Tallis Gomes revela como costurou parceria entre a Singu e a Natura

Cofundador da startup fechou o negócio, que marca a estreia da gigante de cosméticos no mercado de serviços.

Angelica Mari
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Tallis Gomes, CEO da Singu

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Em um domingo de agosto de 2019, Tallis Gomes dirigia um trailer rumo ao festival Burning Man, no deserto de Nevada, quando recebeu uma ligação que esperava havia meses. Era Roberto Marques, presidente executivo do conselho da Natura&Co, propondo encontrar o cofundador da startup de serviços de beleza Singu na terça-feira daquela semana no escritório da empresa em Nova York.

Gomes mal conseguia conter a expectativa do encontro depois de tantas conversas com o CEO da Natura, João Paulo Ferreira, sobre como a startup poderia apoiar os planos da gigante de cosméticos de sua entrada no setor de serviços. “Estudei os últimos quatro calls de resultados, tinha os números da Natura na ponta da língua para mostrar que entendia o modelo de negócio… Mas foi um papo muito diferente do que eu imaginava. Falamos por duas horas sobre propósito e visão. Saí dali sabendo que alguma coisa grande ia acontecer”, conta o jovem empreendedor – que ganhou fama e dinheiro como fundador da Easy Taxi.

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Muitos meses se passaram, sem que Gomes perdesse a confiança na possível parceria – ele até estacionou a captação de recursos que tinha planejado para a Singu. Mas veio a pandemia, e, com ela, a incerteza: “Comecei a achar que o deal ia cair; afinal, todas as empresas estavam lutando para sobreviver e segurando o caixa. Foi quando o JP [João Paulo] decidiu que era o momento de acelerar a transformação”, conta Gomes sobre o processo de digitalização da Natura, que já vinha sendo implementado desde 2014.

Em abril, o investimento da empresa de cosméticos na startup foi concretizado, levando o valor de mercado da Singu ao patamar de nove dígitos. Pelo acordo, a Natura fará aportes ao longo dos próximos quatro anos (podendo adquirir a totalidade da Singu) e seu batalhão de mais de 6,3 milhões de consultoras poderá vender serviços de beleza pela plataforma criada por Gomes.

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Mas isso “é só o começo”, segundo o empreendedor. A Singu já é praticamente uma fintech, que adianta milhões de reais em recebíveis para as profissionais que operam por sua plataforma. Além disso, as mulheres que trabalham pela startup, que Gomes chama de “artistas”, poderão impulsionar a venda dos produtos do grupo Natura, que inclui marcas como a The Body Shop e a Aesop, de cosméticos premium. Outra frente de trabalho nos próximos anos será a expansão geográfica – antes do investimento da Natura, a Singu tinha sua atuação concentrada no eixo Rio-São Paulo. “Vamos fechar Brasil este ano e em 2021 já miramos outros países.”

“Daqui a um ano estaremos falando de desafios [relacionados à] escala, contratação, criação de cultura e gestão à distância, já que provavelmente teremos alguns escritórios em diferentes lugares do mundo. Já tenho um playbook para tratar estes temas, mas a discussão futura será sobre como essa abordagem vai mudar nos próximos dois anos, no contexto da expansão internacional.”

Reportagem publicada na edição 80, lançada em setembro de 2020

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