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Forbes50+: José Luiz Tejon

Após um reencontro com um amigo de adolescência, Tejon se reconciliou com a própria história e reinventou a carreira, passando a atuar na área motivacional .

Rebecca Silva
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José Luiz Tejon se reconciliou com o próprio passado desafiador e se tornou uma referência como escritor e palestrante motivacional

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Talvez você já conheça a história de José Luiz Tejon. O escritor, palestrante e professor participou de programas de televisão – já foi até entrevistado por Jô Soares – e é comentarista de rádio há mais de uma década. Mas se você ainda não cruzou com sua trajetória inspiradora, permita-nos contar um pouco dela.

Tejon define a própria história como improvável e afirma que tinha tudo para não acontecer. Sua mãe biológica veio para o Brasil fugindo da Espanha franquista, carregando-o no ventre. Chegou a Santos, litoral de São Paulo, onde tinha alguns conhecidos, e passou a trabalhar como doméstica e viver de forma muito precária. Exercia a função com Tejon no colo, por não ter com quem deixá-lo. Fez amizade com um casal, que passou a cuidar da criança quando ela foi para a Argentina à procura de uma vida melhor. O que era temporário se tornou permanente, já que a mulher morreu antes de conseguir retornar para buscar o filho.

A estrada da vida de Tejon encontrou outro grande obstáculo quando ele tinha entre três e quatro anos: um terrível acidente doméstico. Uma mistura de cera e gasolina que sua mãe adotiva preparava pegou fogo e queimou severamente o rosto da criança. Boa parte da infância foi passada em hospitais, em internações pós-cirurgias. Tejon se sentia um patinho feio e se escondia por causa das cicatrizes, até que a música o salvou. Sua auto-estima surgiu a partir do momento em que percebeu o poder da criação.

“Apaguei completamente esse assunto da minha cabeça. Nós somos resultado da visão de mundo que temos dentro de nós. Quando eu deixei de me ver como o adolescente queimado, parecia que mais ninguém me via assim”, relembra. Mudou-se para São Paulo, entrou na faculdade e iniciou uma carreira de sucesso na publicidade e no agronegócio, recebendo prêmios por seu trabalho.

“A minha carreira não aconteceu da noite para o dia. Sempre fiz muitas coisas ao mesmo tempo. Enquanto executivo, sempre dei aula também. E nunca neguei ajuda, sempre participei de associações da minha categoria profissional”, pontua.

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Quando completou 50 anos, ganhou da filha um livro de autoajuda. Apesar da aversão que tinha ao gênero na época, a orelha da obra chamou atenção: Roberto Shinyashiki era o autor, um amigo da época da adolescência. Ele entrou em contato para retomar a amizade, adormecida pelos 30 anos sem encontros. Foi de Shinyashiki a ideia para que Tejon se reconciliasse com a própria história e colocasse tudo no papel. Até então, ele só escrevia obras com teor profissional sobre marketing, vendas e agronegócio. A proposta virou “O Voo do Cisne”, de 2002, e deu início a uma nova fase na vida do executivo.

Ele passou a ser mais procurado para palestras, agora sobre sua história e não sobre sua expertise profissional, e cinco anos depois decidiu deixar o cargo corporativo por não conseguir mais se dedicar da forma que considera ideal. “É genial o tanto que aprendi e realizei como executivo, mas, a partir daquele momento, eu precisei me doar mais no campo de educador e encorajador do ser humano, no fortalecimento da resiliência para combater os sofrimentos”, conta.

Para ele, o ideal é nunca parar de aprender e estabelecer laços que geram uma força criativa muito potente. “Uma coisa fundamental que tenho hoje e aprendi é não duvidar do destino, além de não ter medo. Minha reinvenção teve a mão do destino, que fez com que eu reencontrasse o Roberto, mas eu só consegui seguir esse novo caminho porque já tinha me preparado com intensidade, com coragem e amor à vida. Cheguei aos 50 com muita sabedoria e com vontade de não morrer. Não temos só um papel na vida e eles são estimulantes, revigorantes.”

Para quem tinha tudo para negar a criança interior em função do passado difícil, Tejon acredita que é essencial mantê-la viva e ativa para não perder o brilho no olhar depois da maturidade. “A vontade de criar é especial. É nela que você encontra a criança do ser humano e é ela que nos impulsiona ao sonho e a visualizar o que os adultos acham impossível.”

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