O ex-entregador de jornais e piloto que fundou uma rede de espetinhos milionária

Grupo do qual a Espetto Carioca faz parte tem expectativa de faturamento na ordem de R$ 120 milhões.

Beatriz Calais
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Souza fundou o Espetto Carioca ainda em 2010, com mais dois sócios e R$ 300 mil de investimento inicial

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Aos 13 anos, Leandro Souza conhecia muito bem as ruas do bairro do Recreio, no Rio de Janeiro. Com sua bicicleta, percorria o bairro de ponta a ponta para entregar jornais nos quintais e terraços cariocas. Foi ali que aprendeu, pela primeira vez, a valorizar o próprio dinheiro e esforço. Ainda novo, ele sabia que era apenas através do estudo e do trabalho que conseguiria tudo que almejava para sua vida. “Minha mãe trabalhava como empregada doméstica e meu pai como porteiro. Sou filho único e eles sempre se dedicaram ao máximo para incentivar minha educação”, relembra Souza, que hoje enxerga o impacto de sua criação no sucesso da rede Espetto Carioca, fundada em 2010.

O empreendedorismo, presente em sua rotina atual, não fazia parte de seu sonho juvenil. No entanto, as vivências que acumulou através dos anos em outros trabalhos foi essencial para seu papel como líder. Com 17 anos, começou a trabalhar como office boy em uma empresa que fazia distribuição de revistas. Em pouco tempo, evoluiu e chegou na equipe de marketing, o que fez com que começasse a cursar faculdade de comunicação social. Sua história parecia se encaminhar para esse setor, até outra oportunidade aparecer.

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“Um amigo meu, atualmente meu sócio, estava morando nos Estados Unidos e começou a falar que era uma ótima oportunidade, que eu deveria tentar me desenvolver por lá”, conta o empreendedor. A partir dessa conversa, o cenário de possibilidades no exterior não saiu mais de sua cabeça. “Eu fiz um esforço, juntei dinheiro, consegui o visto –que foi um sufoco porque eu não tinha muita renda para comprovar– e voei para os EUA em 2002”. Com apenas 20 anos, ele tinha um mar de oportunidades à sua frente. Uma vida completamente nova que poderia construir.

“Eu não falava nem hot dog direito”, diz com humor. Embora esse distanciamento com o idioma tenha gerado histórias engraçadas, isso nunca o impediu de trabalhar e ir progredindo aos poucos. Foi manobrista, entregador de pizza, lavador de carro e até segurança de boate, até se desenvolver por completo e decidir seguir um sonho maior: ser piloto de avião.

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Após quatro anos no exterior, em 2006, Souza ingressou em um curso de piloto comercial. “Eu já tinha esse desejo e decidi que era hora de fazer o melhor possível e me destacar”. O empreendedor lembra dessa época como um período de muitas conquistas. Fez faculdade de aviação, estudou ciências aeronáuticas, conquistou o tão sonhado green card e estava trabalhando no táxi aéreo norte-americano. Mais uma vez, assim como na época em que mergulhava no setor de comunicação, sua vida parecia estar encaminhada na aviação. Mas, como uma peça do destino, algo mudou novamente o seu rumo.

“Eu estava empregado na Lan Chile mas, de repente, veio a crise de 2008. Eles começaram a demitir os pilotos mais jovens e ficar apenas com os experientes”. Nessa época, pela primeira vez na vida, ele começou a empreender. “Criei uma empresa de manobristas e, como estava demitido, pensei: vou gastar toda energia no meu valet park”. Com cerca de 30 funcionários, prestando serviço para um restaurante da região, o empresário destaca ter aprendido a liderar pessoas, lidar com clientes e administrar uma companhia do zero. “Essa foi minha faculdade.”

