Por que famílias devem administrar seus patrimônios como se fossem negócios

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Mudanças de hábitos são essenciais para manter o lucro da venda de uma empresa

Resumo:

  • Negócios familiares são grandes detentores de patrimônio líquido;
  • Gestão de riqueza é fundamental para que ela não diminua depois da terceira geração familiar;
  • A principal mudança deve ser no comportamento, já que é preciso saber onde investir e ter a consciência que o dinheiro não lucrará na conta bancária pessoal.

O número de pessoas com grande patrimônio líquido está crescendo. Uma porcentagem considerável desse grupo é composto de famílias empreendedoras que criaram riqueza desenvolvendo seus negócios. Para a maioria, há um contraste distinto entre como eles administram seus negócios e sua riqueza.

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O que é alarmante é que os próprios empresários passam anos profissionalizando seus negócios e gerando riqueza. Porém, prestam menos atenção em proteger seu patrimônio pessoal depois de vender as empresas.

Fatores internos e externos podem acabar causando a derrocada da riqueza de uma família. Eles incluem falta de planejamento estratégico, visão multi-geracional de longo prazo e desenvolvimento de propósitos; fragmentação de herança, excesso de riscos e más decisões de investimento; disputas familiares não resolvidas; e divisão, inflação, tributação, falha no desenvolvimento do espírito empreendedor através das gerações são alguns deles. Bem como uma separação falha entre negócios e riqueza pessoal.

Apesar do amplo axioma da “Regra da riqueza de três gerações”, uma perda total de riqueza pela terceira geração não precisa ser inevitável. Mas, se a riqueza continuar a crescer e sobreviver pelas gerações, ela deve ser gerenciada como um negócio.

O que significa gerenciar riqueza como um negócio?

Famílias proprietárias de grandes negócios, normalmente são muito engajadas, tanto emocionalmente como fisicamente, nas empreitadas. Depois que essas empresas são vendidas, a riqueza familiar, em números reais, permanece a mesma. A única diferença é que, em vez de possuir negócios físicos com valores monetários específicos, as famílias mantêm as quantias em suas contas bancárias. Ainda assim, de acordo com Jan van Bueren, cofundador e diretor-gerente do FOSS Family Office Advisory da UBP, os procedimentos são diferentes.

Gerenciar esses ativos não precisa, por exemplo, da presença diária. O que acontece é uma mudança de mindset de “vamos gerir um negócio” para “vamos aproveitar décadas de trabalho duro”. Mesmo quando as famílias resolvem ativamente manejar seu patrimônio, falta a elas conhecimentos em investimentos públicos e privados. Então, o que fazer?

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A resposta está nas famílias que abordam o gerenciamento de patrimônio da mesma maneira que administravam seus negócios físicos. Segundo van Bueren, uma dedicação semelhante e uma abordagem estruturada, replicando alguns processos usados, podem ser benéficos. Essas atividades incluem, entre outras, definição de objetivos claros, organização de um orçamento adequado, elaboração de estratégias, realização de reuniões regulares, obtenção de conselhos de consultores de alta qualidade, monitoramento profissional do desempenho e manutenção do controle sobre vários aspectos do gerenciamento de patrimônio.

Os resultados são diferentes, mas, ainda assim, comparáveis.

Gestão profissional

A maioria das pessoas acredita que a profissionalização do gerenciamento de fortunas só é necessária quando sua riqueza atinge magnitudes dignas do estabelecimento de escritórios familiares. No entanto, van Bueren pensa que “isso começa com um nível muito mais baixo de riqueza”.

Para começar nesta jornada, o especialista recomenda que as famílias dediquem mais tempo ao tópico e definam seus objetivos. Ele acrescenta que “definir o propósito da riqueza e elaborar uma declaração de política de investimento (IPS) são bons exemplos de uma abordagem empresarial mais estruturada, que famílias com fortunas menores podem implementar e se beneficiar”. Ele continua: “Para qualquer um com um patrimônio, faz sentido investir tempo na compreensão dos princípios básicos do investimento e obter um nível de controle sobre sua situação”.

Desafios

Como administrar qualquer organização, gerenciar a riqueza não deixa de ter seus desafios. Embora muitos paralelos possam ser traçados entre a condução de uma empresa e gerir o patrimônio, é preciso de um conjunto de habilidades e uma abordagem diferentes das de uma empresa real. Isso independe do tamanho da riqueza.

A maioria dos empresários possui alto nível de percepção de todos os aspectos da operação. Isso inclui desde o seguro da empresa até a manutenção necessária em máquinas, edifícios ou redes de TI, bem como os custos associados. Cada detalhe é contabilizado e planejado.

Van Bueren afirma que, quando se trata de planejamento de sucessão, cobertura de seguro ou mesmo o custo total de sua riqueza, a maioria das famílias não sabe todas as respostas. Não saber pode levar a “aprender a perder”, se alguém não seguir a abordagem correta.

Para superar esses desafios, ele recomenda que todas as famílias ricas reservem um tempo para se informar sobre as melhores práticas. Em seguida, eles devem dar um passo atrás e refletir sobre seus próprios níveis de conhecimento e competência. Ao fazer isso, é preciso estar ciente de que os núcleos familiares são diferentes dependendo do tamanho da fortuna que administram. Um bom exemplo a esse respeito é o patrimônio privado.

Com base nas ideias obtidas durante esses processos, estratégias podem ser desenvolvidas e decisões corretas de gerenciamento de patrimônio podem ser tomadas. Ao obter um nível adequado de conhecimento, pode-se evitar erros.

Gerenciar a riqueza como um negócio é um processo contínuo que evolui continuamente à medida que são feitas melhorias. Para muitas famílias ricas, isso continua sendo um desafio, pois é necessária uma mudança de mentalidade para passar da administração de empresas familiares para a administração de patrimônio familiar com sucesso. Ainda assim, essa transformação é vital para a preservação da riqueza.

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