
De passagem pelo Brasil hoje (18), para ministrar uma aula a convite das escolas corporativas Sputnik e Perestroika, Carolyn já tem seu próximo conceito para o futuro do trabalho na ponta da língua: o accountability. O termo, que em inglês significa “responsabilidade”, ganha outra dimensão quando relacionado ao trabalho, explica a especialista. Isso porque ele se refere a uma ação conduzida em dupla, onde uma parte cobra e a outra parte realiza. “Uma pessoa pergunta e quer algo, enquanto a outra dá e entrega isso. Você não pode ser ‘accountable’ por si mesmo, você só pode ser ‘accountable’ em relação ao outro. Portanto, existem dois papéis muito importantes”, afirma.
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De modo geral, o conceito se resume à capacidade de gerar resultados uniformes a partir da responsabilidade mútua e clara de quem coordena as ações e de quem as realiza. Assim, para colocar a ideia em prática, é necessário que os dois lados sejam claros e eficientes. “Se algo não acontecer como deveria em uma empresa, um lado tende a culpar o outro. O concedente vai pensar que o pedido foi além de suas possibilidades e que ele nunca poderia entregar aquilo. E o solicitante vai pensar que a falta de entrega foi resultado do baixo comprometimento.” Nesse caso, ambos não se esforçaram o suficiente. “Muitas vezes o trabalho não é entregue como deveria, seja aos acionistas, clientes, colegas, ao nosso chefe ou aos membros da nossa equipe. Precisamos aprender como fazer as duas coisas, ser um bom solicitante e um bom concedente”, afirma.
Ainda segundo a autora, a importância do conceito passa pela construção da confiança. Quando os resultados passam a acontecer de maneira estável e frequente, a empresa e o profissional passam a ter a reputação de alguém que cumpre com o seu dever – e o resultado inevitável disso é o sucesso. “Se seus clientes confiarem em você, eles comprarão de você novamente; se os acionistas confiarem em você, o valor da sua empresa sobe e mais pessoas vão querer investir; se seu chefe confiar em você, ele pode lhe promover ou conceder outras oportunidades”, explica Carolyn.
No futuro do trabalho, este conceito se torna ainda mais importante. Com a aderência cada vez maior das companhias ao home office – segundo pesquisa da consultoria Grant Thornton, apenas 7% das empresas brasileiras descartam a adoção do modelo remoto para os próximos anos -, a clareza nos papéis e na demanda precisa ser transmitida até no meio digital. “Tem havido um mal-entendido de que mais empoderamento significa menos necessidade de responsabilidade. Eu creio que o que acontece é o oposto: quanto mais as pessoas se tornam independentes e empoderadas, maior o papel do líder em estabelecer a estrutura por onde serão feitos os pedidos e as entregas”, finaliza a especialista.
À pedido da Forbes, Carolyn Taylor elaborou cinco dicas para ajudar empresas e colaboradores a alcançar o accountability no trabalho. Veja, na galeria abaixo, quais são elas:
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