Por que as mulheres não devem ter vergonha de suas realizações

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Autopromoção eficaz é a melhor maneira de se destacar em uma entrevista de emprego

Muitas mulheres acham muito difícil ser franca e direta sobre suas respectivas habilidades, realizações, potencial e talentos na hora de se promover de uma maneira eficaz. Se você é assim, é provável que essa relutância se deva ao fato de que desde menina disseram que você não deveria ser arrogante, auto-afirmativa ou orgulhosa. Provavelmente, você também ouviu que, por ser mulher, deve ser modesta, reservada e respeitosa. Como resultado, você pode achar desconfortável se promover ativamente, competir vigorosamente por oportunidades de aprimoramento ou ansiar por projetos desafiadores na carreira.

Quer seja o impulso que você precisa na sua carreira, um novo emprego, uma promoção, um aumento de salário ou uma atribuição excelente, a pessoa selecionada será aquela que se destaca e que se destacou de alguma forma excepcional. Assim, diferenciar-se de seus colegas costuma ser algo crítico para o sucesso na carreira, e você não consegue fazer isso simplesmente trabalhando duro e realizando um bom trabalho. Além desses atributos importantes, é preciso ser notada de maneiras altamente positivas. E a melhor maneira de conseguir isso é com uma autopromoção eficaz.

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A autopromoção também é um contrapeso eficaz ao preconceito de gênero. Vamos imaginar um recrutador prestes a entrevistar você e um homem para um cargo muito procurado. O recrutador não conhece nenhum de vocês, mas ambos têm diplomas bons e semelhantes e tiveram experiências de negócios parecidas. Pense no que provavelmente estará passando pela mente do recrutador enquanto ele lê seus respectivos currículos antes de conhecê-los. Em relação ao homem, os pensamentos do recrutador provavelmente serão mais ou menos assim (dentro do que se espera nas normas de comportamento e gênero para homens): “Ele será confiante, racional, independente e competitivo; suas responsabilidades familiares não interferem em seu desempenho no trabalho; ele não será excessivamente sensível; suas conquistas devem-se inquestionavelmente a seus talentos e não a uma iniciativa de diversidade; e ele não será carente ou emocional.”

Mas, quando o recrutador pensa em você, é provável que seus pensamentos sejam muito diferentes, até mesmo o oposto daqueles que o recrutador tem sobre o homem. Como candidata feminina, as suposições sobre suas capacidades, temperamento e compromisso com a carreira –que são feitas antes mesmo de você ter a chance de se apresentar– provavelmente são de que você é uma candidata menos atraente do que seu concorrente masculino. Para usar uma metáfora esportiva, apesar de ter habilidades e realizações semelhantes e comparáveis, seu competidor masculino provavelmente estará um passo à sua frente. Isso significa que você deve se apresentar nas entrevistas de maneira distinta para que as suposições menos favoráveis ​​do recrutador sobre as qualificações das mulheres em comparação com as dos homens sejam compensadas com uma impressão mais favorável.

Veja na galeria a seguir três etapas para ajudá-la a se apresentar de maneira eficaz, sem vergonha de se autopromover:

  • Gerencie as impressões dos outros em relação a você

    Para as que internalizaram o estereótipo de que como mulheres devem ser modestas, estar no controle em relação ao que os outros pensam e suas impressões é desconfortável, porque tememos ser vistas como “falsas” ou presunçosas e orgulhosas demais. Esta relutância é confirmada por um estudo recente que descobriu que mais da metade das mulheres trabalhadoras acreditam que são negligenciadas para promoções, pois são muito modestas, muito relutantes e não são claras e diretas sobre suas qualificações, sempre preocupadas de serem vistas como arrogantes, cabeças-duras ou agressivas.

    A relutância “natural” das mulheres em se autopromover é ainda mais ilustrada pela experiência do Google em sua política de autopromoção. No Google, o avanço de um perfil depende de as pessoas se “nomearem” de forma eficaz para uma promoção. A gigante de tecnologia descobriu, no entanto, que as mulheres fazem isso com muito menos frequência do que os homens. Em resposta, instituiu um programa para ensinar suas mulheres a se promoverem melhor, deixando claro que elas deveriam fazer isso. Em outras palavras, o Google se esforçou para dar a suas mulheres “permissão” para se autopromoverem.

    Se você for como muitas de nós, precisa encontrar uma maneira de dar a si mesma permissão para tentar conscientemente gerenciar as impressões que as outras pessoas têm de você –com precisão sobre seus talentos, realizações e grande potencial. A autopromoção honesta não é se gabar, mas se apresentar com intenção e persuasão, mostrando o que você é capaz de realizar.

