6 dicas para inovar no mercado brasileiro

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Desafios da inovação no Brasil passam pelo cenário econômico, político e fiscal a entraves burocráticos

Resumo:

  • Apenas uma das 100 companhias mais inovadoras do mundo é brasileira;
  • Brasil possui a pior colocação entre os Brics no Índice Global de Inovação;
  • Burocracia, questões fiscais, capital disponível, instabilidade política e mudanças tecnológicas aceleradas em âmbito global são considerados grandes obstáculos para a inovação no Brasil;
  • Setor privado tem papel essencial no processo de inovação no atual cenário brasileiro;
  • Buscar parcerias com grandes empresas é um caminho de dupla vantagem no quesito integração e inovação.

Segundo o ranking de Empresas mais Inovadoras do Mundo publicado pela Forbes em maio de 2018, apenas uma das 100 companhias campeãs em inovação é brasileira, a Cielo, na 74ª posição. O resultado diz muito sobre o ponto em que estamos enquanto nação continente e longo caminho que deve ser percorrido a passos largos para buscar integração em nível global.

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O cenário é pouco estimulante. Apesar da Lei da Inovação sancionada em 2004 com o intuito de estimular o ecossistema inovador público e privado ter ganhado mais autonomia com o Marco Regulatório da Inovação em 2016, o país ainda enfrenta grandes obstáculos no que diz respeito à burocracia e fomento.

Desafios

A recente crise econômica global que atingiu o país resultou em cortes de investimento no setor de pesquisa e desenvolvimento. Dados do Global Innovation Index (Índice Global de Inovação) apontam queda do Brasil de 19 posições no ranking entre 2011 e 2019 — na 66ª colocação da lista, a pior entre os Brics, o país atualmente investe 1,27% em pesquisa e desenvolvimento.

Para Humberto Pereira, presidente da Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras), os desafios passam pelo cenário econômico, político e fiscal brasileiro a entraves burocráticos. “Além da burocracia, existe uma dificuldade grande que é o nosso ambiente econômico que reflete em cortes no setor de pesquisa, ciência e tecnologia. É evidente que estamos passando por uma dificuldade fiscal e, quando circunstancial, essa diminuição de investimento é compreensível”.

Segundo Ezequiel Zylberberg, pesquisador do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), a instabilidade política possui grande peso no desenvolvimento da inovação. “A inovação requer uma visão de longo prazo manifestada em políticas estáveis ​​e focadas. Essa abordagem orientada a missões foi empregada com sucesso para resolver grandes problemas sociais no passado – como o programa Proálcool e a automação bancária nos anos 80, por exemplo. A prática de ocupar cargos de gabinetes com base em decisões mais políticas do que técnicas pode afetar o desenvolvimento”. Zylberberg conclui: “Programas de desenvolvimento exigem estabilidade, visão de longo prazo e isolamento da política, eles geralmente são bem-sucedidos quando implantados às margens — em empresas estatais ou fora do alcance do governo federal”.

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Outro grande desafio para a inovação no país é o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas digitais em escala global. Buscar o investimento de tecnologias se torna essencial para as relações e integração com as cadeias globais.

Caminhos de inovação para o país

Em seu livro de coautoria “A Indústria Brasileira e as Cadeias Globais de Valor” Zylberberg identificou cinco áreas que devem ser abordadas pelo Brasil para acelerar efetivamente a inovação e se posicionar para o crescimento no século 21. Veja a seguir:

  • O país deve fortalecer seu envolvimento com o resto do mundo por meio de cadeias globais de valor e redes de conhecimento. Isso se torna mais urgente com a chegada de um conjunto de tecnologias digitais de movimento rápido, complexo e globalmente integrado.
  • Deve promover um maior alinhamento entre inovação e política industrial, alavancando iniciativas que visam aumentar a capacidade de desenvolver o setor inovador e assim criar caminhos para a base industrial. Esse desafio é aumentado pelas rápidas mudanças nas prioridades políticas do país sob a ótica da alta rotatividade administrativa, bem como pelos mecanismos institucionais limitados para promover a coordenação política.

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  • O Brasil abriga várias inovações institucionais novas e promissoras que incentivam maiores gastos privados em P&D — como o modelo Embrapii, a rede nacional de institutos de inovação do Senai e os Centros de Pesquisa em Engenharia da Fapesp. Esses projetos precisam ser fortalecidos e explorados para garantir o desenvolvimento.
  • É preciso fazer mais para minimizar a burocracia, criar os incentivos certos e promover um ambiente favorável à tomada de riscos, a fim de criar maior capacidade de produção acadêmica nas universidades. Patentear novas tecnologias não pode ser visto como um fim em si mesmo, mas como um meio valioso de trazer novas soluções ao mercado e impacto social.
  • Diferentemente dos esforços anteriores, que espalharam recursos escassos de maneira muito ampla, é preciso haver iniciativas mais direcionadas para promover setores e tecnologias estratégicos nos quais o país possa competir globalmente. Enquanto o grande mercado brasileiro fornece um importante trampolim para novidades em produtos e serviços, é o mercado global que ajuda a criar empresas competitivas.

