Por onde andam 5 destaques do terceiro setor de edições anteriores da lista Under 30

Jovens compartilham seus projetos atuais e contam sobre a experiência de fazer parte da seleção de prodígios .

Maria Laura Saraiva
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Monique Evelle, Laina Crisóstomo, Edu Lyra, Anielle Guedes e Lisiane Lemos são os destaques da vez

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A lista Forbes Under 30, que tem sua versão brasileira publicada desde 2014, é uma das referências em elencar jovens profissionais em destaque no cenário nacional. Entre empreendedores, criadores e game-changers de até 30 anos nos mais diversos setores, a lista já apresentou nomes como Camila Coutinho, Marina Ruy Barbosa, Caio Castro e Felipe Neto, entre muitas outras personalidades

As inscrições para a versão de 2021 da Under 30 estão abertas e, por isso, a Forbes irá revisitar mensalmente o trabalho e a atuação de representantes das edições anteriores. Em junho, os destaques são as personalidades no terceiro setor, categoria que já reconheceu 33 jovens prodígios.

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Veja, na galeria de imagens a seguir, as histórias e por onde andam Monique Evelle, Laina Crisóstomo, Edu Lyra, Anielle Guedes e Lisiane Lemos:

  • Monique Evelle, Desabafo Social, 26 anos

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    Desde que saiu na lista dos Under 30, em 2017, a jornada de Monique Evelle segue como ela – intensa. Na época, a ativista ganhou destaque como fundadora do Desabafo Social, organização com foco na educação e nos direitos humanos. De lá para cá o projeto se expandiu e passou por grandes reformulações, atuando hoje como um laboratório de tecnologias sociais aplicadas para geração de renda. Só em 2020, por exemplo, o Desabafo apoiou mais de 3 mil habitantes de 460 cidades do Brasil através de micro remunerações. “Fizemos uma curadoria de projetos criativos e selecionamos as produções mais inovadoras. Foi uma forma de remunerar a inteligência coletiva e a criatividade”, explica a empreendedora.

    Durante esses quatro anos, Monique também saiu do emprego no “Globo Repórter” para se dedicar ao próprio negócio. Sua nova aposta é o Inventivas, uma plataforma de aprendizagem voltada para o futuro do trabalho. Com apenas seis meses de existência, a organização já conta com 800 alunos inscritos e aulas semanais ao vivo. Paralelamente, a investidora lidera a criação do Nulab Salvador, um hub de inovação e experiência do cliente do Nubank. Ao lado do banco digital, ela também desenvolveu o Semente Preta, fundo de investimento para startups lideradas por negros.

    O próximo passo de Monique também já está esboçado. “Tenho uma inspiração que talvez seja muito óbvia, como comunicadora e empresária, que é a Oprah”, diz. “Ser multipotências e multiplataformas é algo que eu me vejo fazendo no futuro, daqui uns cinco anos. Esse programa pode ser na internet, pode ser um podcast. Sinto que não preciso fazer mais nada meu, é hora de passar o bastão”, admite.

    Seja na comunicação, na educação ou na inovação, Monique quer consolidar seu papel como investidora – não de empresas, mas de pessoas. “Quero fazer a promoção de notórios anônimos, pessoas que o Brasil precisa conhecer. Se ninguém tivesse investido em mim eu não estaria falando com a Forbes hoje.”

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  • Laina Crisóstomo, Tamo Juntas, 34 anos

    À frente da Tamo Juntas, organização de combate e enfrentamento à violência contra a mulher, Laina Crisóstomo foi um dos destaques da edição de 2017 da Under 30. Após a eleição como vereadora de Salvador para um mandato coletivo em 2020, a advogada responde como associada fundadora do grupo, participando das principais decisões do projeto.

    “A Tamo Juntas passou a ter muita visibilidade depois da publicação na Under 30, e isso de certa forma aumentou tanto a nossa representatividade como a nossa responsabilidade”, explica. Com a divulgação, empresas como a Natura e a Avon chegaram a atuar como parceiras do grupo, fortalecendo o crescimento da organização. Se há quatro anos o projeto contava com 40 voluntárias espalhadas por 12 estados do país, hoje são 150 mulheres atuando em 19 capitais brasileiras.