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  • Mostre-se competitiva e confiante, mas amigável e calorosa

    Quer sua apresentação seja por escrito, pessoalmente ou pelo computador, ela precisa ser clara, direta e prender a atenção. Ela também precisa ser imparcial, atraente e envolvente. Você deve ser vista como altamente competente, mas também agradável e calorosa. Em apresentações presenciais ou online, você deve manter uma expressão facial interessada e amigável, um tom de voz uniforme e uma postura corporal relaxada, mas ereta, ligeiramente inclinada em direção às pessoas com quem está falando. Sorria nos momentos apropriados. Ao apresentar suas realizações, certifique-se de usar “eu”, mas também use uma linguagem inclusiva, como “nós” e “juntos”. Amarre seus talentos aos objetivos da empresa. Se for por escrito, peça que um amigo revise o que você escreveu. Certifique-se de encontrar equilíbrio entre se autopromover e ser boa em trabalhar em equipe. E lembre-se de que, independentemente de como você se apresenta, sua meta é transmitir a todos os seus talentos essenciais e relevantes e se mostrar como o tipo de pessoa com quem a empresa e sua equipe gostariam de trabalhar.

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  • Esteja um passo a frente para ganhar o jogo

    Como mulher, o sucesso na carreira muitas vezes depende não apenas de você mostrar que suas habilidades e realizações são iguais às de seus concorrentes, mas também que você esteja um passo à frente. Isso não significa que você precisa se exibir, inventar ou fingir ser alguém que não é. Significa que você precisa demonstrar que traz algo único e valioso para a empresa. É provável que esse “extra” seja algo diferente em contextos diferentes. Por exemplo, em uma entrevista de emprego, pode envolver a exibição de uma visão perspicaz de uma determinada situação ou apontar o papel crítico para o futuro da empresa ou porque você é a pessoa certa para desempenhar esse papel.

    Se você está sendo considerada para uma tarefa nova e desafiadora, pode querer discutir a importância estratégica de longo prazo do projeto ou explicar que, embora um concorrente já tenha feito um movimento semelhante, você sabe muito sobre essa iniciativa porque você acompanha de perto a indústria. Em uma avaliação de desempenho, você pode considerar apontar que seu principal cliente recentemente o parabenizou por lidar com sucesso com uma situação particularmente difícil; discutir como o trabalho que você fez em um projeto específico lhe deu uma visão altamente valiosa sobre a natureza do seu trabalho; ou explicar como você achou altamente instrutivo e inspirador ter tido a oportunidade de trabalhar com um líder específico.

    Embora essas sugestões para de estar a frente sejam apenas hipotéticas, o ponto deve ser claro: quase sempre há uma maneira –se você refletir sobre isso com antecedência– de se diferenciar de seus concorrentes; para apresentar algum conhecimento, experiência ou visão única que fará com que seus avaliadores digam: “Isso foi realmente interessante, e possivelmente muito valioso”.

    Ao pensar na importância da autopromoção, tenha em mente que nenhuma empresa é uma verdadeira meritocracia. O trabalho duro por si só não o moverá para cima. Você precisa ser notado como um funcionário sólido, com grandes habilidades e grande potencial, com calor e simpatia. Você precisa sair de trás de um véu da modéstia. Do contrário, você pode ser vista como um membro bom da equipe, mas não proativa ou talentosa o suficiente para alguma liderança qualquer. Os líderes empresariais e profissionais são diversos, mas nenhum deles é modesto.

    Se ainda achar desconfortável se autopromover, comece pequeno. Por exemplo, da próxima vez que alguém disser que você fez um ótimo trabalho em um projeto, não diga: “Não foi nada” ou “Recebi muita ajuda”. Em vez disso, diga: “Obrigada. Realmente deu muito trabalho!” ou “Obrigada, seu reconhecimento torna meu esforço ainda mais válido”. Não é preciso dar grande importância a elogios, mas também não é necessário ignorá-los. Reconheça francamente suas contribuições e siga em frente com confiança.

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Gerencie as impressões dos outros em relação a você

Para as que internalizaram o estereótipo de que como mulheres devem ser modestas, estar no controle em relação ao que os outros pensam e suas impressões é desconfortável, porque tememos ser vistas como “falsas” ou presunçosas e orgulhosas demais. Esta relutância é confirmada por um estudo recente que descobriu que mais da metade das mulheres trabalhadoras acreditam que são negligenciadas para promoções, pois são muito modestas, muito relutantes e não são claras e diretas sobre suas qualificações, sempre preocupadas de serem vistas como arrogantes, cabeças-duras ou agressivas.

A relutância “natural” das mulheres em se autopromover é ainda mais ilustrada pela experiência do Google em sua política de autopromoção. No Google, o avanço de um perfil depende de as pessoas se “nomearem” de forma eficaz para uma promoção. A gigante de tecnologia descobriu, no entanto, que as mulheres fazem isso com muito menos frequência do que os homens. Em resposta, instituiu um programa para ensinar suas mulheres a se promoverem melhor, deixando claro que elas deveriam fazer isso. Em outras palavras, o Google se esforçou para dar a suas mulheres “permissão” para se autopromoverem.

Se você for como muitas de nós, precisa encontrar uma maneira de dar a si mesma permissão para tentar conscientemente gerenciar as impressões que as outras pessoas têm de você –com precisão sobre seus talentos, realizações e grande potencial. A autopromoção honesta não é se gabar, mas se apresentar com intenção e persuasão, mostrando o que você é capaz de realizar.

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