8 maneiras de enfrentar o desafio da equidade no home office

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Modelo híbrido ou remoto de trabalho pode escancarar algumas falhas da organização – como a falta de igualdade e justiça entre os funcionários

A grande maioria das organizações está planejando implementar um modelo híbrido: este será, sem dúvida, o futuro do trabalho. Esse tipo de abordagem proporcionará muitos benefícios – tanto para os funcionários, que terão mais  liberdade e qualidade de vida, quanto para as empresas, que conseguirão  atrair e reter os melhores profissionais. 

Mas um dos desafios do trabalho híbrido será manter a cultura, a moral e a camaradagem entre os membros da equipe. O sucesso organizacional está relacionado a um forte senso de propósito comum e de identidade compartilhada – ou seja, o sentimento de que estamos todos alinhados em direção a um objetivo final comum e que temos um papel importante a desempenhar. Nesse contexto, a justiça será fundamental para um senso de unidade.

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Os funcionários podem se ver como “tenho” ou “não tenho” dependendo de como são capazes de trabalhar remotamente. Assim, as organizações precisarão permitir o trabalho híbrido em uma variedade de funções, modos e preferências pessoais. Dar escolhas aos colaboradores e, ao mesmo tempo, garantir que as necessidades do cliente sejam atendidas, entretanto, será repleto de desafios, já que é improvável que todos possam trabalhar da mesma maneira e com o mesmo suporte. 

As pessoas definirão “quem tem” e “quem não tem” de acordo com seus próprios critérios. Para alguns, pode ser uma vantagem trabalhar em casa com toda a flexibilidade que isso parece oferecer. Para outros, trabalhar no escritório pode parecer o melhor negócio com base na visibilidade, no avanço da carreira e na proximidade com os colegas. Os funcionários julgarão as condições com base em suas próprias preferências e provavelmente perceberão que “a grama do vizinho é sempre mais verde”. Conclusão: as empresas precisarão garantir justiça para construir relacionamentos e culturas fortes.

Não é nenhuma surpresa que o desejo por justiça e por imparcialidade seja básico para o ser humano. Um estudo intrigante da Universidade de Oxford analisou 60 sociedades diferentes e encontrou sete requisitos morais essenciais compartilhados por todos os grupos. Apesar das diferenças culturais, existem regras fundamentais que atuam como imperativos sociais. Uma delas é “dividir os recursos de maneira justa” – ou seja,  ter equidade em todo o grupo.

Os funcionários exigem um senso de justiça e, embora entendam que nem todas as funções são iguais, o requisito de equidade é fundamental para seu comprometimento e motivação. Dois estudos diferentes demonstram que quando os colaboradores não sentem que estão sendo tratados de maneira igualitária eles tendem a se retirar ou deixar a empresa. As organizações nas quais os funcionários desejam ingressar e permanecer tendem a ser aquelas que tratam as pessoas de forma justa – oferecendo coisas como atribuições, promoções e remuneração que estão alinhadas com o talento, a experiência e as contribuições.

Os níveis de esforço e de contribuição dos colaboradores estão diretamente ligados a esse senso de justiça. Sua disposição de ingressar, de se comprometer e de permanecer em uma organização é fundamentalmente afetada pelo fato de eles perceberem a equidade para todos os funcionários. O enigma “ter e não ter” não é um desafio pequeno, mas por meio da intencionalidade e do esforço sincero é possível criar as condições não apenas para a justiça, mas também para a felicidade, a  realização e o sucesso nos negócios. 

Veja, na galeria abaixo, oito maneiras de garantir a equidade e reduzir as desigualdades no trabalho híbrido:

  • 1. Concentre-se nos princípios

    Um dos elementos que contribuirão para um senso de justiça é garantir que você tenha um conjunto de princípios que determinem suas decisões. Uma pequena lista baseada em seus valores ajudará as pessoas a compreenderem as razões subjacentes às suas decisões. Por exemplo, você pode ter um princípio de justiça, de flexibilidade ou de confiança. Você também pode ter um princípio relacionado à qualidade do trabalho ou foco no cliente. Nem todo o trabalho pode ser feito remotamente. Uma recepcionista ou um concierge que cumprimenta os clientes pessoalmente provavelmente não pode trabalhar remotamente, ou um docente em um museu não será eficaz atuando dentro de casa. Princípios sobre a natureza do trabalho o ajudam a estabelecer limites para a tomada de decisões.

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  • 2. Promova uma cultura de confiança

    Uma cultura de confiança é a base para relacionamentos construtivos e para a justiça. E é possível construir essa confiança por meio da boa vontade, mantendo um contato próximo, gerindo os resultados, abordando problemas e demonstrando integridade. Como disse um líder: “Se você confiar em seu pessoal, eles podem trabalhar em qualquer lugar. Se você não confia em seu pessoal, eles não deveriam trabalhar para você”.

