Presidente da DuPont fala sobre o breve “relacionamento” com a Dow

Renato Pizzutto
Zacarias Karacristo, presidente da DuPont Brasil, e Claudia Jañez, presidente latam

Depois de uma recente e globalmente noticiada separação – após um casamento de US$ 130 bilhões –, Claudia Jañez, presidente da DuPont para o México e América Latina (da qual o Brasil é carro-chefe), foi eleita pela Forbes mexicana como uma das cem mulheres mais poderosas daquele país. Formada em direito (com menção honrosa) e com passagens pela Pepsico e GE, seu currículo é engrossado pelo cargo de presidente do Consejo Ejecutivo de Empresas Globales (CEEG), que assumiu em janeiro. O conselho, que pela primeira vez tem uma mulher no comando, reúne 51 organizações que, juntas, representam 40% dos investimentos estrangeiros diretos e 10% do PIB mexicano – seu objetivo é fomentar o diálogo entre governo, empresas e sociedade civil para tornar o país “mais competitivo, mais produtivo e mais igualitário”. Em 2018, o cargo de comandante da DuPont para América Latina (que ocupa desde dezembro de 2017) já havia rendido a Claudia sua primeira aparição na lista das mulheres poderosas.

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O divórcio

Em abril, Dow e DuPont anunciaram o fim do processo de separação da DowDuPont – a união das duas centenárias multinacionais do setor químico foi anunciada em 2015 e efetivada em 2017, dando origem ao maior conglomerado de produção de agrotóxicos e sementes do mundo, avaliado nos US$ 130 bilhões citados no início do texto. A fusão envolveu a troca de ações e um plano de corte de custos bilionário.

Em comunicado ao mercado, a primeira informou: “A Dow está agora em melhor posição para promover o crescimento das receitas e apostar na inovação junto dos seus clientes, tirando partido de três elementos-base críticos – etileno, propileno e silicones – para impulsionar um dos portfólios de produtos químicos mais avançado da indústria”.

O casamento gerou uma filha, a Corteva, voltada ao setor agrícola (proteção de cultivos e sementes) e com escritórios regionais em Calgary (Canadá), Joanesburgo (África do Sul), Genebra (Suíça), Singapura e Barueri (Brasil). As ações ordinárias da Corteva começam a ser negociadas no dia 3 de junho na Bolsa de Nova York pelo preço inicial de US$ 26,50.

Claudia Jañez recebeu a Forbes no escritório em Alphaville (Barueri) ao lado de Zacarias Karacristo, presidente da DuPont Brasil. Formada em direito e com mais de 20 anos de experiência em empresas globais, ela vai intensificar a rotina de viagens pelas unidades espalhadas no continente, especialmente ao Brasil (sua base fica na capital mexicana), com a missão de “transmitir a nova cultura” da empresa. “A DuPont é uma companhia de 216 anos (82 no Brasil). Nessa trajetória enfrentou muitas dificuldades, muitas barreiras. Agora, depois de uma das maiores fusões da história de Wall Street, estamos prontos para sermos independentes novamente.”

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Forbes – A decisão da separação já estava tomada desde o início ou foi consolidada durante o processo?

Claudia Jañez – No mesmo dia que foi anunciada a fusão, em dezembro de 2015, também foi anunciada a perspectiva de separação depois de atingidos os objetivos.

Forbes

F: Quais eram esses objetivos?

CJ – O principal era alinhar os portfólios focando nas especialidades de cada uma. A ideia da fusão era construir três empresas muito fortes e alinhadas em suas estratégias, cada uma com sua vocação de mercado. Essa simplificação deu, inclusive, mais clareza aos investidores.

Zacarias Karacristo – São duas empresas enormes no mundo inteiro, conglomerados que mantêm uma atuação muito forte em várias áreas de negócios: química, agricultura, ingredientes para alimentos… Daí veio a ideia da fusão – e também da separação –, já pensando em três negócios um pouco menores, mas bem mais focados, buscando mais agilidade em cada um deles. Nesse curto período, isso acabou resultando numa redução de custos da ordem de US$ 3 bilhões para o grupo.

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F – Qual é a expectativa da “nova” DuPont para o Brasil?

CJ – Queremos continuar crescendo e gerando empregos para os brasileiros, estamos investindo em uma nova sede, em laboratórios, em inovação [globalmente, a DuPont investiu US$ 900 milhões em P&D em 2018 – a empresa é inventora da lycra, do náilon, do teflon e do kevlar, entre outras patentes] e trazendo as melhores tecnologias desenvolvidas em outras partes do mundo.

ZK – Nosso foco agora é juntar todo mundo – a parte de escritórios e de laboratórios de aplicação – no edifício novo [um prédio de 21 mil metros quadrados de área útil que deve ser concluído em 2020 a poucos quilômetros de distância do endereço atual, no município de Barueri, na Grande São Paulo]. Hoje temos vários laboratórios espalhados pelo Brasil. Eles estão ansiosos para trabalharem juntos.

CJ – Somos muito fortes no Brasil, especialmente no setor automotivo [fornecendo polímeros especiais, material que tende a ser mais consumido com o crescimento da frota de carros elétricos e híbridos, que procuram maior redução de peso]. Queremos seguir assim.

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