Casa dos Ventos quer vender energia e fatias em eólicas

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Para o próximo projeto, do Rio Grande do Norte, a Casa dos Ventos poderá fechar contratos com mais de uma empresa

A desenvolvedora de projetos de energia eólica Casa dos Ventos está em busca de empresas interessadas em comprar tanto fatias na produção quanto participações acionárias em um complexo de usinas eólicas que a companhia construirá no Rio Grande do Norte, com uma capacidade de até 450 megawatts, disse à Reuters um executivo do grupo.

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As tratativas, já em andamento, visam replicar um negócio anunciado recentemente junto à Vale, no qual a mineradora brasileira fechou com a Casa dos Ventos a aquisição por longo prazo da energia a ser gerada pelo parque eólico Folha Larga Sul, na Bahia, e ainda ficou com uma opção de compra futura até da totalidade do empreendimento.

“A gente trouxe essa solução primeiro com a Vale, na Bahia, e agora pensamos em replicar no Rio Grande do Norte com um novo projeto… Mas nossa ideia é [no próximo projeto] continuar também como operador, ser um sócio-operador, e continuar no longo prazo operando as usinas”, explicou o diretor de Novos Negócios da Casa dos Ventos Lucas Araripe.

Nesse modelo, a desenvolvedora fica responsável pelo investimento financeiro nos parques e pela implementação dos projetos, enquanto o sócio tem a vantagem de comprar energia renovável a preços bastante competitivos e sem correr os riscos envolvidos na construção de uma usina.

O desenho envolve também a aquisição pelos sócios de uma participação nos parques, porque isso lhes permite obter descontos no custo da energia garantidos pela legislação brasileira a empresas “autoprodutoras”, que possuem ativos próprios de geração para atender sua demanda.

Segundo Araripe, o negócio com a Vale prevê que a empresa possa, no futuro, ficar com até 100% da usina eólica Folha Larga Sul, mas essa opção dificilmente seria tão atrativa para outras empresas que não possuem tanta experiência no setor de energia quanto a mineradora, que tem ativos de geração.

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Para o próximo projeto, do Rio Grande do Norte, a Casa dos Ventos poderá fechar contratos com mais de uma empresa, uma vez que o complexo eólico será dividido em diversas usinas menores, que podem ser negociadas individualmente.

As conversas para a venda da energia e de fatias nesse projeto estão em andamento, principalmente com empresas com grande consumo de energia, as chamadas “eletrointensivas”, que poderiam comprar cada uma desde uma pequena fatia da energia a ser produzida até quase a totalidade da geração do complexo, segundo Araripe. “Nossa solução tem tido uma receptividade muito boa, então as conversas estão de fato avançando… Tudo está correndo bem, algum anúncio ainda dentro deste ano é bem factível”, afirmou. “O interessante é que, como você divide em várias usinas, consegue alocar cada cliente em uma diferente. Mas tem todo o benefício do conjunto – a implantação, a operação, a compra de equipamentos, isso traz uma economia de escala”, acrescentou.

O empreendimento envolvido nas tratativas da Casa dos Ventos também já vendeu uma parte da capacidade em um leilão de energia promovido pelo governo federal no ano passado, o A-6. O parque com a Vale também havia negociado uma fatia da geração no mesmo certame.

AMPLO PORTFÓLIO

A Casa dos Ventos foi responsável por projetar ou desenvolver parques eólicos já em operação ou construção que somam uma capacidade total de 5,5 gigawatts. Para se ter uma ideia da presença da empresa no setor, o Brasil soma 14,5 gigawatts em usinas da fonte atualmente operacionais.

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Mas a empresa possui ainda 16 gigawatts em projetos eólicos em seu portfólio, além de 5 gigawatts em projetos solares, segmento no qual a companhia ainda não tem ativos.

“Hoje nós temos aproximadamente 400 torres de medição anemométrica [que medem ventos] e cerca de 25 solarimétricas, além de aproximadamente 600 mil hectares entre áreas arrendadas e compradas para as usinas”, apontou o diretor de Novos Negócios, lembrando que o número de torres já passou de 750.

Segundo ele, a intenção da companhia é seguir tanto com investimentos em ativos próprios quanto com a venda de projetos ou parques para terceiros.

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