Cemig adia investimentos e vendas de ativos em meio a pandemia

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Entre os ativos que a elétrica mineira ainda pretende vender estão uma participação na Light e na hidrelétrica de Belo Monte

A estatal mineira Cemig decidiu adiar parte dos investimentos previstos para 2020 e postergar negociações para venda de ativos devido a incertezas geradas pela pandemia de coronavírus e seus impactos sobre os mercados, disseram executivos da companhia em teleconferência hoje (18).

Com isso, os aportes da empresa de energia para este ano estão previstos agora em R$ 1,75 bilhão, queda de 13% ante os R$ 2 bilhões originalmente programados.

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O novo número leva em conta a postergação de R$ 168 milhões em investimentos em distribuição, R$ 17 milhões nos negócios em geração e R$ 81 milhões na área de transmissão.

Os menores desembolsos em distribuição, no entanto, devem ser compensados à frente, com preservação do total previsto anteriormente para aplicação no setor entre 2020 e 2022, segundo apresentação divulgada pela companhia.

Os efeitos do coronavírus sobre a economia brasileira e mundial ainda terão reflexos sobre o plano de venda de ativos da Cemig, que vinha buscando se livrar de negócios não essenciais para reduzir o endividamento, disse o diretor financeiro, Leonardo George de Magalhães.

“Entendemos que não é o momento adequado para falar de alienação de ativos nesse ambiente, apesar de a companhia manter seu programa de desinvestimentos”, afirmou.

Entre os ativos que a elétrica mineira ainda pretende vender estão uma participação na Light e na hidrelétrica de Belo Monte, entre outros.

Antes controladora da Light, que é responsável pela distribuição de energia na região metropolitana do Rio de Janeiro, a Cemig reduziu a fatia na empresa a 22,58% no ano passado, por meio de uma oferta secundária.

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A participação restante na elétrica fluminense foi classificada como “ativo mantido para venda” no balanço da Cemig e gerou um impacto negativo de 609 milhões de reais no primeiro trimestre, devido à desvalorização das ações no período.

Os papéis da Light recuaram cerca de 60% entre janeiro e março, em meio a uma queda na bolsa brasileira em geral e preocupações de investidores em relação aos impactos da pandemia sobre as operações da empresa.

Mas o diretor financeiro disse que a Cemig deve conseguir reduzir sua alavancagem em 2020 mesmo sem contar com vendas de ativos.

Ele destacou que a companhia já obteve R$ 100 milhões em reduções de custos e ainda espera ser beneficiada com medidas do governo para apoiar distribuidoras de energia.

O Ministério de Minas e Energia tem buscado viabilizar mais de R$ 10 bilhões em empréstimos às distribuidoras para ajudar as empresas a lidar com efeitos da Covid-19 sobre o mercado, como uma forte queda no consumo e a elevação da inadimplência.

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“Com a liquidez que já temos, mais o apoio do governo federal através dos empréstimos da Conta-Covid, e demais ações de redução de custos, vamos garantir redução de alavancagem da companhia mesmo que a gente não venda nenhum ativo nesse momento”, disse Magalhães.

Risco cambial

O diretor financeiro da Cemig também disse que a empresa pretende reduzir sua exposição cambial, após ter registrado perdas no primeiro trimestre devido aos impactos da dívida em moeda estrangeira.

Ele ressaltou, no entanto, que o atual momento de estresse nos mercados exige “parcimônia” nesse movimento.

“A administração da Cemig está atenta a essa questão e, passada a pandemia, vai tomar todas as ações necessárias para reduzir sua exposição cambial”, afirmou Magalhães.

Após duas emissões de eurobonds nos últimos anos, a Cemig registrou um efeito negativo de R$ 437,76 milhões no balanço do primeiro trimestre devido à dívida em moeda estrangeira, mesmo com instrumentos de hedge.

No mesmo período de 2019, o efeito combinado da dívida externa e do hedge para a empresa havia sido positivo em R$ 119,5 milhões.

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Os instrumentos financeiros utilizados pela Cemig para hedge da dívida em moeda estrangeira preveem proteção para valores do dólar entre R$ 3,45 e R$ 5. Os juros da operação estão fixados em 142% do CDI.

A Cemig registrou prejuízo de R$ 57 milhões entre janeiro e março, ante lucro de R$ 797 milhões no mesmo período de 2019, sob impacto da alta do dólar da desvalorização de sua fatia na Light´.

Se desconsiderados os efeitos não-recorrentes, a empresa controlada pelo governo de Minas Gerais teria registrado lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda ajustado) de R$ 1,365 bilhão, queda de 6,6% na comparação anual, segundo balanço divulgado na sexta-feira. (Com Reuters)

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