10 lições perfeitas do medalhista Fernando Scheffer para quem quer empreender

Jean Catuffe / Colaborador Getty Images
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Com apenas 23 anos, o atleta profissional conquistou sua primeira medalha olímpica após ter o pior tempo entre os nadadores classificados para a final

Empreendedorismo e natação podem parecer atividades completamente distintas. Mas, para o medalhista olímpico Fernando Scheffer, existem lições muito valiosas que servem tanto para aqueles que querem conquistar as piscinas, quanto para os que desejam conquistar os negócios. Essa convergência ficou clara na live realizada na última semana, quando o nadador conversou com o CEO e publisher da Forbes no Brasil, Antonio Camarotti.

Nadador desde os sete anos de idade, o gaúcho ganhou a medalha de bronze na prova dos 200 metros livres da Olimpíada de Tóquio 2020. Com apenas 23 anos, essa é considerada a principal conquista de sua carreira até o momento.

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Mas, para chegar ao pódio, a jornada não foi simples. Por conta da pandemia, o Minas Tênis Clube, local de treinamento do atleta, foi fechado em 2020, impondo uma interrupção de três meses em sua rotina de treinos. Já em 2021, com a segunda onda da Covid-19 no país, Scheffer precisou treinar em um açude para se preparar para as classificatórias da competição.

Já em Tóquio, na disputa para a semifinal, o atleta bateu o recorde sul-americano da modalidade. Porém, ao disputar a vaga para a final, teve o pior tempo entre os classificados, e foi designado para a oitava raia, considerada a pior da competição. Ainda assim, Scheffer foi capaz de superar o nervosismo e os obstáculos para garantir, pela primeira vez, seu lugar no pódio olímpico. Scheffer fez o tempo de 1m44s66 nos 200 metros livres, atrás apenas dos britânicos Duncan Scott (1m44s26) e Tom Dean (1m44s22).

Veja, na galeria de fotos abaixo, as estratégias de Fernando Scheffer para se tornar um medalhista olímpico e como elas podem ser adotadas no dia a dia de quem comanda um negócio:

  • Arrume um concorrente que o motive

    Quando, aos sete anos, Fernando Scheffer começou a nadar, seu principal objetivo não era conquistar o pódio nos Jogos Olímpicos, mas superar o irmão mais velho na piscina. “Ele era muito competitivo e implicava comigo, então decidi que tinha que achar alguma coisa para vencê-lo. Escolhi a natação”, relembra.

    Durante os primeiros anos na água, a competitividade familiar foi o principal motor da motivação de Scheffer. Aos poucos, ele se dedicava cada vez mais aos treinos e pedia para fazer parte das equipes principais de natação nas academias que frequentava. “O meu irmão foi meu primeiro rival competitivo. Foi um start para que eu pudesse evoluir”, diz.

    Alexandre Loureiro / Correspondente Getty Images
  • Saiba a hora certa de comemorar

    Na Olimpíada de Tóquio, Scheffer quebrou dois recordes sul-americanos: nas eliminatórias dos 200 metros livres e na final da mesma categoria. Porém, na etapa classificatória da semi para a final, terminou em último lugar. Por apenas dois centésimos, ficou em 8° lugar.

    “Não adianta nada bater o recorde na eliminatória se na final eu não conseguir um bom tempo. Mas, em vez de pensar que eu era o cara que estava mais longe do pódio, pensei que me deram a chance que eu precisava. Me deram uma raia para nadar”, conta o medalhista. Mesmo classificado com o pior tempo, ele conseguiu a medalha de bronze, repetindo o feito de Gustavo Borges, o último brasileiro a obter uma medalha olímpica na mesma prova, e levou o Brasil ao pódio nos 200 metros livres após 25 anos de jejum.

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  • Saiba utilizar as derrotas a seu favor

    “No esporte, a gente perde mais do que ganha. Mas os obstáculos que encontramos no caminho, assim como as derrotas, acabam nos fortalecendo”, afirma o atleta. Ele defende que, ao vivenciar um insucesso, é importante utilizar a experiência para se dar conta de que é possível enfrentar barreiras ainda maiores.

    Scheffer exemplifica citando a recente necessidade de se adaptar à pandemia de Covid-19. “Precisávamos de uma piscina para treinar e os clubes estavam fechados”, conta. Ele confessa que o momento gerou muitas dúvidas e inseguranças, mas que foi fundamental para que entendesse que era possível passar por privações e adaptar seu trabalho de acordo com as ferramentas que tinha na época. “Depois disso, chegar à Olimpíada e subir ao pódio me trouxe muito mais confiança para enfrentar os próximos desafios”, afirma.

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  • Siga sua estratégia sem se preocupar com a dos outros

    Na natação, atletas com o melhor tempo são designados às raias localizadas no meio da piscina. Scheffer, ao ser classificado em último lugar para disputar a final, foi posicionado na raia oito, na lateral – em tese, a pior da piscina. Ao contrário do que poderíamos imaginar, ele diz que ficou “até um pouco feliz” quando soube que nadaria naquela raia.

