Dia do Veterinário: 5 áreas promissoras para os próximos anos que vão muito além dos pets

Eva Blanco/Getty Images
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Atualmente, o Conselho Federal de Medicina Veterinária reconhece 80 áreas de atuação

No dia 9 de setembro de 1933, o então presidente do Brasil Getúlio Vargas assinou um decreto que regulamentou a profissão de médico-veterinário no país. Desde então, a data tem sido celebrada por aqueles que dedicam suas carreiras aos cuidados dos animais. O Brasil é, atualmente, a nação com maior número desses profissionais em todo o mundo: são 154,9 mil, segundo números CFMV (Conselho Federal de Medicina Veterinária).

“Graças a esses profissionais, a forma como as civilizações enxergam os animais mudou. No passado, eles viviam para nos servir. Hoje, eles são parte de um contexto no qual merecem nosso respeito e, mesmo que sejam criados para servir de alimento, são credores e destinatários de conforto e bem-estar. Não há paradoxo nem falsos dilemas nesse aspecto, mas um entendimento transcendental dessa relação entre seres humanos e animais”, explica Luiz Carlos Giongo, presidente do Nucleovet (Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas).

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Além disso, esses profissionais fazem parte de um negócio bilionário no país. Só em 2020, o segmento pet movimentou R$ 34 bilhões, segundo dados da Friedman, empresa especializada em produtividade e vendas. Esse número pode ser explicado pela quantidade de animais de estimação: os brasileiros possuem 139,3 milhões deles, de acordo com números da Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação). Já no setor da pecuária, o país lidera o ranking de bovinos do mundo, com 212 milhões, segundo a PPM (Pesquisa da Pecuária Municipal).

No ambiente educacional e universitário, a procura por graduações em medicina veterinária quase dobrou nos últimos dez anos. O censo da Educação Superior de 2010 realizado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) mostrou que, naquele ano, 6.229 estudantes estavam prestes a se formar na disciplina. Já na última edição da pesquisa, em 2018, o número saltou para 11.907 formandos na área.

Também não faltam opções para quem deseja seguir carreira no setor. Atualmente, o CFMV reconhece 80 áreas de atuação na veterinária. “No curso da história, o papel do médico-veterinário evoluiu. Hoje, ele não vive apenas para curar animais e lhe assegurar tratamento humanitário, mas faz parte das estratégias para garantir a produção de alimentos em escala global, além de exercer um papel relevante para a saúde pública no que diz respeito ao controle e erradicação de doenças transmissíveis ao ser humano”, completa Giongo.

Pensando nisso, a Forbes reuniu cinco áreas promissoras da veterinária nos próximos anos. Veja, na galeria de fotos abaixo, quais são elas:

  • Monitoramento de dados

    A análise de dados não é exclusividade de engenheiros ou programadores. Na área veterinária, esse ramo tem crescido graças à expansão do uso de tecnologias em pecuárias e criadouros. Dessa forma, por meio de ferramentas de monitoração e controle, esse profissional fica encarregado de analisar fatores como a saúde, a qualidade de vida e os potenciais riscos presentes em determinados grupos de animais.

    Diogo Furlan, médico-veterinário que atua como data steward na MSD Saúde Animal Intelligence da MSD Saúde Animal, explica que a rotina inclui entender o funcionamento das tecnologias e sua correlação com conhecimentos veterinários. “A partir deste ponto, por meio da mineração de dados gerados pelos hardwares e softwares, buscamos padrões, associações e relacionamentos de informações que permitam identificar gargalos e pontos de melhoria de processos na fazenda. Além disso, ao trabalhar em parceria com outras áreas, desenvolvemos projetos específicos utilizando técnicas de ciências de dados, como machine learning. Dessa forma, processamos e interpretamos as informações buscando melhorar a saúde e bem-estar dos animais”, afirma.

    De acordo com o profissional, não é obrigatório procurar uma formação complementar para atuar nesse segmento. No entanto, é importante que o veterinário se mantenha constantemente atualizado sobre as novidades do mercado, principalmente no que tange a novos dispositivos e softwares.

