Por que 2019 pode ser o ano dos robôs nas entregas do varejo

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À medida que a visão de um robô ou drone para entregar mercadorias se torna mais familiar, a autonomia passa a ser uma alternativa viável às opções habituais de delivery.

Este será um ano decisivo para a entrega autônoma. A previsão é de Lex Bayer, CEO da Starship Technologies, uma das líderes mundiais em robôs de entrega.

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E não é muito difícil entender por que Bayer defende a entrega autônoma de maneira tão ousada. Vans carregadas entopem nossas estradas, poluem nosso ar e não são eficientes. No ano passado, um número grande de varejistas se perguntou por que não estavam experimentando uma alternativa mais moderna.

À medida que a visão de um robô ou drone para entregar mercadorias está se tornando mais familiar, a autonomia passa a ser uma alternativa viável às nossas opções habituais de delivery, mas sem grande difusão – ainda.

O apelo da entrega autônoma para varejistas

No Reino Unido, existem alguns bots da Starship em circulação na cidade de Milton Keynes, entregando suprimentos para a Tesco e a Co-op. Nos Estados Unidos, a empresa anunciou recentemente uma parceria com a Universidade George Mason que permitirá que alimentos sejam entregues por robôs em qualquer lugar do campus.

Então, qual é o apelo que os varejistas teriam para explorar alternativas de entregas na chamada “última milha” (para os consumidores)? “Trata-se de tentar encontrar uma maneira de cortar todo o tráfego nas estradas e uma forma mais eficiente de fazer as mercadorias chegarem aos clientes”, diz Simon Liss, diretor-gerente da agência de inovação para o varejo Omnifi.

Para Bayer, os robôs estão começando a atender a essas necessidades. Como os nossos hábitos de compras se desenvolveram para favorecer os pedidos online, os varejistas têm se deparado com números crescentes de entrega e prazos cada vez menores, dentro dos quais eles precisam garantir que a encomenda chegue.

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A McKinsey estima que o número de pacotes que precisam ser entregues a cada ano pode subir para mais de 25 bilhões nos EUA na próxima década. Esse aumento de demanda coloca uma pressão significativa sobre os varejistas, que tentam encontrar métodos de entrega que não consumam seus lucros.

É aí que a automatização poderia “entrar”. “Os robôs da Starship conseguem reduzir drasticamente os custos de ponta a ponta envolvidos em entregas curtas”, explica Bayer. Além disso, à medida que os consumidores se tornam mais conscientes quanto ao meio ambiente, eles querem que as lojas ofereçam opções de entrega que não afetem sua pegada de carbono. Os robôs movidos a eletricidade são uma alternativa atraente, pois retiram vans e caminhões da estrada, reduzindo os congestionamentos e os níveis de gases nocivos no ar.

Por que os clientes adoram a ideia de um robô entregando seus pedidos?

O interesse do consumidor em robôs é, inicialmente, alimentado pela novidade tecnológica, embora a tendência é que isso logo desapareça. Mas o que importa, no fundo, é a conveniência e a confiabilidade que os computadores podem oferecer aos compradores.

Ter um robô entregando suas refeições semanais representa economia de tempo. Além disso, é um método de entrega capaz de ajudar idosos ou deficientes a serem mais independentes do transporte público e da família.

O que está atrasando a entrega automatizada?

Os robôs da Starship já completaram mais de 25 mil entregas globalmente. E Bayer está confiante de que esse número aumentará. “Prevemos que 1 milhão de entregas autônomas serão concluídas antes que 1 milhão de pessoas andem em veículos autônomos”, diz.

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Mas ainda existem alguns grandes obstáculos para tornar a entrega robotizada a opção ideal. Dimensionar a operação dentro de uma cidade parece ser o maior desafio. “Não vejo isso acontecendo em Londres”, diz o diretor da agência de inovação, Simon Liss. “O Reino Unido tem um sistema rodoviário caótico e ter um exército de robôs de pequena capacidade circulando pelas nossas ruas causará todo tipo de problemas, tanto práticos quanto legais.”

Mas veículos e entregas autônomas não precisam ser posicionados como inimigos. Eles poderiam ser complementares. Uma vez que os automóveis autônomos se tornarem parte de nossas vidas cotidianas, Liss acha que eles assumirão responsabilidades de entrega. “Veículos autônomos de grande porte poderiam deixar pacotes ao longo de seu trajeto”, diz ele.

Veículos autônomos de múltiplos propósitos seriam econômicos e seu tamanho lhes daria capacidade para transportar muito mais pacotes do que os robôs atuais.

Uma vez que as empresas de robôs de entrega descobrirem a maneira de tornar sua tecnologia escalável para cidades e áreas urbanas densamente povoadas, sua popularidade aumentará e os varejistas começarçao a levar sua viabilidade a sério.

Assim, embora os veículos autônomos ou os robôs não pareçam prontos para assumir totalmente o controle em 2019, os benefícios óbvios para varejistas e consumidores significam que podemos esperar que eles se integrem mais às nossas vidas este ano.

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