Conheça a CEO que une marcas de luxo e mercado chinês

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Chloé começou a construir seu negócio com o objetivo de se tornar a principal agência para atender as relações entre negócios de luxo e clientes

A fundadora e CEO da Reuter Communications, Chloé Reuter, dirige a vanguarda da conexão de empresas e marcas de luxo com os consumidores abastados da Ásia. Lançada em 2010, Chloé começou a construir seu negócio com o objetivo de se tornar a principal agência digital e de comunicação para atender as relações entre negócios de luxo e clientes de moda, viagens, beleza, varejo, hotelaria e tecnologia.

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A Reuter Communications tem uma lista de clientes que inclui empresas como Harrods, Estée Lauder Companies, Ritz Carlton, Swire Hotels, Swarovski e Canada Goose. Chloé conversou com a Forbes sobre como utiliza sua expertise e habilidades de ex-jornalista – em Tóquio, era repórter e produtora da Reuters e Bloomberg TV – para aproveitar o poderoso impacto da narrativa das experiências geradas pelo mercado de luxo.

Forbes: Como você soube que queria sair do jornalismo para se tornar empreendedora?

Chloé Reuter: Para ser sincera, não pensei muito nos detalhes, na época. Foi uma transição natural. Eu já trabalhava na televisão há alguns anos com a Bloomberg e a Reuters no Japão. Adoro as notícias em tempo real. Estava muito animada, mas quando me mudei para a China, em 2005, tive dúvidas sobre como continuar com o jornalismo por lá. Ainda tenho uma enorme paixão por escrever e criar conteúdo, e adoro poder fazer isso no meu trabalho atual.

Quando cheguei em Xangai, tive muita sorte de ter esbarrado em um dos diretores da agência de publicidade Doyle Dane Bernbach (DDB). Ele teve a perspicácia de ver que eu poderia fazer uma grande mudança e passar para as comunicações corporativas trabalhando ali, especialmente com meu histórico em jornalismo. Eu aproveitei a oportunidade e passei fantásticos quatro anos na DDB. Quando você é jornalista, aprende a nunca aceitar um “não” como resposta e desenvolve muita determinação. Portanto, posso dizer que não havia uma estratégia de grande empresa. Eu nunca hesito. Ser um pouco ingênua foi, provavelmente, o que mais me ajudou quando montei meu próprio negócio: eu tinha convicção, resiliência e apenas acreditava que tudo estaria bem, mesmo com as dificuldades dos primeiros anos.

Forbes: Qual é a sua definição de sucesso?

Chloé Reuter: Pessoalmente, há muitas definições de sucesso. Por um lado, o sucesso é que eu construí uma agência do zero, com uma ótima reputação, onde fazemos um excelente trabalho. Nós construímos uma cultura de ser inteligente e legal e tenho muito orgulho disso. Acredito que nenhum negócio pode ser bem-sucedido a longa prazo, a não ser que haja uma boa cultura. Sei que isso parece básico e muito idealista, mas digo, pelo menos 10 vezes ao dia, que “vivemos apenas uma vez”. Não estamos salvando vidas. Estamos tentando fazer o melhor trabalho que podemos. Acredito que é importante ver as coisas por este lado.

Sucesso, para mim, também é o fato de que tenho uma fantástica vida familiar. Administrar um negócio exige muito comprometimento e tempo, mas também me permite flexibilidade. Posso planejar meu dia a dia para conseguir algum tempo com meus filhos, depois das aulas ou durante as férias.

Acredito que há muitas maneiras de medir o sucesso. As pessoas dizem: “Você é tão bem-sucedida”. E eu penso: “Sério?”. Ainda sou a mesma pessoa que queria começar a construir este negócio há nove anos, começando do zero. Acho importante continuar ambicioso e humilde – isso significa tratar e falar com todos da mesma maneira e com respeito. Passei por tantas coisas nos últimos nove anos e, claro, tudo parece ótimo agora, mas os altos e baixos dos primeiros tempos foram enormes. Sempre brinco que, se soubesse quão difícil seria, provavelmente nem teria começado.

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Forbes: Você mencionou os altos e baixos durante os nove anos e isso é padrão na jornada de um empreendedor. Há um baixo ou alto que se destaque?

Chloé Reuter: Quando você monta uma empresa, encara muitos altos e baixos – é como uma montanha-russa. Felizmente, sou uma eterna otimista. Mas tem uma coisa que me vem à cabeça quando penso nisso. Há muitos anos, eu tinha uma ótima colega, em quem confiava cegamente. Ela saiu da empresa, montou uma própria e tentou roubar todos os nossos clientes. Nenhum deles nos deixou, mas foi um alerta. Eu nunca tenho problema com colegas que saem para montar seus negócios – na verdade, eu apóio esse tipo de iniciativa. No entanto, comportar-se com integridade precisa ser o primeiro passo ao construir algo.

No que diz respeito aos pontos altos, posso citar muitos: trazer talentos fantásticos, como meu parceiro de negócios Nick, conquistar novos clientes, trabalhar com marcas que sempre admirei, ter o reconhecimento de CEOs, ser reconhecida no setor com prêmios e vencer agências globais em processos de concorrência quando ainda éramos desconhecidos. Mas os melhores momentos são os do dia a dia: ver pessoas em nossa empresa crescerem e assumirem mais responsabilidade e prosperarem. São colegas que agora estão conduzindo reuniões com grande confiança e fazendo um trabalho incrível. Eu me sento e assisto, muito animada por eles.

