Por que as culturas de alta performance podem destruir a vontade de aprender

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Escolas de alta performance levam as crianças a terem problemas de saúde mental e podem acabar com o amor pelo aprendizado

A maioria dos pais acredita que preparar seus filhos para uma vida de sucesso significa mandá-los para uma boa escola. Se o aluno atinge o desempenho acadêmico, ele está a caminho de uma vida feliz, ou assim acreditamos. Então, em 2019, a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos designou crianças em escolas de ensino médio do país como um grupo de “risco” para problemas de saúde mental.

Agora, uma nova pesquisa sugere que o problema com as culturas de alta performance é internacional e é particularmente intenso em torno da matemática. O estudo, publicado pelo jornal acadêmico “Frontiers in Psychology”, identifica “um processo complexo no qual a cultura nacional que promove uma alta performance em matemática reduz o interesse em trabalhos escolares da disciplina”. E o problema é pior para as meninas do que para os meninos.

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Portanto, as culturas de escolas de alta performance não apenas levam as crianças a terem problemas de saúde mental, mas também podem matar o próprio amor pelo aprendizado.

“Acho que precisamos olhar criticamente para a ideia de que podemos julgar o sistema escolar de um país principalmente pelo nível de desempenho que seus alunos atingem – outros aspectos importantes, como os estudantes se sentirem interessados ​​em seus trabalhos escolares, podem se perder no processo”, diz o professor Kimmo Eriksson, da Escola Superior de Mälardalen e da Universidade de Estocolmo, ambas na Suécia, em um comunicado à imprensa. “Parece que as culturas que promovem um alta performance em exatas também tendem a matar o interesse de muitos alunos nos trabalhos escolares de matemática.”

Eriksson se interessou pelo assunto quando percebeu uma discrepância interessante. Ele já sabia que a pesquisa mostrou que culturas de alta performance se correlacionam com menos entusiasmo para aprender em crianças, especialmente quando se trata de matemática. Mas ele também notou que, embora um amplo corpo de pesquisas tenha descoberto que as meninas se interessam menos por matemática do que os meninos, há muitos países onde elas gostam mais de matemática do que os garotos. O que poderia explicar essa diferença?

Os dados

Para descobrir o porquê, Eriksson estudou dados de mais de 500 mil alunos da 8ª série em 50 países entre 2011 e 2015 na Pesquisa Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (TIMSS). Ele olhou especificamente para as correlações entre o desempenho em matemática e os níveis de interesse dos alunos.

Eriksson descobriu que quanto melhor um país se saía em matemática, menos as crianças se interessavam pela disciplina. Por outro lado, quando os países tinham um desempenho nacional mais baixo em exatas, as crianças se interessavam mais por matemática. Embora isso tenha acontecido em ambos os sexos, o efeito foi mais forte nas meninas. Em países como Cazaquistão, Omã ou Malásia, elas estavam muito mais envolvidas no aprendizado da matemática do que em países como Japão, Nova Zelândia ou Suécia.

O interesse em matemática associado ao gênero também foi diretamente correlacionado com as diferenças no desempenho em exatas. Então, quando as meninas não gostam de matemática, elas não se saem bem.

O interesse pelos trabalhos escolares é sensível à cultura

“Ao destacar como o interesse das meninas no trabalho escolar é especialmente sensível à cultura de alta performance. Talvez meu trabalho possa fazer os pesquisadores e formuladores de políticas reconhecerem e enfrentarem esse desafio”, diz Eriksson. “Como as escolas podem promover alta performance em matemática sem destruir nos alunos o ‘interesse em seus trabalhos escolares’? ”

A maneira mais rápida de matar o amor de uma criança por praticamente qualquer coisa é forçá-la a fazer isso. E se você duvida dessa conexão, considere a alimentação infantil. Ninguém precisa forçar uma criança a comer sorvete, mas os pais costumam estimular os filhos a comer vegetais. A relação é obviamente para as crianças: os pais apenas os pressionam a comer alimentos que não são bons.

É hora de parar e encontrar uma maneira de tornar o aprendizado mais prazeroso. Mas isso não é algo que os pais podem fazer sozinhos, afinal, os estudantes passam a maior parte do tempo na escola. E as escolas são tão impulsionadas por medidas de teste constantes que não há tempo para “exploração” no aprendizado. Não é hora de nós, como cultura, reconhecermos o que está acontecendo com os alunos e tirar a pressão?

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