5 bilionários que representam o legado do empreendedorismo negro

18 de fevereiro de 2020
gettyimages-JasonKoerner

Nos últimos anos, o número de empresas de propriedade negra aumentou, com as mulheres alimentando grande parte desse crescimento

Os afro-americanos desempenharam um papel profundo na formação do cenário de negócios dos EUA. Inovações tecnológicas como semáforos, portas automáticas de elevadores e até identificadores de chamadas surgiram de suas mentes criativas.

Para honrar suas conquistas, a Forbes conversou com vários fundadores, investidores, ativistas, celebridades e especialistas do meio. O que emergiu dessa conversa foi um retrato rico e complexo do empreendedorismo negro, que destaca a tremenda criatividade da comunidade e a resiliência que nasceu, em parte, das dificuldades e necessidades.

Historicamente, empresas de propriedade de negros, como a linha de cuidados com os cabelos de Madam C.J. Walker e as empresas que formaram na cidade de Tulsa a Black Wall Street de Oklahoma, foram desenvolvidas em resposta direta à discriminação racial. “Esses padrões de segregação criaram oportunidades de mercado para os empreendedores negros entrarem, ganharem dinheiro e atenderem às demandas de sua comunidade”, diz Mehrsa Baradaran, autora de “The Color of Money: Black Banks e Racial Wealth Gap” (“A Cor do Dinheiro: Bancos Negros e a Desigualdade Racial”, em tradução livre). Com poucas oportunidades de trabalho e alta instabilidade no emprego, muitos pioneiros resolveram o assunto por conta própria, construindo pequenas empresas que serviam e empregavam colegas afro-americanos.

A longa história de empreendedorismo da comunidade negra é marcada por fluxos. A era da reconstrução, período após a Guerra Civil, viu um aumento acentuado no número de empresas de afrodescendentes, à medida que o país tentava corrigir algumas das desigualdades da escravidão. Mas no final do século 19 e início do século 20, o ressurgimento das leis de Jim Crow que impõem a segregação racial e a Grande Depressão levaram o empreendedorismo negro ao declínio. “Os negócios deles foram redirecionados e vimos uma reversão em muitos dos avanços que foram feitos anteriormente”, diz Tiffiany Howard, uma empreendedora do Congressional Black Caucus Foundation.

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A taxa de criação de empresas negras continuou em desequilíbrio ao longo dos séculos 20 e 21, aumentando nos anos 1990, caindo durante a recessão de 2008 e subindo novamente após seu final. Nos últimos anos, o número de empresas de propriedade negra aumentou dramaticamente, com as mulheres alimentando grande parte desse crescimento. Em 2003, Oprah Winfrey, sem dúvida a empresária mais notável da classe, tornou-se a primeira bilionária americana negra. E só nos últimos cinco anos outros quatro afro-americanos chegaram ao escalão bilionário.

Mas, mesmo com esse impulso, os empreendedores negros ainda enfrentam uma série de desafios: principalmente a falta de acesso ao capital, diz Ron Busby, presidente da organização U.S. Black Chambers. “Temos perspicácia, criatividade, conhecimento e até mão de obra. Mas, sem acesso ao capital, nossas ideias são paralisadas, roubadas ou manipuladas. ”

Muitos dos negros da lista 30 Under 30 2020 anos ecoam sentimentos semelhantes em entrevistas francas em vídeo para a Forbes, mas também observam a capacidade coletiva da comunidade negra de perseverar contra todas as probabilidades. E, em um esforço para nivelar o campo de atuação dos empreendedores negros, várias empresas e líderes empresariais afrodescendentes criaram fundos para investir em companhias pertencentes a minorias. O magnata imobiliário Don Peebles anunciou um fundo de US$ 500 milhões para minorias emergentes e do sexo feminino em junho de 2019, e bancos como JPMorgan e Citigroup lançaram iniciativas e fundos de investimento para apoiar empreendedores sub-representados.

Ainda há muito a ser feito nos setores público e privado. “Para que haja uma grande América, precisamos de uma grande América negra”, diz Busby. “E para que isso aconteça, você deve ter uma economia movimentada por essas pessoas”.

Se a história seguir o caminho certo, o empreendedorismo negro continuará a crescer e prosperar nos próximos anos – um benefício econômico para todos os americanos.

Veja na galeria de imagens a seguir 5 bilionários negros que são grandes representações no mundo dos negócios: 

Robert F. Smith Smith, fundador e CEO da Vista Equity Partners, ganhou as manchetes norte-americanas em 2019 quando prometeu pagar empréstimos estudantis para toda a turma de formandos da Morehouse College. Ele fez sua estreia bilionária na Forbes em 2015, com um patrimônio líquido de US$ 2,5 bilhões. Patrimônio líquido atual: US$ 5 bilhõesmore
David Steward Certa vez, Steward assistiu seu carro sendo confiscado no estacionamento do escritório. Hoje, ele é o bilionário fundador e presidente do provedor de TI World Wide Technology, uma das maiores empresas de propriedade negra dos Estados Unidos. Em 2018, a Forbes o nomeou bilionário com um patrimônio líquido de US$ 3,4 bilhões. Patrimônio líquido atual: US$ 3,5 bilhõesmore
Oprah Winfrey A gigante da mídia começou sua carreira no setor de entretenimento e notícias, transformando seu talk show em um império de negócios. A Forbes a listou pela primeira vez como bilionária em 2003, com um patrimônio líquido de US$ 1 bilhão. Patrimônio líquido atual: US$ 2,7 bilhõesmore
Michael Jordan Jordan não é apenas considerado um dos maiores jogadores da NBA, ele também é o atleta mais bem pago, graças à sua participação majoritária no Charlotte Hornets e ao contrato com a Nike. Jordan foi apresentado pela primeira vez como bilionário da Forbes em 2015, com um patrimônio líquido de US$ 1 bilhão. Patrimônio líquido atual: US$ 1,9 bilhãomore
Jay-Z Nas palavras de Jay-Z, "eu não sou um homem de negócios. Sou meu próprio negócio". Desde que chegou ao cenário do hip-hop, há mais de 25 anos, o rapper criou uma fortuna de US$ 1 bilhão que abrange marca de bebidas, arte e imóveis. Ele apareceu pela primeira vez na Forbes como bilionário em 2019. Patrimônio líquido atual: US$ 1 bilhãomore

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