Quem é o novo bilionário de segurança em nuvem que surgiu com o aumento do home office

Reprodução/Forbes
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À esquerda, o sócio Frederic Kerrest e, à direita, o fundador Todd McKinnon

Todd McKinnon está sentado à frente de sua tela verde com olhos cansados falando sobre culpa. Mais de 10% dos Estados Unidos está desempregado, 178 mil norte-americanos morreram devido à pandemia e a Califórnia está literalmente em chamas, mas a empresa de segurança em nuvem de McKinnon, a Okta, está passando por um ótimo período e, agora, ele é oficialmente um bilionário. “O mundo tem todos esses problemas, mas fico sentado em frente ao computador o dia todo”, diz McKinnon, de 48 anos. “Me sinto culpado por isso”.

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A Okta não está apenas tendo sucesso em meio à pandemia; seu crescimento é alimentado pela pandemia. Os seus serviços –que ajudam as organizações a verificar as identidades de funcionários e usuários enviando um código personalizado para seus celulares, entre outras medidas de segurança– tornaram-se instantaneamente essenciais para empresas, universidades e governos que precisam trabalhar remotamente. A Okta já assinou mil novos clientes desde março, elevando para um total de 8.950, e muitos usuários existentes expandiram seu acesso.

Valor de mercado

Em maio, a FedEx converteu mais de 85 mil funcionários para a Okta em 36 horas, enquanto que o MGM está usando a empresa para check-in sem contato. Além disso, há novas parcerias com a Cruz Vermelha australiana, LVMH, Equifax, Western Union e dezenas de outras. “É como um tsunami que está chegando”, diz McKinnon.

A Okta gerou US$ 200 milhões em receita no último trimestre, um aumento de 43% em relação ao ano anterior. Suas ações subiram 70% nos últimos seis meses e mais de 1.200% desde que abriu o capital em 2017. De repente, o negócio instável que McKinnon fundou em 2009 vale US$ 27 bilhões, e ele, que possui 4%, vale estimados US$ 1,7 bilhão. “Essa coisa horrível [pandemia] foi tão confusa, mas a empresa está se beneficiando”, diz.

Enquanto reflete sobre culpa, McKinnon terá de se arriscar no cenário fragmentado de segurança em nuvem –Microsoft, Ping, IBM, Oracle– e responder a perguntas sobre se a Okta merece seu valor de mercado altíssimo. “Acreditamos que a avaliação pode ter ficado espumosa”, atesta Mark Cash, analista de pesquisa de ações da Morningstar que está otimista com a Okta no longo prazo.

Para McKinnon, o argumento de venda da Okta é simples. Ao contrário de seus concorrentes maiores, que muitas vezes empacotam suas ferramentas de segurança com seu próprio software em nuvem, a Okta pode trabalhar com qualquer plataforma, do Office 365 ao G Suite. “Verificamos quem você é, conectamos seu usuário e armazenamos as informações sobre você”, diz ele.

A história do novo bilionário

Nascido em Fremont, na Califórnia, nos arredores de San Jose, McKinnon cresceu com uma “vida encantada”. Seu pai trabalhava como executivo de recursos humanos, enquanto sua mãe ficava em casa. Logo no início, McKinnon desenvolveu uma afinidade com computadores. Seus pais não tinham nenhum, mas um amigo cujo pai trabalhava como cientista de dados, sim. O arranjo trouxe benefícios adicionais. “Eu ia até a casa dele e era um bom escritor. Então, eu basicamente ditava nossos trabalhos [escolares] ”, diz McKinnon. “O que ele trouxe para o negócio foi que tinha um computador e podia digitar.”

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Embora sonhasse em se tornar um jogador do Oakland Athletics, McKinnon acabou reconhecendo que “faltava talento” e se matriculou na Brigham Young University, em 1989, para estudar administração. Ele obteve seu mestrado em ciência da computação na California Polytechnic State University em 1995, exatamente quando a era pontocom (empresas baseadas na internet) estava esquentando.

