GM cancela acordo com a Nikola

Nikola Inc./Reprodução/Forbes
Nikola Inc./Reprodução/Forbes

A pickup Nikola Badger foi projetada para usar células de combustível de hidrogênio e baterias para energia

A General Motors afirmou que não irá mais assumir participação no desenvolvimento da picape elétrica Badger da Nikola. Embora a GM ainda possa fornecer células de combustível e baterias para as grandes plataformas futurísticas da Nikola, a notícia afetou as ações da fabricante de caminhões.

Sob os termos da parceria anunciada em 8 de setembro, a GM iria adquirir uma participação acionária na Nikola de cerca de 11% em troca da produção das picapes movidas a hidrogênio e bateria. Inicialmente, o acordo deveria ser finalizado no início de dezembro. No entanto, segundo o CEO Mark Russell, a Nikola não vai seguir com os planos para focar em caminhões pesados. Os clientes que fizeram depósitos serão reembolsados, afirmou a empresa.

LEIA MAIS: James Dyson planeja investimento de US$ 3,6 bilhões em baterias após projeto de carro elétrico dar errado

“Caminhões pesados ​​continuam sendo nosso principal negócio e estamos 100% focados em atingir nossas metas de desenvolvimento para trazer hidrogênio limpo e caminhões comerciais elétricos a bateria para o mercado”, disse Russell em um comunicado. “Acreditamos que as células a combustível se tornarão cada vez mais importantes para o mercado de semi-caminhões, pois são mais eficientes do que gasolina ou diesel e se mostram leves em comparação às baterias de longa distância. Ao trabalhar com a GM, estamos reforçando o compromisso com um futuro de emissão zero.”

A não conclusão da proposta de trazer a GM como um grande patrocinador é um golpe para a Nikola, que trabalha para recuperar a estabilidade após a saída em setembro do fundador e presidente executivo, Trevor Milton, acusado de mentir sobre as capacidades tecnológicas da startup em um relatório de analista que tinha algumas ações da Nikola. A picape Badger foi uma adição inesperada à linha de produtos de Nikola no início deste ano, e seu destino sempre esteve ligado a conseguir um parceiro automotivo para construí-la.

Após o anúncio do fim da parceria, as ações da Nikola despencaram 27%, fechando a US$ 20,41 nas negociações do Nasdaq na segunda-feira (1). Já as ações da GM caíram 2,7%, para US$ 43,84, em Nova York.

O relatório da Hindenberg Research alegando fraude na Nikola fez despencar o preço de suas ações e gerou análises da Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) e do Departamento de Justiça norte-americano. Russell disse neste mês que a empresa está cooperando com os investigadores, mas não forneceu atualizações sobre a análise. A empresa incorreu US$ 5,2 milhões em despesas legais relacionadas ao relatório e revisões regulatórias, disse o CFO Kim Brady.

O plano de Nikola de usar células de combustível Hydrotec da GM em seus caminhões permanece intacto, mas sob os termos de um novo acordo provisório revelado nesta semana. Ainda assim, é improvável que isso satisfaça os investidores, disse Dan Ives, analista de ações da Wedbush.

“A contratação da GM como parceira era vantajosa, e a não participação acionária na Nikola e os bilhões de P&D potencialmente fora da mesa são os maiores pontos negativos para a história de empresa”, disse Ives, que classificou o desempenho da Nikola abaixo da média do mercado. “Isso passou de um negócio revolucionário para a companhia a uma boa parceria de suprimentos.”

VEJA TAMBÉM: Tesla, Uber e outras empresas criam grupo de lobby para acelerar indústria de elétricos nos EUA

Atualmente, a Nikola planeja usar células de combustível fornecidas pela Bosch e baterias de íon-lítio feitas pela startup Romeo Power para as versões iniciais de seus semi-trucks. Sob o novo acordo provisório entre as empresas, a GM modificará seu sistema de células de combustível para uso em grandes plataformas, disse Doug Parks, vice-presidente executivo de desenvolvimento de produto global, compras e cadeia de suprimentos da montadora.

“O acordo reconhece o desenvolvimento e expertise em tecnologia de célula de combustível”, disse Parks. “Fornecer nossos sistemas Hydrotec para a classe de veículos comerciais pesados ​​é uma parte importante de nossa estratégia de crescimento e reforça nosso compromisso com um futuro totalmente elétrico e com zero emissões.”

Há também algumas desvantagens para a GM em não avançar com a parceria, já que a montadora não anunciou planos de fornecer a outras empresas suas células de combustível de hidrogênio, segundo apontou o analista de ações do Deutsche Bank, Emmanuel Rosner. A GM está trabalhando no sistema Hydrotec com a Honda.

“Da perspectiva da GM, acreditamos que o novo acordo tem uma leitura mista. Isso reduz o risco consideravelmente, incluindo o risco de título de associação com Nikola, e a volatilidade de possuir suas ações, o que é positivo”, disse Rosner em uma nota de pesquisa. “Por outro lado, o movimento também diminui um pouco a confiança a longo prazo de Nikola e, portanto, na capacidade da GM de eventualmente monetizar sua tecnologia de célula de combustível.”

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Siga Forbes Money no Telegram e tenha acesso a notícias do mercado financeiro em primeira mão

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).