Adyen entra na guerra das maquininhas no Brasil

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O movimento da Adyen ocorre enquanto a companhia tenta garantir a manutenção de taxas elevadas de crescimento da receita

A Adyen está entrando no mercado físico de adquirência no Brasil, como parte da campanha global da empresa holandesa para ampliar a rede de clientes e as vendas, movimento que acirra ainda mais a competição no já disputado mercado doméstico de meios eletrônicos de pagamentos.

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A ofensiva mostra a Adyen, especializada em comércio eletrônico e dona de uma carteira de clientes globais como Netflix, Facebook, eBay e Uber, indo na contramão da maioria das processadoras no país, que entraram primeiro no varejo físico para depois entrar no online.

Segundo o presidente da Adyen para a América Latina, Jean Christian Mies, a decisão de passar a operar com as chamadas maquininhas a partir deste mês levou em conta pedidos de varejistas com operações tanto físicas quanto online.

Um dos principais objetivos de integrar plataforma física e online é evitar desistência de compras quando há produto em falta no estoque. Segundo Mies, com o novo sistema clientes também poderão comprar online e buscar o produto nas lojas físicas ou vice-versa, sem precisar de novos cadastros.

“Isso tem potencial de aumentar a taxa de conversão das compras”, disse o executivo, referindo-se à relação entre consulta e compras efetuadas.

O movimento da Adyen ocorre enquanto a companhia tenta garantir a manutenção de taxas elevadas de crescimento da receita, quase um ano depois de ter feito uma bem-sucedida oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), com os papéis dobrando de valor já no dia da estreia.

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Em fevereiro, a Adyen informou que seu lucro principal da segunda metade 2018 teve um saldo 83%, a € 111,7 milhões, contra mesma etapa de um ano antes.

A Adyen passou anos resistindo à ideia de ter operação física, apostando em seu mercado principal de comércio online. Mas mudou de ideia quando percebeu que um terço de suas vendas estavam concentradas nos 10 principais clientes, todos com pagamentos exclusivamente online. Enquanto isso, em outra frente, a Adyen passou a sofrer assédio de concorrentes sobre sua base de clientes, como Uber e Netflix.

Então, começou operações físicas pontuais na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos, sobretudo com varejistas de moda, que estavam iniciando operações online integradas com as físicas.

No Brasil, o comércio eletrônico representa apenas cerca de 10% das vendas do varejo, o que apresenta um potencial ainda enorme de trabalhar de forma integrada, disse Mies. A credenciadora já fez parceria com a rede de moda Amaro e está discutindo com outros possíveis clientes, afirmou ele.

O movimento da Adyen acontece no momento em que a competição em meios de pagamentos teve uma guinada em abril, quando a Rede, do Itaú Unibanco, zerou a cobrança de juros sobre antecipação de recebíveis a lojistas. A medida imediatamente teve a reação de outras rivais menores.

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De acordo com Mies, porém, no caso da Adyen a entrada no varejo físico não tem como motivação entrar na guerra de preços, nem perseguir uma meta de participação de mercado.

“Nosso foco é defender margens no nosso resultado, trabalhando com clientes específicos que percebam valor na oferta de um produto integrado”, disse o executivo.


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