Embora tenha muito orgulho desse período, a crise econômica, provocada pelo estouro de uma bolha nos Estados Unidos, ainda estava muito forte, o que acendeu uma inquietação sobre a possibilidade de voltar para sua terra natal. “Era 2010 e já estavam discutindo sobre a Copa do Mundo e a Olímpiada no Brasil. Pensei que podia ser uma grande oportunidade para voltar a trabalhar como piloto.” Após quase dez anos de experiência no exterior, voltou definitivamente para sua casa tão conhecida, o Rio de Janeiro.

Souza acredita que muitos pilotos tiveram a mesma ideia que ele. Quando chegou ao Brasil, o mercado da aviação também estava estreito e concorrido. “Enquanto esperava uma vaga, comecei a pensar nas oportunidades de negócio no Brasil. Era um momento bom da economia nacional”, conta. A partir disso, iniciou suas pesquisas sobre o mercado carioca. Entre pensamentos sobre a possibilidade de criar um restaurante mexicano, um insight surgiu em sua mente. “Aqui no Rio é muito comum o churrasquinho de rua. Fazia parte da minha infância, então, eu pensei: e se a gente tirasse esse contexto do espetinho como uma comida de rua e levasse para um ambiente mais harmônico?”

Rumo certo

Com a certeza de que essa era a ideia de sua vida, Souza fundou o Espetto Carioca ainda em 2010, com mais dois sócios e R$ 300 mil de investimento inicial. Mas, como o destino não brinca em serviço, o empresário foi surpreendido mais uma vez por uma oportunidade que poderia mudar toda sua trajetória novamente. “Quando inaugurei a primeira loja, a LATAM me chamou para uma vaga de piloto. Foi uma escolha hiperdifícil. Deveria seguir meu sonho ou tocar esse novo negócio em que acreditava?”. Sem saber se daria certo, mas convicto de que tinha que correr esse risco, o empreendedor escolheu o Espetto Carioca como seu rumo definitivo.

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“Não dá para você se arrepender daquilo que não fez. Eu ia ficar para sempre com essa dúvida se não tentasse”, diz o empresário. Seja por sexto sentido ou por experiência em pesquisa de mercado, o empreendimento mostrou resultados positivos logo no início, deixando claro que sua decisão valia a pena. Em um período de um ano e meio, o Espetto Carioca já tinha três estabelecimentos espalhados pelo Rio de Janeiro. “Muita gente começou a nos procurar mostrando interesse em abrir uma loja em seus bairros. Vimos potencial nessa procura, contratamos uma consultoria e, no final de 2012, nos lançamos como franqueadora.”

Com quase 40 lojas pelo país, o sucesso foi dando espaço para outros investimentos. “Em 2015, abrimos um departamento de eventos. Com ele, conseguimos participar com pontos de venda no Carnaval da Sapucaí, no Rock in Rio e até a Olimpíada 2016”. Além disso, com a aquisição da rede Bendito –especializada em cookies, brownies e café gourmet– e a inauguração do frigorífico Carioca Foods, que ficará responsável por abastecer os restaurantes da rede, nasceu o Grupo Impettus, um leque de renda ainda maior para o empreendedor. A expectativa de faturamento anual do grupo, que também conta com uma casa de show chamada Tradição, é de R$120 milhões.

“Meu DNA é expansivo”, revela. Para o empreendedor, a dedicação no trabalho sempre foi uma realidade. Da empresa em que começou como office boy até a gestão de sua própria companhia. É exatamente por isso que valoriza tanto a gestão de pessoas e a coloca como estratégia essencial para o crescimento da Espetto Carioca. “Tenho gerentes que começaram trabalhando na área de limpeza. Nosso sócio operador no frigorífico era garçom. Somos muito atentos ao crescimento profissional dos nossos funcionários”. De certa forma, o empresário enxerga que, assim como na sua própria história, muitos outros profissionais podem sair dali prontos para abrir seu próprio negócio, mudar de país ou decidir seguir um sonho que pareça inalcançável. Para Souza, o uniforme de piloto ainda é algo que almeja, no entanto, ele ressalta: “Agora eu quero pilotar o avião da minha empresa”.

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