Forbes: Como seus valores pessoais são refletidos nos negócios?

Chloé Reuter:
Passamos um tempo colocando os valores de nossa empresa no lugar para que todos estejam cientes deles. Os princípios da empresa são os que eu vivo. Acho que eles são muito simples, principalmente o primeiro: trate as outras pessoas como quer ser tratado. Isso significa dizer “por favor” e “obrigado”, saber o nome da nossa recepcionista e cumprimentá-la pela manhã. Recolher o seu lixo. Esses são os valores que eu transmito aos meus filhos. Espero que as pessoas em nosso escritório tenham bons modos e tratem os outros da maneira como desejam ser tratadas.

Outro valor é que, quando falhamos, aprendemos com isso e seguimos em frente. Eu acredito que, no final do dia, um dos sucessos de qualquer empreendedor é a capacidade de falhar e continuar. As coisas dão errado e o sucesso é o quão rápido você pode se levantar e seguir em frente. Eu nunca soube quanta coragem tinha até que comecei este negócio. Sabia que tinha coragem quando trabalhava na TV, porque a carga horária era fora do comum. Costumava acordar às 3h todos os dias e estar em minha mesa às 4h, no Japão. Mas ter seu próprio negócio requer um outro tipo de resiliência. Eu só gostaria de ter a mesma perseverança quando se trata de ir à academia!

Forbes: Como uma especialista na China, o que você pensa sobre o estado atual do luxo e seu futuro no país?

Chloé Reuter: Eu estou otimista, embora, infelizmente, tenha havido muito alarmismo, especialmente na mídia ocidental, sobre o cenário de luxo na China. Acredito firmemente que o luxo no país continuará a crescer, desenvolver e inovar. O mercado está avançando – o que levou, talvez, 50 anos ou mais na Europa, eles fizeram lá em uma década. Com isso, quero dizer que o conhecimento das pessoas e o apetite por luxo aumentaram exponencialmente.

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Eu converso com jovens amigos chineses e eles estão vestindo as marcas mais legais das quais nunca ouvi falar. Estão indo para novos e surpreendentes lugares da gastronomia que não conheço. Eles viajam de forma independente para lugares fora do comum e fazem grandes pesquisas antes de partirem. Eles querem autenticidade quando viajam. Essas pessoas sempre querem luxo: seja em viagens, beleza, varejo, moda, tecnologia ou o que for – elas querem coisas boas.

Curiosamente, ao mesmo tempo em que o mercado está se desenvolvendo por aqui, também tem um cliente de luxo que está interessado em marcas chinesas. Trabalhamos com alguns designers chineses incríveis. Eles são talentosos e maravilhosos. Eu acho que é uma oportunidade real. Por que o luxo não deveria começar na China?

Não acredito que muitas marcas ainda estejam em seus belos prédios em Paris decidindo sobre o mercado chinês. Eu me pergunto: não deveríamos estar fazendo o contrário? As marcas não deveriam desenvolver sua estratégia global na China, em vez de Paris ou Milão ditarem a agenda? Se 45% dos consumidores de luxo em 2020 forem chineses, essa abordagem não seria melhor? Estou muito animada por todos esses jovens designers chineses. Eu adoro quando vejo pessoas vestindo algo da Gucci combinado com um Ms Min, Masha Ma, by FANG ou Huishan Zhang. Hoje há um orgulho na China e isso representa uma oportunidade para as marcas do país.

Forbes: Quem são as suas inspirações? Por que é importante ser um modelo e o que é um exemplo para você?

Chloé Reuter: Eu sempre fui atraída por mulheres fortes. Minha mãe é uma inspiração incrível. Ela é psicóloga e sempre trabalhou. Ela me deu muita confiança. Eu também tenho um monte de super amigos – homens e mulheres que me inspiram.

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Kresse Wesling é um deles. Ela tem um negócio em que transforma lixo em luxo, que começou quando viu a Brigada de Incêndio de Londres incendiando aterros sanitários e decidiu fazer algo sobre isso. Atualmente, ela é reconhecida em todo o mundo por transformar resíduos em belos produtos. Kresse é tão humilde e discreta como na época em que estudamos juntas no United World College em Hong Kong.

A designer Diane von Furstenberg é outra amiga. Eu sou muito grata a ela. Eu a conheci quando comecei minha empresa, e ela foi incrivelmente solidária e me apoiou muito. Muitas pessoas foram absolutamente generosas e maravilhosas com conselhos e conexões.

Michelle Garnaut, em Xangai, é outro exemplo. Ela administra um dos restaurantes mais emblemáticos da cidade, o M on the Bund, mas o utiliza como plataforma para apoiar iniciativas importantes, como a organização Educating Girls in Rural China, Mentor Walks (Speed ​​Mentoring for Women) e The Renewal Center. Uma das minhas principais áreas de foco em 2019 será como nós, como empresa, podemos nos envolver mais com as causas nas quais acreditamos.

Ficarei muito feliz se puder inspirar as pessoas. Eu não acho que me leve muito a sério. No geral, acho que sou bastante acessível. Se puder inspirar alguém a ir longe e fazer o que quiserem em sua vida, então a missão será cumprida! Carpe Diem!

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