Gigante farmacêutica Perrigo aposta em biotecnologia no combate ao fumo

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As gigantes farmacêuticas estão procurando na cannabis a porta de entrada para o combate ao fumo

Resumo:

  • A Perrigo se aliou à Witi, fabricante de dispositivos de vaporização tecnológicos e com fins medicinais, e está apostando no desenvolvimento de tecnologia para combater o fumo;
  • Os especialistas querem entregar um produto que facilite a processo de parar de fumar ao se adaptar à vida de cada cliente;
  • Empresas como Merck, Johnson & Johnson, Sanofi e Pfizer já se aventuraram no mercado de cannabis e medicamentos botânicos.

Outra grande farmacêutica está começando a explorar o mercado de cannabis e medicamentos botânicos. Desta vez, é a Perrigo, negociada na bolsa de valores de Nova York, fabricante de produtos de saúde e bem-estar vendidos sem receita, avaliada em mais de US$ 7 bilhões.

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De acordo com informações obtidas exclusivamente, a gigante farmacêutica está em parceria com a Witi, uma empresa focada na produção de dispositivos de vaporização de grau médico, alimentados por inteligência artificial, para cannabis e outros medicamentos botânicos. De acordo com o contrato, a Perrigo licenciará o IP de hardware e software da Witi para aplicar no desenvolvimento de um novo produto projetado para que as pessoas deixem de fumar cigarros e/ou tabaco.

Em uma conversa exclusiva, James Dillard, vice-presidente executivo e diretor científico da Perrigo, explicou que “sete em cada dez fumantes dizem que querem parar, mas não é fácil abandonar o hábito de uma vez por todas”.

De fato, pesquisas atuais sugerem que podem ser necessárias até 30 tentativas para uma pessoa conseguir parar de fumar. “No entanto, um forte programa de interrupção do tabagismo gera taxas de sucesso de até 40%”, acrescentou. “A Perrigo está comprometida em ajudar os fumantes que desejam abandonar o hábito por meio de nosso portfólio diversificado de produtos e soluções, projetados para atender às necessidades de cada indivíduo.”

Conforme explicado pelo diretor científico, o relacionamento da Perrigo com a Witi é baseado no compromisso compartilhado de ajudar as pessoas a parar de fumar por meio de soluções personalizadas para as necessidades de cada um.

Proibido fumar

Esta não é a primeira incursão da Perrigo no assunto de terapia de reposição de nicotina (TRN). De fato, a empresa já oferece um amplo portfólio de soluções para parar de fumar, incluindo adesivos, pastilhas e resinas.

“Dadas as controvérsias atuais sobre os produtos SESN [Sistemas Eletrônicos sem Nicotina], acreditamos que existe uma oportunidade para os consumidores terem acesso a um sistema desse tipo que seja seguro, eficaz e tenha sido aprovado pelas autoridades reguladoras apropriadas”, explica Dillard em comunicado publicado na semana passada. “A Perrigo é a empresa certa para trabalhar com órgãos reguladores como o FDA, devido ao nosso portfólio exclusivo de produtos TRN. Após uma análise diligente, estamos entusiasmados em fazer parceria com a tecnologia da Witi para desenvolver um dispositivo que atenda às necessidades exclusivas de fumantes e usuários de vaporizadores que desejam parar”.

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Para concluir, Ramon Alarcon, fundador e CEO da Witi, explica como seus produtos podem ajudar na interrupção do tabagismo: tudo se resume ao suporte.

“Nossa tecnologia inteligente, desenvolvida com protocolos de dosagem e segurança, é uma opção natural para a interrupção da nicotina porque leva em conta fatores altamente individualizados, como estilo de vida, horários e até ‘dias ruins’. Em vez de uma prescrição que tenta englobar todos os casos, a abordagem adaptativa da Witi fornece dosagens inteligentes capazes de fornecer uma solução poderosa para a gama de gatilhos de consumo de nicotina”.

Uma tendência crescente

A Perrigo não é a primeira grande empresa farmacêutica a fazer uma incursão no assunto cannabis.

No início deste ano, a Teva Pharmaceuticals assinou um acordo com a empresa de cannabis medicinal Canndoc para distribuir seus produtos a clientes farmacêuticos, incluindo hospitais, organizações de manutenção da saúde e todas as farmácias em Israel. Na verdade, a Teva lida com empreendimentos que tratam cannabis desde 2016, quando concordou em distribuir um inalador de maconha medicinal em Israel. O dispositivo demorou mais de dois ano e meio para ser liberado e lançado, finalmente chegando ao mercado em junho de 2019.

Outros gigantes farmacêuticos no setor de cannabis incluem a Novartis, que tem um acordo de desenvolvimento e distribuição com a Tilray, e a Johnson & Johnson, que começou a fazer experimentos na área dos canabinoides.

Em 2017, a incubadora da empresa, JLABS (localizada em Toronto, no Canadá), admitiu uma companhia de pesquisa de biotecnologia canabinoide em seu programa.

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Além desses acordos, alguns outros gigantes farmacêuticos divulgaram que estão conduzindo exames clínicos relacionados ao canabinoide nos Estados Unidos e no Canadá. Entre os líderes em termos de testes registrados estão Sanofi, Pfizer e Merck. Quanto às patentes relacionadas a cannabis nos Estados Unidos, a Abbvie se destaca como pioneira.

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