Forbes/Reprodução
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Segundo McKinnon, apesar atual momento de instabilidade, a empresa está tendo grande sucesso

McKinnon passou quase uma década como desenvolvedor na empresa de software PeopleSoft, depois foi para a Salesforce, onde acabou liderando a engenharia. Em 2009, ele observou o desenrolar da computação em nuvem e decidiu lançar seu próprio negócio. Mas primeiro, ele precisava convencer sua esposa. McKinnon criou uma apresentação em PowerPoint para persuadi-la de que a oportunidade justificava o risco. Ele previu o melhor cenário: um IPO de US$ 100 milhões. Ela aceitou.

McKinnon nomeou a empresa com a elegância que se espera de um programador: SaaSure. Outro ex-funcionário da Salesforce, Frederic Kerrest, juntou-se a ele logo depois, e eles construíram o conceito inicial: software que ajudaria as empresas a medir a confiabilidade de seus aplicativos baseados em nuvem. “Como um eletrocardiograma constante de todas essas métricas importantes para seus servidores”, diz Kerrest.

No entanto, eles descobriram que ninguém se importou o suficiente com a segurança da nuvem. “Os clientes diriam: ‘Sim, esse é um problema interessante. Mas esse é o problema de grau quatro’”, lembra Kerrest. Assim, o verdadeiro problema era que as empresas não podiam gerenciar com segurança seus usuários. “Foi assim que começamos.”

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A sugestão foi um novo nome, Okta, que significa um termo que os pilotos usam para medir a cobertura de nuvens. Com a ajuda de uma rodada de financiamento da Série A de US$ 10 milhões liderada por Andreessen Horowitz, que também havia investido em sua rodada inicial, a dupla voltou ao trabalho.

Sucesso lento e gradual

Mesmo com uma ideia melhor, a execução ainda demorou. As maiores empresas, que tinham necessidade muito maior das ferramentas de segurança da Okta, como a autenticação de dois fatores, nunca tinham ouvido falar da empresa se nem tinham se reunido os fundadores. “Nosso produto não era bom o suficiente”, diz Kerrest; o software era muito problemático e lento para implementação em larga escala. Em 2011, “perdemos nossos números por um quilômetro”, diz Kerrest. Eles obtiveram menos de US$ 1 milhão em receita.

De alguma forma, a Khosla Ventures e a Greylock viram potencial suficiente no negócio para participar de uma Série B de US$ 16,5 milhões no meio de 2011. A partir daí, veio o crescimento gradual. À medida que o software se tornou mais confiável, empresas de médio porte começaram a assinar contratos com a Okta e, eventualmente, empresas maiores também surgiram. McKinnon e Kerrest atingiram sua meta de vendas pela primeira vez no quarto trimestre de 2011, arrecadando pouco mais de US$ 600 mil. A receita anual saltou para US$ 41 milhões em 2015.

A Okta abriu capital em 2017 e imediatamente atraiu o interesse dos investidores, em parte porque sua tecnologia é de fácil compreensão. “Há muitos detalhes técnicos na segurança cibernética”, diz Joshua Tilton, analista da Berenberg Capital Markets. “A Okta é muito fácil de entender. É um conjunto de credenciais que me dá acesso a todos os meus aplicativos quando estou no trabalho.”

Em seguida, veio a pandemia da Covid-19. Devido às políticas de homeoffice, os analistas de Wall Street começaram a usar produtos de login seguro, como a Okta. “Da noite para o dia, eles estão mexendo com os drivers do mercado de segurança do futuro”, diz Tilton. “A Okta era uma ação amada antes do coronavírus, e tem sido ainda mais querida desde então.”

Até McKinnon admite estar apaixonado, apesar de sua autoproclamada culpa. “Quando vejo o desempenho das ações ou meu próprio patrimônio líquido, é gratificante ver a empresa ter sucesso”, diz ele. “Eu comecei a companhia e continuei com ela. Fui lá e fiz.”

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