9 demissões históricas de fundadores bilionários

Getty Images-Justin Sullivan
A decisão da Apple de dispensar Jobs em 1985 é, talvez, a demissão mais famosa da história. O fundador, entretanto retorna em 1996

Resumo:

 

  • Como aconteceu com Adam Neumann, do WeWork, que foi afastado nesta semana, outros bilionários famosos, ao longo da história, foram demitidos de suas próprias empresas;
  • Steve Jobs (Apple), Jack Dorsey (Twitter) e Richard Schulze (Best Buy) estão entre as personalidades de destaque;
  • Comportamentos negligentes, comentários polêmicos e acusações de assédio sexual são algumas das posturas inadequadas que comprometeram os executivos.

Em uma luta, quem vence: o esperto ou o maluco?

Masayoshi Son fez essa pergunta a Adam Neumann, cofundador bilionário do WeWork, alguns anos atrás, logo após finalizarem um acordo que avaliava a startup de compartilhamento de espaço de trabalho em US$ 20 bilhões. Neumann levou um minuto e considerou a pergunta de Son. O cara louco, ele disse. Qual foi a resposta de Masa? “Está correto, mas você… não é louco o suficiente.”

VEJA MAIS: Neuman deixa presidência-executiva da WeWork

Hoje essas palavras soam como um estalo de ironia aos ouvidos, pois é difícil imaginar Neumann lutando com muita garra. A imagem de um CEO disperso e instável surgiu sobre ele no calor das notícias do fracasso da oferta pública inicial, que levou ao afastamento do empresário do cargo de diretor executivo da empresa. A queda oferece uma lição que derrubou mais de um bilionário fundador (como você verá na nossa lista abaixo): quanto mais alto, maior a…

  • Steve Jobs

    Patrimônio líquido (no momento da morte):

    US$ 7 bilhões

    Fonte de riqueza:

    Apple e Pixar

    A saída:

    a decisão da Apple de dispensar Jobs em 1985 é, talvez, a demissão mais famosa da história. Depois de contratar o CEO da Pepsi, John Sculley, alguns anos antes, a empresa de computadores primeiro dispensou Jobs da administração da divisão responsável pelo fracasso do Mac da segunda geração e depois o removeu também como presidente. “Ele não era um grande executivo naquela época”, lembrou Sculley em 2013. Jobs recuou, se recompôs e abriu mais duas empresas (computadores NeXT e Pixar) antes, é claro, de retornar em 1996 a fim de estabelecer as bases para a gigante de US$ 980 bilhões em que a Apple tornou. “Ele aprendeu muito naqueles anos estando distante”, disse Sculley, lições que o transformaram no “grande Steve Jobs que conhecemos hoje como talvez o maior CEO do mundo, e certamente da nossa época”.

    Últimas palavras:

    “Aos 30 anos, eu estava fora. Publicamente fora. O que foi o foco de toda a minha vida adulta estava perdido e foi devastador. ”

  • Micky Arison

    Patrimônio líquido:

    US$ 8,3 bilhões

    Fonte de riqueza:

    Carnival Cruises

    A saída:

    “Não estamos bem”, alertava um sinal. “Infortúnios acontecem”, argumentava o outro. Essas declarações afundaram no convés do Carnival Triumph quando os rebocadores puxaram o navio de 3.143 passageiros para uma doca em Mobile, no estado do Alabama.Foi o último de uma série de desastres que encerraram a corrida de Arison como capitão da empresa de seu pai, a Carnival Cruises, em julho de 2013.

    Arison era o tipo de CEO que gostava de passear de iate pelo mundo todo e sentar nas primeiras fileiras dos jogos do Miami Heat (equipe da qual era dono). Além disso, ele esteve ausente durante a cobertura da mídia de outros problemas no que aconteceram no mar, incluindo o emborcamento do Costa Concordia, na costa italiana em janeiro de 2012, que matou pelo menos 32 pessoas e vários outros problemas que deixaram navios encalhados, um dos quais posteriormente foi ameaçado por um ataque de piratas.

    Últimas palavras:

    “Precisamos voltar à essência da empresa. São férias, é diversão!”