    As áreas de atuação da Tamo Juntas também se desdobraram nesse período. Laina conta que, sozinha, o enfrentamento jurídico não era capaz de apoiar e acolher as mulheres que chegam procurando por ajuda. Foi quando o projeto passou a ter uma assistência multidisciplinar, com assistentes sociais, psicólogas, médicas e dentistas.

    Para além da carreira da organização, a ativista também ingressou no consórcio nacional da Lei Maria da Penha e construiu a frente nacional pela legalização do aborto.
    Em um cenário onde o número de denúncias de violência pelas redes sociais aumentou cerca de 400%, como diz a advogada, o futuro é decisivo. “É sobre vidas. É por isso que queremos nos consolidar cada vez mais como uma organização de expertise, com know-how e uma perspectiva verdadeiramente feminista”, fala Laina.

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  • Edu Lyra, Gerando Falcões, 33 anos

    Destaque da primeira lista Under 30 no Brasil, Edu Lyra é fundador e CEO da Gerando Falcões, um ecossistema de desenvolvimento social que atua em rede para acelerar o poder de impacto de líderes de favelas de todo país que possuem um sonho em comum: colocar a pobreza das favelas no museu. O projeto entrega serviços de educação, desenvolvimento econômico e cidadania em territórios da favela e, além disso, executa programas de transformação sistêmica de favelas, como o Favela 3D. Operando através do famoso modelo Ambev, o empreendedor conseguiu chamar atenção de investidores de peso do mercado, entre eles a Fundação Lemann, Cyrela, EMS, Wise Up, Microsoft e o Itaú.

    Quase 10 anos (que serão completados em junho) após a sua criação, o projeto já está presente em cerca de 700 favelas em todo o Brasil. O que era uma organização pequena, fundada com R$ 5 mil lucrados a partir da venda de um livro homônimo, acabou se tornando um ecossistema de impacto social, atingindo cerca de meio milhão de pessoas em 2020.

    Na pandemia, Lyra conseguiu captar mais de R$ 52 milhões – mais que o dobro da arrecadação do ano passado, em doações através da campanha “Corona no Paredão, Fome Não”, projeto que prevê a doação de cestas básicas digitais, no valor de R$ 150 por dois meses, para as famílias de favelas de todo o país. Um quinto do valor foi repassado pelo Google.org, braço filantrópico da empresa.

    Até 2023, o líder do Gerando Falcões almeja impactar mais de 3.700 favelas brasileiras, além de criar uma rede que interligue todas essas áreas.

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  • Anielle Guedes, Urban 3D, 28 anos

    Anielle tinha apenas 23 anos quando, em 2016, se tornou um dos destaques da lista Under 30. Ao longo desses últimos cinco anos à frente da Urban 3D, a jovem empreendedora transformou o seu negócio.

    Licenciando a tecnologia do grupo para um parceiro alemão, a startup de negócio social virou uma iniciativa de projetos especiais, que hoje se volta para o desenvolvimento de novos materiais para impressão 3D. A mudança, como explica a empresária, foi um passo necessário dentro do mercado brasileiro. “Trabalhar com tecnologia de hardware no Brasil, dentro da construção civil e ainda com uma proposta social, foi um aglomerado muito grande de conceitos para um ambiente de hard sciences ainda muito árido no país.”

    A saída encontrada por Anielle foi a de se aventurar pela Europa, onde mora atualmente. Por lá, a jovem está concluindo a graduação de economia e política na Universidade de Londres, uma das mais conceituadas do mundo. Mesmo distante, a empreendedora atua em diversos conselhos – nacionais e internacionais. Entre eles, o CBDES (Centro Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), onde discute o uso de tecnologias emergentes para a transição energética como solução para a mudança climática, o Centro de Altos Estudos do TCU (Tribunal de Contas da União), onde entrega pautas sobre futuro do trabalho com base em novas tecnologias e a Global Urban Development, onde aborda o uso de novas tecnologias na construção civil, na economia circular e na habitação sustentável.

