Tradicional construtora mineira desembarca no Rio com empreendimentos de alto padrão

Oceana Golf é a vitrine da Patrimar Engenharia para conquistar o mercado de luxo na cidade.

Gabriela Arbex
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Alex Veiga, CEO do grupo, que inclui também a Novolar, especializada na construção de imóveis de médio e baixo padrão

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Depois de consolidar sua presença – e reputação – na região metropolitana de Belo Horizonte, a Patrimar Engenharia se prepara para disputar o mercado imobiliário de luxo em terras cariocas. A construtora mineira que acumula mais de meio século de história acaba de inaugurar o lounge de vendas de seu primeiro empreendimento no Rio de Janeiro, mais especificamente na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade, batizado de Oceana Golf.

“Eu fui conhecer um empreendimento na região, de um concorrente, e fiquei muito impactado pela paisagem”, conta Alex Veiga, CEO do grupo, que inclui também a Novolar, especializada na construção de imóveis de médio e baixo padrão, incluindo unidades habilitadas para o programa Casa Verde e Amarela, do Governo Federal, no interior de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

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O Oceana Golf está localizado do lado oposto do Ilha Pura, empreendimento idealizado para receber as delegações esportivas durante a Rio-2016. Construído com pompa e circunstância por um consórcio formado pela Carvalho Hosken e pelo braço imobiliário da Odebrecht, o complexo amargou uma espécie de herança maldita após a Olimpíada. No fim de 2019, apenas 512 unidades – das mais de 3,5 mil disponíveis – tinham sido vendidas. Uma série de fatores contribuiu para esse cenário, que abalou o mercado carioca de imóveis de luxo, entre eles, a situação econômica do país na época e a Operação Lava Jato, que resultou na saída da Odebrecht do negócio.

Nada disso, no entanto, assusta Veiga. “A natureza lá é muito exuberante. Os terrenos terminam no Campo Olímpico de Golfe, considerado o melhor do Brasil”, diz o executivo, referindo-se ao “World Golf Awards” concedido em 2020 ao local. “Na sequência, está a Lagoa de Marapendi, seguida pelo mar. Fiquei apaixonado quando conheci o local.”

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Mais do que encantado, Veiga detectou ali uma oportunidade: unir sua vontade de construir edifícios emblemáticos, como os que observava em Miami, com fachadas envidraçadas, janelas mais amplas e muito espaço, ao acabamento cuidadoso e originalidade dos projetos que ajudou a companhia a fazer fama em Belo Horizonte. Tudo num lugar paradisíaco.

“Havia também um imbróglio entre uma das famílias proprietárias de terra e uma das construtoras”, conta o executivo, que terminou por adquirir, em 2018, terrenos no local. Somado a tudo isso, havia ainda o fato de que Veiga não via muita chance de concorrer em mercados mais saturados, como São Paulo. “Na capital paulista o bolo é imenso, mas também há muita gente para comê-lo”, diz. “No Rio, a concorrência é menor. Além disso, vejo um interesse genuíno da prefeitura atual em recuperar a cidade.”

Veiga diz, ainda, que as empresas do setor que abriram capital em 2007 e 2008 saíram comprando terrenos nas mais diferentes regiões – e acabaram dando com os burros n’água. “Não dá pra construir do mesmo jeito em todos os lugares. É preciso levar em conta a cultura local. Nós queremos levar nosso padrão para o Rio, mas respeitando o jeito de ser do carioca. Os apartamentos serão despojados e luxuosos ao mesmo tempo. Todos os quartos e salas terão varandas”, exemplifica.

SQUAD DE PESO

Para tocar o projeto, Veiga convocou só pesos pesados: Alexandre Feu, responsável pela arquitetura do Collins 5775, da Multiplan – do bilionário José Isaac Peres –, em Miami; Benedito Abbud, renomado paisagista paulista; Débora Aguiar, arquiteta encarregada das áreas comuns; e Rubem Vasconcelos, presidente da Patrimóvel e uma das principais autoridades imobiliárias do Rio de Janeiro.

Mas ainda não era o bastante. “Eu queria que as seis torres previstas no projeto tivessem vistas definitivas para o mar, ou seja, não queria correr o risco de que, com o tempo, a paisagem fosse encoberta por outras construções”, conta o presidente da Patrimar. A solução encontrada pela companhia foi comprar os terrenos em volta, num total de 27.537,63 metros quadrados, e projetar três torres de cada lado, sendo que as segundas e terceiras serão levemente rotacionadas, para liberar a vista.

No total, serão 246 unidades (240 e seis coberturas), com metragens que variam de 194 a 547 metros quadrados. A área de lazer inclui quase 30 itens, como Spa L’Occitane, academia gerida pela Cia Athletica, piscinas adulto, infantil, recreativa e climatizada, quadras de tênis e poliesportiva, terraço funcional e espaço gourmet. Os serviços foram pensados para atender as mais variadas necessidades: de workplace a espaço para guardar entregas, passando por espaço de ferramentas compartilhadas, adega, pet place, pranchário, sala de motoristas, minimercado, carrinho de golfe para transporte até a Lagoa de Marapendi e serviço de balsa para a travessia. As três primeiras torres ficarão prontas em 2025. Se tudo correr conforme o planejado, as outras três serão lançadas nos próximos seis meses.

Com o apoio de três imobiliárias locais e mais uma equipe comercial própria, a expectativa de Veiga é praticar valores próximos a R$ 15 mil o metro quadrado, o que deve resultar num VGV (valor geral de vendas) de R$ 800 milhões. Só o lounge de vendas, que abriga duas unidades decoradas, custou R$ 10 milhões. “O custo-benefício é muito atraente se levarmos em conta a estrutura de lazer e segurança oferecida”, diz o executivo, apostando no espírito do carioca de curtir a vida como parte do sucesso do empreendimento.

PLANOS DE CRESCIMENTO

Em 2017, a Patrimar ensaiou uma abertura de capital, mas acabou recuando por não acreditar que aquele fosse o melhor momento. “Começamos a ser procurados pelos bancos e notados pelos investidores, então adotamos todas as medidas necessárias para operar na bolsa: compliance, governança, atualização de sistemas, definição do conselho. A qualquer momento podemos concretizar isso, porque estamos prontos, mas só se acharmos que será vantajoso. Não temos pressa”, diz Veiga.

Enquanto isso, o executivo comanda, ao lado do genro, Lucas Couto, responsável pela diretoria comercial e de marketing, um plano de expansão que pretende dobrar o tamanho da companhia em quatro anos, ou seja, um crescimento de 25% ao ano em receita e lançamentos até 2024. “O Oceana Golf é nossa vitrine para atingirmos essa meta”, explica Couto, ressaltando a relevância do empreendimento. “Ela é ousada, mas factível.” Segundo ele, a previsão de VGV só na cidade maravilhosa é de R$ 2,5 bilhões em lançamentos futuros. “A nossa ideia é não sair mais da cidade.”

A receita líquida da construtora cresceu 133% no segundo trimestre de 2021 em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 190 milhões. No que diz respeito ao primeiro trimestre do ano, o aumento foi de 136,2%, para R$ 367 milhões. O patrimônio líquido (ROE anualizado) passou de 9,9% no segundo trimestre de 2020 para 22,1% no mesmo intervalo de 2021.

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