Como André Oliveira foi de vendedor de geladinho a proprietário da CredFácil

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Com um investimento inicial de R$ 10 mil, uma mesa, dois computadores e uma fachada, a CredFácil nasceu

Em Umuarama, interior do Paraná, o empresário André Oliveira iniciou o seu primeiro negócio. Naquela época, aos 11 anos, não era bem assim que ele chamava seu  trabalho, mas o plano de negócios improvisado já dava indícios de uma forte veia empreendedora. O objetivo era comprar um jogo de jarras que sua mãe desejava muito. Junto com o irmão, o menino decidiu então começar a vender geladinho na porta da escola da cidade.

“Minha família é muito simples e minha mãe sonhava com isso. Até então, a gente usava aqueles copinhos de molho de tomate, sabe?”, relembra Oliveira. Seus pais trabalhavam com costura e, em um determinado período de sua vida, ele ajudou no atendimento aos clientes. No entanto, quando pensou em presentear a mãe, ainda era uma criança e não tinha nenhuma fonte de renda, por isso teve que inovar. “Minha mãe fazia muito geladinho, então eu e meu irmão pegávamos como se fosse para gente, colocávamos no isopor de pesca do meu pai e íamos vender na rua.”

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Embora tivessem se dedicado à tarefa com afinco, a data do aniversário da mãe estava se aproximando e ainda faltava um valor significativo para comprar o presente. “Na hora pensamos: não vamos conseguir. Decidimos mudar a estratégia: passamos a sair mais cedo de casa e vender em mais pontos da cidade.” O resultado do empenho extra foi quase instantâneo: no final daquele mesmo dia, os garotos conseguiram arrecadar o dinheiro necessário. “Lembro de voltarmos andando para casa com um pacote vermelho e um laço bem bonito. Foi aí que percebemos que vender geladinho dava muito certo”, conta, emocionado.

Apesar da missão cumprida, os irmãos continuaram vendendo o produto por alguns anos, até que seguiram caminhos profissionais diferentes. Oliveira trabalhava como office boy quando começou a ler livros de empreendedorismo na biblioteca da escola e se encantou pela gama de oportunidades do mundo dos negócios. O sonho de fundar uma empresa nasceu: tudo que ele precisava era traçar um plano de negócios tão organizado quanto o da venda de geladinhos. “A primeira coisa que pensei foi em fazer uma faculdade de administração, mas eu não tinha muito dinheiro. Foi aí que comecei a vender pães caseiros e revender produtos da Avon.”

Os pães eram feitos pela mãe da sua namorada na época – agora esposa – e foram imprescindíveis para que ele conseguisse sobreviver aos cinco anos de curso. “Era muito apertado. Na hora do intervalo eu não tinha dinheiro nem para comer. Me perguntavam se eu estava com fome e eu dizia que não. Mas nunca perdi o foco nos estudos”, lembra. Após  anos de luta, finalmente Oliveira sentiu o rumo de sua vida mudar. Conseguiu emprego na antiga Finasa, promotora de crédito do Banco Bradesco, como operador de financiamento de veículos. Naquele ambiente, lembrou de um sonho que tinha tido na adolescência: ter o seu próprio banco.

O SONHO VIRA REALIDADE

“Um dia, quando eu tinha 17 anos, eu estava na frente do Bradesco e parei para olhar os gerentes entrando e saindo de terno e gravata. Achava aquilo muito bonito e tive uma visão de futuro de que um dia eu teria um banco só meu. Quando comecei a trabalhar na Finasa, lembrei daquilo automaticamente”, diz o empreendedor. Mesmo tomado de desejo, levou seu cargo com maestria por cerca de três anos, até que a vontade de seguir seu sonho tornou-se mais forte.

“Recebi a notícia de que seria promovido à gerente da filial. Mas isso foi bem na época em que a figura do correspondente bancário surgiu, em 2004. Comecei a pensar que poderia criar um mini banco focado nisso.” Mesmo que todos ao seu entorno acreditassem que ele tinha enlouquecido por recusar uma promoção que triplicaria seu salário, Oliveira decidiu se demitir. “Para completar, eu sonhei com a logomarca da minha empresa durante a noite. Não consegui fugir dessa decisão.”

Com um investimento inicial de R$ 10 mil, uma mesa, dois computadores e uma fachada, a CredFácil nasceu. “Em um ano, eu já estava com 20 lojinhas na região paranaense”, conta orgulhoso. Por cerca de quatro anos, o crescimento foi exponencial. Oliveira até chamou seu irmão para ser sócio, uma retomada ao empreendimento fraternal que compartilharam na infância. No entanto, em meio à tranquilidade, veio a crise de 2008. “Foram dez meses de recessão. Sem crédito e dinheiro para emprestar, fui fechando loja por loja. Perdi tudo: casa, carro. Voltei à estaca zero.”

A MOLA PROPULSORA DA CRISE

Com apenas uma única loja, onde tudo tinha começado, Oliveira via os sinais apontando para o fim do negócio. “A veia empreendedora me dizia para continuar, mas era muito difícil. Até que veio uma palavra à minha cabeça: franquia.” Mais do que um insight, aquilo ficou martelando durante uma semana toda. Ele então procurou um consultor e passou a pesquisar sobre o assunto. “Em 2009, fiz um site, comecei a divulgar e, em seis meses, já tinha recuperado as 20 unidades perdidas durante a crise, mas dessa vez como franquia”, conta o executivo, que hoje é dono de uma rede com mais de 400 estabelecimentos espalhados pelo Brasil.

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Nos últimos dez anos, o negócio apenas cresceu. Oliveira revela até ter tido dificuldade para gerenciar a rápida expansão. “Em 2013 eu cresci demais, sem me estruturar, e precisei interromper por um ano as operações de novas franquias. Fiquei só na retaguarda, me organizando. Você não pode ser só empreendedor, tem que ser gestor. Empreender é paixão, gerir é equilíbrio”, ensina. O resultado dos últimos 12 meses prova que o raciocínio de Oliveira está certo: o faturamento da rede está prestes a ultrapassar os R$ 20 milhões.

Para completar, em abril a marca deu origem a outra franquia, a DinDin Pag, de meios de pagamento, que já conta com quase 50 operações. Para Oliveira, o segredo desse final feliz é fazer da crise uma mola propulsora. “O empreendedor tem que gostar de problemas, afinal, provavelmente seu negócio é focado em alguma solução”, diz, destacando que as crises podem aparecer tanto no âmbito profissional quanto pessoal. “Na época da escola me tratavam muito mal. Eu era gago, não conseguia me comunicar direito. Mas, até nessa situação, eu usei tudo que jogavam contra mim como um bumerangue para me reinventar e sair por cima.”

O segredo dessa atitude reativa, segundo o executivo, é ter automotivação. “O empreendedor tem que dar reset toda manhã e pensar que o dia vai ser maravilhoso. Seja positivo, não pare de pedalar e não olhe para trás, independentemente se o chão é arenoso ou cheio de pedregulho”, finaliza.

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