    “Nos mais diversos setores industriais, a tecnologia tem sido responsável por acelerar o desenvolvimento, seja por meio da rastreabilidade ou da otimização de processos. Isso não é diferente no setor agropecuário. A detecção precoce de doenças, identificação de momentos de estresse térmico e ajustes em tempo real de manejos alimentares permitem uma maior eficiência produtiva, o que torna a produção de proteína animal extremamente alinhada à agenda de sustentabilidade”, finaliza Furlan.

    Monty Rakusen/Getty Images
  • Animais de grande porte

    Hoje, o Brasil possui quase 215 milhões de bovinos, segundo dados da PPM. O número é maior do que a população brasileira, que alcançou a marca de 212 milhões, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Sendo assim, não é de se admirar que a principal demanda de veterinários de grande porte venha justamente do ambiente pecuário.

    Para Leonardo Sá, veterinário e CEO da PRODAP, empresa que fornece soluções para produtores rurais, a principal função desse profissional é auxiliar na produção animal, aumentando a produtividade e a eficiência dos criadouros. “São indivíduos capazes de conectar todo o conhecimento técnico como sanidade, melhoramento genético, nutrição e manejo”, diz. Ele também explica que, diferente de outros especialistas, esse tipo de médico-veterinário não deve focar sua atenção em um animal em específico, mas no rebanho como um todo.

    Outra qualidade que vale a pena ser desenvolvida por quem almeja ingressar na área é a boa visão de negócio. Além de ser capaz de atuar junto aos animais, esses profissionais também precisam saber desenvolver estratégias adequadas aos interesses do mercado. “Hoje não basta apenas o conhecimento técnico. Ele de nada adianta sem o entendimento das relações de causa e efeito financeiro”, completa.

    Wenderson Araujo Trilux/CNA
  • Vigilância ambiental

    Com o avanço de iniciativas públicas e privadas voltadas à preservação do meio ambiente, o ramo da veterinária especializado em vigilância ambiental deve continuar em plena ascensão nos próximos anos.

    Nesse segmento, o profissional atua como um aliado na promoção da biodiversidade por meio de trabalhos relacionados a repovoamento, proteção de espécies, controle populacional, alterações na cadeia alimentar e controle de pragas urbanas. Também é possível trabalhar auxiliando obras públicas, campanhas educacionais e pesquisas de monitoramento.

    “A vigilância ambiental consiste na busca de conhecimento de ações preventivas capazes de interferir no meio ambiente e que podem provocar riscos à saúde humana, ambiental e animal, ou seja, à saúde única”, afirma Fernanda Battistella Passos Nunes, veterinária e professora do Grupo UniEduK. Ela explica que, nessa função, o médico-veterinário tem o dever de orientar a população sobre políticas ambientais, promovendo medidas sustentáveis do ponto de vista ambiental, educacional e econômico. Também há a possibilidade de atuar com zoonoses e grupos em prol do bem-estar animal.

    Para Fernanda, quem deseja ingressar nesse setor pode procurar por cursos e formações que complementam possíveis lacunas de conhecimento. Entre as áreas que podem ser exploradas estão a de educação ambiental, ecologia, saúde pública e sustentabilidade, por exemplo.

    Paul Bradbury/Getty Images
  • Vigilância epidemiológica

    Dados da OIE (Organização Mundial da Saúde Animal) mostram que 75% das doenças humanas emergentes ou reemergentes do último século são zoonóticas (possuem origem animal). Dessa forma, a presença de médicos-veterinários nos órgãos de vigilância é indispensável para o controle de males transmissíveis entre esses dois grupos.

    “Esse tipo de veterinário contribui em situações como surtos alimentares, controle de zoonoses e de doenças transmitidas por vetores”, explica Maria Fernanda Vianna Marvulo, professora de epidemiologia e medicina veterinária preventiva do Grupo UniEduK. Nesse aspecto, esse profissional também acaba auxiliando no planejamento e na normatização de atividades técnicas que envolvam o contato direto entre animais e seres humanos.