    Para o futuro, ela almeja investir em negócios que extrapolem o retorno financeiro e tragam novas tecnologias de impacto social. “Ainda não sei como vai ficar a economia depois da pandemia e quais oportunidades surgirão com isso, mas espero que a retomada seja verde e sustentável”, afirma Anielle.

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  • Lisiane Lemos, Blacks at Microsoft, 31 anos

    Perguntar o que mudou na vida de Lisiane Lemos desde a publicação na Under 30, em 2017, é saber que poucas coisas continuaram iguais. Na época, a empresária saiu como destaque do Blacks at Microsoft, um programa de debate entre os colaboradores da multinacional sobre diversidade e inclusão de negros na companhia.

    “É mais fácil dizer o que não mudou. Eu sigo filha dos meus pais (risos), mas me tornei a amiga famosa, a profissional reconhecida, a Lisiane da Forbes. É uma responsabilidade muito grande e no início foi até um pouco difícil aceitar, já que o trabalho que me levou até a lista, nunca foi pensado para sair na mídia, mas para causar um impacto relevante na minha comunidade”, confessa.

    O sucesso do projeto, que já existia nos Estados Unidos, foi a porta de entrada de Lisiane para os seus próprios empreendimentos. Hoje, a empresária comanda o Conselheira 101, uma iniciativa independente de oito mulheres focada na inserção de mulheres negras em conselhos de administração.

    Além disso, a empreendedora também atua como conselheira consultiva de organizações privadas e é membro do Grupo Mulheres do Brasil, uma iniciativa de engajamento social liderado por Luiza Helena Trajano.

    “No futuro me vejo investindo mais em conhecimentos técnicos sobre tecnologia, inovação e governança corporativa que se tornaram as minhas paixões, sempre trazendo diversidade como o motor que alavanca criação nestes setores”, diz.

    Paula Barros

Monique Evelle, Desabafo Social, 26 anos

Desde que saiu na lista dos Under 30, em 2017, a jornada de Monique Evelle segue como ela – intensa. Na época, a ativista ganhou destaque como fundadora do Desabafo Social, organização com foco na educação e nos direitos humanos. De lá para cá o projeto se expandiu e passou por grandes reformulações, atuando hoje como um laboratório de tecnologias sociais aplicadas para geração de renda. Só em 2020, por exemplo, o Desabafo apoiou mais de 3 mil habitantes de 460 cidades do Brasil através de micro remunerações. “Fizemos uma curadoria de projetos criativos e selecionamos as produções mais inovadoras. Foi uma forma de remunerar a inteligência coletiva e a criatividade”, explica a empreendedora.

Durante esses quatro anos, Monique também saiu do emprego no “Globo Repórter” para se dedicar ao próprio negócio. Sua nova aposta é o Inventivas, uma plataforma de aprendizagem voltada para o futuro do trabalho. Com apenas seis meses de existência, a organização já conta com 800 alunos inscritos e aulas semanais ao vivo. Paralelamente, a investidora lidera a criação do Nulab Salvador, um hub de inovação e experiência do cliente do Nubank. Ao lado do banco digital, ela também desenvolveu o Semente Preta, fundo de investimento para startups lideradas por negros.

O próximo passo de Monique também já está esboçado. “Tenho uma inspiração que talvez seja muito óbvia, como comunicadora e empresária, que é a Oprah”, diz. “Ser multipotências e multiplataformas é algo que eu me vejo fazendo no futuro, daqui uns cinco anos. Esse programa pode ser na internet, pode ser um podcast. Sinto que não preciso fazer mais nada meu, é hora de passar o bastão”, admite.

Seja na comunicação, na educação ou na inovação, Monique quer consolidar seu papel como investidora – não de empresas, mas de pessoas. “Quero fazer a promoção de notórios anônimos, pessoas que o Brasil precisa conhecer. Se ninguém tivesse investido em mim eu não estaria falando com a Forbes hoje.”


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