  • Jack Dorsey

    Patrimônio líquido:

    US$ 3,9 bilhões

    Fonte de riqueza:

    Twitter e Square

    A saída (em 140 caracteres):

    Ele fundou o site com Ev Williams, mas perdeu uma disputa de poder com o parceiro em meio à crescente popularidade (e quedas de servidores!) em 2008. #TBT

    Últimas palavras:

    “O meio mais eficiente para espalhar uma ideia hoje é uma estrutura corporativa; há 200 anos provavelmente era algo diferente; daqui a 100 anos será algo completamente diferente. Mas tudo isso está a serviço da ideia”.

  • Travis Kalanick

    Patrimônio líquido:

    US$ 3,5 bilhões

    Fonte de riqueza:

    Uber

    A saída:

    Assistir a derrapagem da Uber, com Kalanick ao volante, foi cômico, como um carro de desenho animado girando sobre cascas de banana. Como começou? Em dezembro de 2016, Kalanick ainda se mostrava como outro gênio do mal do Vale do Silício: sim, ele é um valentão e um maníaco, mas cara, ele está mudando o mundo!. Isso até fevereiro do ano seguinte. Naquele mês, surgiram alegações de assédio sexual, bem como um vídeo de Kalanick brigando com um motorista da plataforma. A cultura corporativa da Uber foi criticada, tornando-se objeto de boicote e ridicularização. Em seguida, o “New York Times” descobriu que a Uber havia enganado metodicamente reguladores e autoridades por anos enquanto crescia rapidamente em novos mercados.

    A empresa demitiu alguns funcionários (cerca de 20), mas até o final de junho daquele ano, cinco grandes investidores exigiam que Kalanick saísse. Em licença após a morte de sua mãe em um acidente de barco, Kalanick renunciou.

    Últimas palavras:

    “Eu amo a Uber mais do que qualquer coisa no mundo e, neste momento difícil da minha vida pessoal, aceitei o pedido dos investidores de me afastar para que a empresa possa voltar à sua construção em vez de se distrair com outra briga”.

  • Sean Parker

    Patrimônio líquido:

    US$ 2,7 bilhões

    Fonte de riqueza:

    Napster e Facebook

    A saída:

    Na verdade, saídas. O primeiro exílio de Parker ocorreu na Napster, pouco antes de o processo movido pela indústria da música se encerrar em 2001. Depois, ele foi afastado da Plaxo, a startup de catálogo de endereços online que ele ajudou a fundar, em 2004. Um cofundador da Plaxo lembra as contribuições de Parker assim: “Era o tipo de situação em que ele não vinha para o trabalho. Se viesse, era às 23h. Entretanto, não chegava nesse horário para fazer um monte de tarefas, mas sim para trazer várias garotas ao escritório a fim de mostrar a elas que ele era um fundador de startups.”

    Sua saída mais famosa, certamente, foi a do Facebook. Em pouco mais de 12 meses, ele descobriu a empresa, ficou amigo de Mark Zuckerberg, ajudou a garantir seu financiamento inicial, tornou-se seu primeiro presidente e puf! renunciou ao cargo logo após policiais da Carolina do Norte encontraram cocaína em uma casa de praia alugada em seu nome. Parker se mudou para Nova York, onde encontrou consolo na casa do letrista do Grateful Dead John Perry Barlow, um amigo de longa data.

    Últimas palavras:

    “Quando alguém pede que você tire férias prolongadas, isso é basicamente um prelúdio para te demitir”.

  • Mark Pincus

    Patrimônio líquido:

    US$ 1,3 bilhão

    Fonte de riqueza:

    Videogames

    A saída:

    Por um tempo, o FarmVille parecia a terra prometida da web, posicionada no centro de uma tendência crescente de “jogos sociais”. Seu criador, a Zynga, e seu cofundador, Pincus, rapidamente aprenderam uma verdade tão antiga quanto a de Adão e Eva: é difícil ganhar muito dinheiro fora da fazenda o tempo todo e, dois anos após a abertura de capital da Zynga em 2011, Pincus estava arrumando suas malas às pressas para que um veterano da Microsoft, Dan Mattrick, pudesse assumir o cargo de CEO. Pincus assumiria a posição em 2015, antes de desistir novamente um ano depois.

    Últimas palavras:

    “Existem pouquíssimos tesouros na internet”.

