“Três quartos dos CEOs não têm as habilidades certas”

Divulgação
David Blake durante palestra em São Paulo

O grande desafio das empresas é promover o match entre as habilidades e os talentos que sua força de trabalho possui e aqueles que são necessários no acelerado mercado atual. Mais do que um bom diploma universitário e especializações, a habilidade de reconhecer os próprios talentos e continuar aprendendo coisas novas é o que faz a diferença nas empresas mais inovadoras. O tema é o centro do livro “The Expertise Economy“, dos especialistas em gestão Kelly Palmer e David Blake, ainda sem edição no Brasil. Blake esteve no país em novembro para palestrar em um evento de gestão e falou com a FORBES.

FORBES – Na introdução do livro, você afirma que o conhecimento prático será determinante para as empresas serem bem-sucedidas. Que talentos as empresas procuram?

David Blake – As carreiras estão mudando em uma velocidade cada vez maior. Foi-se o tempo em que um executivo trabalhava na mesma empresa por décadas. Hoje as lideranças que se mantêm no topo são justamente aquelas que permanecem em aprendizado contínuo e que se destacam pelas chamadas soft skills, as habilidades subjetivas, comportamentais.

Quais são as soft skills mais importantes?

Comunicação, liderança, gestão, poder de análise, empatia. Essas são as principais habilidades que as empresas estão lutando para encontrar em seus profissionais. Pesquisas que fiz para o livro mostram que três quartos dos CEOs globais não têm as habilidades corretas para os cargos que ocupam. Essa lacuna de habilidades é o que ameaça as empresas. A solução seria as empresas começarem a inventariar seus talentos. Mas para isso precisam, em primeiro lugar, refletir sobre quais são as habilidades primordiais para sua sobrevivência.

O mesmo vale para novos negócios? Entre tantas ideias inovadoras, o que é preciso para um empreendedor ser bem-sucedido?

Em 2012 fundei a Degreed, uma plataforma de aprendizado corporativo que usa inteligência artificial e ciência de dados para que todos possam aprender de forma inteligente e rápida. Antes já havia passado por duas startups, e a lição é a mesma: como empreendedor, você acumula funções – tem de cuidar da execução, mostrar sua empresa ao mercado, fazer a comunicação. Você e seu sócio terão de se ocupar disso tudo, mesmo sem ter todas as habilidades. Então reforço: tanto o empreendedor quanto o CEO de sucesso são aqueles que se dedicam ao aprendizado contínuo.

Reportagem publicada na edição 64, lançada em janeiro de 2019

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