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  • 3. Entenda o trabalho

    Antes da pandemia, muitas organizações acreditavam que a maior parte do trabalho tinha que ser feito no escritório, mas ficou provado que a maioria delas estava errada. Isso não significa, no entanto, que o trabalho remoto seja ideal. Como um CEO me disse recentemente: “Não se engane, nosso home office durante o ano passado foi baseado na pandemia, e não na nossa crença de que esse seria o modelo ideal para o nosso negócio”. Certamente, existe um equilíbrio. Um estudo realizado pelas Universidades de Maastricht e Erasmus descobriu que trabalhos mecânicos, rotineiros ou individuais podem ser feitos em casa. Mas, de acordo com a pesquisa, profissões que envolvam resolução de problemas, cocriação, colaboração e velocidade costumam se dar melhor presencialmente.

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  • 4. Esteja disposto a experimentar

    Levando em conta tudo o que aprendemos com o home office, pode haver uma oportunidade agora para definir melhor quais tarefas podem ser feitas remotamente – incluindo algumas menos óbvias que não estariam nessa lista anteriormente. As pessoas aceitarão melhor o trabalho híbrido quando sentirem uma abertura por parte da empresa para acomodar melhor o trabalho flexível. Assim, os funcionários sentirão que a organização está os beneficiando, e eles vão querer retribuir essa ação com seu próprio esforço.

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  • 5. Seja transparente

    Uma grande parte da percepção das pessoas sobre a equidade também vem da transparência. Seja aberto sobre os princípios que você está usando para determinar qual trabalho será feito no escritório e qual será feito remotamente. Compartilhe os testes ou ensaios que você está levando em conta para formular as novas metodologias de trabalho. Comunique-se sobre os requisitos do cliente, as necessidades do negócio e as maneiras pelas quais você precisará que as pessoas façam contribuições exclusivas para um propósito comum.

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  • 6. Construa relacionamentos de equipe

    Supondo que você esteja fazendo o seu melhor para fornecer um sistema justo, é possível reduzir as percepções de desigualdade ao construir relacionamentos de equipe. Quando as pessoas se sentem conectadas com os colegas, é mais provável que tenham um sentimento positivo sobre como a equipe opera e como os modelos híbridos são implementados. Fortaleça os laços entre os membros dos times proporcionando oportunidades para que eles se conheçam, como dar tarefas conjuntas ou pedir para que eles resolvam algo juntos. Metas e realizações compartilhadas são poderosas para construir confiança e conexões.

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  • 7. Certifique-se de que os líderes estejam presentes e acessíveis

    Um elemento-chave das culturas construtivas é até que ponto os colaboradores têm um senso de proximidade com os líderes. Isso é importante porque os funcionários querem ter alguém que os lembre da realidade do negócio, do contexto do trabalho e do propósito geral da organização. Além disso, as pessoas querem ter visibilidade para que fiquem no radar de projetos surpresas ou de promoções. Quando as equipes sentem que estão competindo por tempo com os líderes, isso pode contribuir para uma atmosfera mais agressiva. O oposto também é verdadeiro: dê às pessoas mais acesso aos líderes e elas serão impactadas positivamente por um sentimento de que há conhecimento e apreço do líder suficiente para todos.

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  • 8. Mantenha as pessoas responsáveis

    Também é importante garantir que as pessoas sejam responsabilizadas por seu desempenho e resultados. Uma cultura é significativamente determinada pelo pior comportamento que ela tolerará – e quando uma organização toma medidas para lidar com isso ou com a falta de resultados, ela contribui para uma cultura mais positiva. Isso é especialmente notado quando você está tentando reduzir o efeito da desigualdade. Quando as pessoas sentem que os outros estão fazendo seu trabalho, entregando resultados, recebendo o reconhecimento apropriado e sendo responsabilizados, isso contribui para que o senso de justiça seja generalizado.

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1. Concentre-se nos princípios

Um dos elementos que contribuirão para um senso de justiça é garantir que você tenha um conjunto de princípios que determinem suas decisões. Uma pequena lista baseada em seus valores ajudará as pessoas a compreenderem as razões subjacentes às suas decisões. Por exemplo, você pode ter um princípio de justiça, de flexibilidade ou de confiança. Você também pode ter um princípio relacionado à qualidade do trabalho ou foco no cliente. Nem todo o trabalho pode ser feito remotamente. Uma recepcionista ou um concierge que cumprimenta os clientes pessoalmente provavelmente não pode trabalhar remotamente, ou um docente em um museu não será eficaz atuando dentro de casa. Princípios sobre a natureza do trabalho o ajudam a estabelecer limites para a tomada de decisões.


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