    “A minha estratégia era não olhar para os outros competidores durante a prova. Eu queria imaginar que estava naquela piscina sozinho. Então, aquela posição na raia oito ajudou, porque eu não tinha a visão dos outros atletas”, diz.

    Durante a disputa pela medalha, Scheffer diz que manteve o foco na estratégia traçada desde o início e na parte técnica, sem se preocupar com o tempo dos outros nadadores. “O melhor plano que eu poderia ter era ignorar os outros e me concentrar em mim mesmo. Se eu seguisse os demais, não ganharia o pódio.”

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  • Tenha alguém para se inspirar

    Quando começou a nadar profissionalmente, Scheffer tinha dois grandes ídolos: Gustavo Borges e César Cielo, ambos atletas brasileiros. “Foi uma inspiração muito importante saber que tinha um brasileiro que conseguia chegar aos maiores níveis das competições e ganhar medalhas”, diz.

    Hoje, contudo, sua maior inspiração são as pessoas com quem convive durante os treinos: sua comissão técnica, preparadores físicos, terapeutas e outros nadadores.

    “Quando estou em um dia difícil e vejo um colega na mesma situação, mas que está dando o seu melhor, sinto que o mínimo que eu posso fazer é dar o meu melhor também”, comenta. “Quando vou para uma competição, levo um pouquinho deles comigo. Essa inspiração acaba me contagiando ainda mais”.

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  • Siga uma rotina

    Com ou sem Olimpíada no calendário, Scheffer treina na piscina de segunda a sábado por pelo menos duas horas de manhã e duas horas à tarde. O restante do dia é preenchido com fisioterapia, preparação física, apoio psicológico e outros treinamentos.

    “É uma rotina bem regrada e as semanas são muito parecidas. Quando estamos perto das competições, treinamos aos domingos também”, diz. Além dessa programação, outro hábito do atleta é começar a temporada com um volume de treinos maior e, gradativamente, diminuir para treinos mais específicos conforme as competições se aproximam.

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  • Trabalhe sua saúde mental

    “O alto rendimento é um funil. Chega um ponto em que todo mundo tem um ótimo condicionamento e treino. Mas o que diferencia alguém da final e do pódio é a parte emocional e psicológica”, defende o atleta.

    Por isso, trabalhar a mente, para ele, faz toda a diferença no resultado final. Scheffer diz que o emocional ajuda a fazer escolhas corretas e lidar com problemas e adversidades. “Passamos por muitos sacrifícios e treinamos pesado todos os dias. O processo é simples, mas é difícil. Então precisamos de tranquilidade, confiança e atitude para chegar onde queremos chegar”, diz.

    Maddie Meyer / Equipe Getty Images
  • Lembre que pessoas são apenas pessoas

    Chegar a competições de alto nível pode ser assustador, mesmo para grandes atletas. Scheffer diz que ver os melhores competidores do mundo ali, lado a lado, pode trazer à tona pensamentos impostores ou a sensação de não pertencimento. “É importante ter o entendimento de que você também é bom, fez seu melhor, é merecedor daquele espaço e pode ganhar deles. Afinal, são pessoas de carne e osso, como eu e você.”

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  • Pense positivo

    Scheffer utiliza a estratégia de visualização para aumentar sua segurança antes de entrar na água. “Muitos atletas fazem isso: visualizamos o que queremos que aconteça, a maneira como queremos, como vamos realizar isso e como nos sentiremos. Imaginamos a prova passo a passo”, explica.

    Segundo o atleta, utilizar essa técnica diversas vezes ao dia ajuda a conquistar os objetivos uma vez que, no momento da prova, o corpo está mais confiante e a mente mais positiva, tornando mais fácil realizar aquilo que foi treinado. “O corpo executa aquilo que planejamos”, diz.

    Buda Mendes / Equipe Getty Images
  • Sonhe grande, mas dê um passo de cada vez

    Para o medalhista olímpico, o principal motivador é sonhar grande, mas os pequenos objetivos são os degraus de subida nessa escalada. “Precisamos de pequenas motivações para chegar aonde queremos. Eu gosto sempre de pensar um passo de cada vez e traçar metas de curto e médio prazos.”

    Com o foco nesses pequenos passos, ele acredita que é mais fácil manter a cabeça com tranquilidade, os pés no chão e definir com assertividade o que é necessário ser feito. “Quero acreditar que realizei pequenos objetivos e que o próximo também é palpável. Assim, é possível chegar lá.”

    Tom Pennington / Equipe Getty Images

Arrume um concorrente que o motive

Quando, aos sete anos, Fernando Scheffer começou a nadar, seu principal objetivo não era conquistar o pódio nos Jogos Olímpicos, mas superar o irmão mais velho na piscina. “Ele era muito competitivo e implicava comigo, então decidi que tinha que achar alguma coisa para vencê-lo. Escolhi a natação”, relembra.

Durante os primeiros anos na água, a competitividade familiar foi o principal motor da motivação de Scheffer. Aos poucos, ele se dedicava cada vez mais aos treinos e pedia para fazer parte das equipes principais de natação nas academias que frequentava. “O meu irmão foi meu primeiro rival competitivo. Foi um start para que eu pudesse evoluir”, diz.

 

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