  • Richard Schulze

    Patrimônio líquido:

    US$ 3,8 bilhões

    Fonte de riqueza:

    Best Buy

    A saída:

    Schulze foi uma vítima de lealdade equivocada. Brian Dunn, CEO da Best Buy, era um amigo muito próximo (ex-balconista da loja, um verdadeiro executivo) selecionado a dedo por Schulze para liderar a empresa, em 2009. Dois anos depois, Schulze foi pego por não divulgar ao conselho que Dunn teve um relacionamento sexual com uma funcionária de 29 anos. Assim, o CEO foi demitido e Schulze forçado a segui-lo. Richard considerou brevemente iniciar uma tentativa de compra antes de pensar melhor sobre a ideia, e isso funcionou bem para ele. Ele ainda é presidente emérito e um dos principais investidores da Best Buy, cujas ações dispararam desde uma baixa no mercado em dezembro de 2012.

    Últimas palavras:

    “Quando iniciei o negócio, contei com meu próprio conhecimento e experiência, mas logo percebi que os funcionários, quando encorajados para fazer o mesmo, adicionavam dimensões ao que estávamos tentando realizar que se encontravam muito além da minha própria compreensão”.

  • Chip Wilson

    Patrimônio líquido:

    US$ 4,2 bilhões

    Fonte de riqueza:

    Lululemon

    A saída:

    Todo o treinamento de ioga do mundo não pode ajudar Wilson a se desembaraçar dos comentários insensíveis e desastrosos referente a um uniforme muito transparente, em novembro de 2013. Em vez de culpar o tecido, ele reclamou que “alguns corpos de mulheres na verdade, simplesmente não se ajustam”. Wilson havia deixado o cargo de CEO dois anos antes. Um mês depois de suas declarações, ele abandonou a posição de presidente. “Chip teve a elegância e tolerância de saber que ele não tem o porte de CEO”, disse Christine Day, então CEO da Lululemon, à Forbes em 2012. “Ele entende o que significa deixar uma posição.” Talvez não. Wilson passou os anos seguintes tentando manobras a fim de voltar à administração da Lululemon, chegando ao ponto de considerar uma aquisição hostil.

    Últimas palavras:

    “[Eu estava] jogando para ganhar, enquanto os diretores da empresa que eu fundei estavam jogando para não perder.”

  • Steve Wynn

    Patrimônio líquido:

    US$ 3,1 bilhões

    Fonte de riqueza:

    Cassinos

    A saída:

    Em janeiro de 2018, um relatório do Wall Street Journal detalhou como dezenas de pessoas apresentaram histórias de má conduta sexual por parte de Wynn, CEO e maior acionista da Wynn Resorts. Ele negou as acusações -entre elas, forçar sua manicure a ter relações sexuais com ele- e as atribuiu a uma campanha de difamação orquestrada por sua ex-mulher, Elaine. Todavia, isso não o salvou. Menos de duas semanas após a história ser publicada pelo “WSJ”, ele desistiu. Dentro de um mês, havia desistido das suas fichas, vendendo toda a sua participação na Wynn Resorts.

    Últimas palavras:

    “Eu me encontrei no centro de uma avalanche de publicidade negativa. Ao refletir sobre o ambiente que isso criou, em que a pressa de julgar tem precedência sobre todo o resto, inclusive os fatos, cheguei à conclusão de que não posso continuar sendo eficaz em meus papéis atuais.”

Steve Jobs

Patrimônio líquido (no momento da morte):

US$ 7 bilhões

Fonte de riqueza:

Apple e Pixar

A saída:

a decisão da Apple de dispensar Jobs em 1985 é, talvez, a demissão mais famosa da história. Depois de contratar o CEO da Pepsi, John Sculley, alguns anos antes, a empresa de computadores primeiro dispensou Jobs da administração da divisão responsável pelo fracasso do Mac da segunda geração e depois o removeu também como presidente. “Ele não era um grande executivo naquela época”, lembrou Sculley em 2013. Jobs recuou, se recompôs e abriu mais duas empresas (computadores NeXT e Pixar) antes, é claro, de retornar em 1996 a fim de estabelecer as bases para a gigante de US$ 980 bilhões em que a Apple tornou. “Ele aprendeu muito naqueles anos estando distante”, disse Sculley, lições que o transformaram no “grande Steve Jobs que conhecemos hoje como talvez o maior CEO do mundo, e certamente da nossa época”.

Últimas palavras:

“Aos 30 anos, eu estava fora. Publicamente fora. O que foi o foco de toda a minha vida adulta estava perdido e foi devastador. ”

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