenha dito que esta é uma recomendação fraca, pois provavelmente há um “número considerável” de pessoas que darão um “alto valor a reduções muito pequenas” em risco.

O conselho também emitiu uma recomendação fraca para o uso do medicamento antiviral remdesivir para pacientes com Covid-19 não grave com alto risco de hospitalização, substituindo as orientações anteriores contra seu uso em qualquer paciente com Covid com base em novos dados de cinco ensaios clínicos.

Novas recomendações

As diretrizes da OMS pretendem ser um documento “vivo” que é atualizado à medida que novas informações chegam. O painel disse que está avaliando vários outros medicamentos, incluindo um antidepressivo barato e amplamente disponível, a fluvoxamina, que se mostrou promissora como um potencial tratamento para a Covid. O painel também está considerando a colchicina, uma terapia anti-inflamatória e anticoagulante, além de avaliar se o tratamento com anticorpos da GlaxoSmithKline e Vir sotrovimab é eficaz contra as variantes de Ômicron BA.1 e BA.2.

O Paxlovid é um dos únicos medicamentos antivirais orais aprovados para o Covid-19 e foi amplamente aclamado como um divisor de águas nos esforços para controlar o vírus.

Para ser tomada em casa antes ou logo após o aparecimento dos sintomas, a pílula preencheu uma grande lacuna no tratamento da Covid-19, que antes dependia da prevenção (como vacinação), tratamento dos casos mais graves no hospital ou tratamentos de difícil administração para aqueles que não estão internados. É o segundo – e agora preferido – antiviral oral endossado pela OMS depois do molnupiravir da Merck e da Ridgeback Biotherapeutics, recomendado para pacientes de alto risco no início de março.

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Embora inicialmente escasso, o fornecimento dos antivirais agora supera amplamente a demanda. Apesar disso, eles são subutilizados e não prescritos para muitos que se beneficiariam deles na Europa, nos EUA e em outros países ricos, que garantiram a maior parte da produção inicial.

Em comunicado, a OMS expressou sua preocupação de que os países de baixa e média renda “sejam empurrados para o final da fila quando se trata de acessar esse tratamento”, como aconteceu com as vacinas Covid-19.

Embora a Pfizer tenha fechado acordos com empresas farmacêuticas de todo o mundo para produzir formas genéricas do medicamento, a OMS disse que esses produtos “ainda não estão disponíveis de fontes com garantia de qualidade”. A agência disse que a “falta de transparência da Pfizer… está dificultando que as organizações de saúde pública obtenham uma ideia precisa da disponibilidade do medicamento, quais países estão envolvidos em acordos bilaterais e quanto estão pagando”.

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