A inovação nas mãos do setor privado

Zylberberg ressalta que “é importante observar que a inovação ainda ocorre sem financiamento público direto. Por exemplo, as empresas do setor têxtil e vestuário do Brasil foram inovadoras no desenvolvimento e adoção de modelos de negócios que se ajustam à realidade do mercado brasileiro, bem como no ajuste às tendências do mercado que lhes permitem trazer novos produtos. A inovação não é menos valiosa quando é nova apenas um mercado específico, mas não no resto do mundo”. E completa: “A inovação sem financiamento público para ciência e tecnologia é possível. Mas é provável que ela seja impulsionada pela atração do mercado e não para o desenvolvimento”.

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Para Humberto Pereira, além do desenvolvimento em pesquisa e tecnologia, existem outras formas de promover inovação que não necessariamente envolvem a criação de novas soluções produtos e serviços com alto grau de investimento, mas que são igualmente carências identificadas. “Um novo modelo de negócio, de se relacionar com as cadeias de produção, cliente e fornecedores podem ser estratégias inovadoras com alto impacto na produtividade e qualidade do produto ofertado”. Em um cenário com necessidade cada vez mais específicas e demandas personalizadas, adequar-se ao cliente com a promoção de bom relacionamento, fornecimento e logística é uma saída para se manter competitivo.

Veja, na galeria de imagens a seguir, 6 formas de inovar no mercado brasileiro:

  • 1. Estabeleça parcerias com grandes empresas

    Uma alternativa para os pequenos e médio negócios é trabalhar em conjunto com as grandes companhias. A relação é benéfica para ambos e pode resultar em novas tecnologias, produtos e retornos financeiros para os envolvidos.

  • 2. Não tenha medo da competitividade

    Segundo Zylberberg, ambientes de mercado competitivos estimulam a inovação. Aprimorar um produto presente no mercado para que ele se ajuste melhor às necessidades do consumidor é uma forma de melhorar qualidade do que é ofertado, desenvolver novas soluções e melhorar a receita.

  • 3. Mercados promissores podem ser uma opção

    Setores promissores são os que caminham rumo ao desenvolvimento e que representam grande importância econômica para o país. Para Zylberberg, os mercados potenciais brasileiros são os que envolvem vantagens comparativas pela disponibilidade e cultura, como tudo que envolve recursos naturais, cosmético, agricultura, automação financeira, petróleo, gás, tecnologia aeroespacial e medicamentos genéricos. “Na maioria dos casos, os setores bem-sucedidos do Brasil surgiram domesticamente por uma necessidade específica e um conjunto de capacidades. Por exemplo, a urgência em buscar combustíveis alternativos após a crise do petróleo na década de 1970”.

  • 4. Busque alternativas de baixo custo

    O cenário econômico instável junto à crise fiscal faz do mercado brasileiro um player pouco atrativo para novos investimentos robustos. Apostar em soluções e inovações que envolvem aportes menores ou resultam em um produto final com preço praticável – seja no setor B2B ou B2C — pode se uma saída para promover inovação escalonável.

  • 5. Escolha a tecnologia e estratégia e em seguida identifique a carência do seu mercado

    Cada negócio possui suas capacidade, restrições e recursos distintos. Respeite a limitação da sua proposta comercial e, dentro disso, desenvolva soluções e trace estratégias naturais para o seu negócio. Em seguida, identifique as necessidades do seu mercado e adeque sua solução. Lembre-se: suas necessidades e restrições podem ser uma característica em comum com seus clientes. Saber identificá-las e oferecer o que melhor se adequa respeitando o poder de compra e venda é a verdadeira disrupção.

  • 6. Ative o modo startup

    O modelo de produção proposto pelas startups visa oferecer uma única solução implantada de forma rápida e ágil e possível de ser escalonada — multiplicada. Esse tipo de negócio permite o foco e aprimoramento de um produto e serviço de forma eficiente, rentável e com investimentos consideravelmente baixos.

1. Estabeleça parcerias com grandes empresas

Uma alternativa para os pequenos e médio negócios é trabalhar em conjunto com as grandes companhias. A relação é benéfica para ambos e pode resultar em novas tecnologias, produtos e retornos financeiros para os envolvidos.

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