Startup arrecada US$ 87 milhões para investir em rede de satélites que vê através de nuvens

Iceye/Reprodução/Forbes
Iceye/Reprodução/Forbes

Cidade de Rovaniemi, na Finlândia, obtida pela imagem de um satélite da Iceye

A startup finlandesa Iceye já tem três satélites em órbita que fornecem imagens de radar de alta qualidade da superfície da Terra. Para seus clientes, essas imagens são valiosas porque elas permitem ver através das nuvens e são úteis independentemente da hora do dia em que são tiradas. Neste ano, a empresa pretende lançar mais quatro satélites e oito em 2021, impulsionados por um empreendimento da série C de US$ 87 milhões que a empresa anunciou na manhã de terça-feira (22).

Lançar novos satélites “vai abrir uma nova categoria”, explica Mark Matossian, CEO da subsidiária norte-americana da Iceye. Em uma situação de emergência, ser capaz de detectar mudanças na superfície terrestre em um curto período de tempo pode ser essencial para os clientes da startup, que incluem empresas de petróleo e gás, bem como várias agências governamentais.

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Os satélites da Iceye, que ela mesma fabrica, produzem um tipo de imagem que é chamado de “radar de abertura sintética” (SAR) em vez de uma câmera, e não dependem das condições atmosféricas e muito menos da iluminação solar. Usando as próprias trajetórias de vôo, os satélites da Iceye podem simular uma antena de radar grande. Isso permite que a empresa produza imagens nítidas em 2D e 3D. Quanto mais satélites houver em sua constelação, melhor será a nitidez.

As imagens de SAR da empresa são valiosas para diversas aplicações, incluindo resposta a desastres, aponta Matossian. Como exemplo, as imagens da Iceye foram usadas para monitorar acontecimentos como o rompimento de barragens em Michigan, o furacão Laura e os incêndios florestais que estão ocorrendo na Califórnia e no Oregon.

A Iceye foi fundada em 2012 como um projeto na Aalto University, na Finlândia, pelo CEO, Rafal Modrzewski, e pelo CSO, Pekka Laurila, que ajudou a desenvolver a tecnologia. A empresa lançou seus primeiros satélites em janeiro de 2018. Matossian, um veterano em vários projetos do Google por 13 anos, incluindo o antigo braço de satélite da empresa, Terra Bella, tornou-se CEO da subsidiária dos EUA em fevereiro de 2020.

Com a rodada de investimento de série C, a empresa já arrecadou um total de US$ 152 milhões. A captação foi liderada pela True Ventures e teve participação do capital de empresas como Newspace Capital, Space Angels e Seraphim Space. Outro investidor significativo foi a OTB Ventures, que contribuiu com US$ 30 milhões como parte de seus esforços para apoiar empresas espaciais europeias. “Graças à Iceye, a indústria de empresas espaciais na Europa está ficando mais forte”, disse o cofundador da OTB Ventures, Adam Niewinski, à Forbes.

A Iceye não é a única startup construindo novos satélites SAR, diz Chris Quilty, analista da indústria de satélites, mas, ao lado da Capella Space com sede em San Francisco, teve uma presença marcante na indústria. “A Iceye mudou um pouco mais rápido”, acrescenta. “Eles estão construindo uma presença e relacionamento governamental nos Estados Unidos.”

Da perspectiva de Martossian, a rodada ainda representa o início da capacidade e realizações da startup. “A Iceye está muito na parte íngreme da curva de inovação”, diz ele. “Não está nem perto de terminar.”

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