    Segundo a especialista, a demanda por esse tipo de especialização acaba sendo constante devido ao envolvimento com os órgãos estatais. “Esse profissional atua especialmente no setor público, englobando a vigilância sanitária, epidemiológica e ambiental, ou ainda em laboratórios e centros de pesquisa. O mercado vem se ampliando por meio do aumento de vagas em instituições públicas e privadas que atuam na prevenção e diagnóstico de zoonoses”, afirma. Já em relação à formação, não é exigido nenhum curso complementar que facilite o ingresso nessa área específica. No entanto, a professora indica que os profissionais se mantenham atualizados sobre o setor da saúde.

    South Agency/Getty Images
  • Medicina veterinária do coletivo

    Com uma proposta mais social, a medicina veterinária do coletivo demanda uma atuação multidisciplinar de seus profissionais. Voltada para áreas como saúde pública, medicina preventiva, bioética e manejo populacional de ambientes, esse segmento atua em conjunto com setores da saúde, educação, meio ambiente e assistência social. Nesses casos, a função do veterinário é atuar como agente de defesa dos animais, conciliando diversos tipos de interesses com os direitos básicos das espécies.

    “O médico-veterinário do coletivo utiliza seus conhecimentos para promover a saúde e o bem-estar dos indivíduos, das famílias, das comunidades e do ambiente, considerando os animais como parte integrante e indissociável dessas representações. Esse campo gera diversas possibilidades de interação com outras disciplinas e com novas áreas para atuação”, comenta Rosangela Gebara, veterinária e membro da Comissão Técnica de Bem-estar Animal do CRMV-SP.

    Devido à complexidade da área, a especialista reforça a necessidade de procurar formações voltadas para esse campo, assim como estágios e residências em órgãos relacionados. “O Conselho reconhece a medicina veterinária do coletivo como uma especialidade independente. Assim, para ser considerado especialista, o profissional terá que fazer uma especialização e obter o título adequado”, esclarece Rosangela.

    Getty Images

Monitoramento de dados

A análise de dados não é exclusividade de engenheiros ou programadores. Na área veterinária, esse ramo tem crescido graças à expansão do uso de tecnologias em pecuárias e criadouros. Dessa forma, por meio de ferramentas de monitoração e controle, esse profissional fica encarregado de analisar fatores como a saúde, a qualidade de vida e os potenciais riscos presentes em determinados grupos de animais.

Diogo Furlan, médico-veterinário que atua como data steward na MSD Saúde Animal Intelligence da MSD Saúde Animal, explica que a rotina inclui entender o funcionamento das tecnologias e sua correlação com conhecimentos veterinários. “A partir deste ponto, por meio da mineração de dados gerados pelos hardwares e softwares, buscamos padrões, associações e relacionamentos de informações que permitam identificar gargalos e pontos de melhoria de processos na fazenda. Além disso, ao trabalhar em parceria com outras áreas, desenvolvemos projetos específicos utilizando técnicas de ciências de dados, como machine learning. Dessa forma, processamos e interpretamos as informações buscando melhorar a saúde e bem-estar dos animais”, afirma.

De acordo com o profissional, não é obrigatório procurar uma formação complementar para atuar nesse segmento. No entanto, é importante que o veterinário se mantenha constantemente atualizado sobre as novidades do mercado, principalmente no que tange a novos dispositivos e softwares.

“Nos mais diversos setores industriais, a tecnologia tem sido responsável por acelerar o desenvolvimento, seja por meio da rastreabilidade ou da otimização de processos. Isso não é diferente no setor agropecuário. A detecção precoce de doenças, identificação de momentos de estresse térmico e ajustes em tempo real de manejos alimentares permitem uma maior eficiência produtiva, o que torna a produção de proteína animal extremamente alinhada à agenda de sustentabilidade”, finaliza Furlan.

 


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