O que muda nos códigos de conduta das empresas no pós-pandemia?

Ao estabelecer um código de conduta que leva em conta a nova etiqueta corporativa, empresas garantem um ambiente de trabalho mais harmonioso.

Bruno de Lima
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Coisas simples, como cumprimentar com um aperto de mão, se tornam sensíveis no pós-pandemia

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Conforme as medidas de isolamento social vão se flexibilizando, cada vez mais funcionários deixam o modelo home office para voltar aos escritórios. E essa tendência deve ficar ainda mais forte em 2022, período em que mais da metade das empresas deve retornar às suas atividades presenciais, segundo pesquisa da KPMG. Mas esses profissionais podem encontrar um ambiente social diferente daquele que estavam acostumados. “A pandemia mudou as nossas normas de etiqueta no trabalho, e muito disso se dá por conta das recomendações médicas”, diz a mestre em comportamento organizacional e professora da Escola de Negócios da PUC Rio Grande do Sul, Loraine Müller. E, para evitar possíveis atritos, os líderes agora precisam rever seus códigos de conduta. 

Após um período de isolamento tão extenso, cada pessoa pode reagir de forma diferente às questões simples do dia a dia. Alguns podem, por exemplo, se sentir à vontade para almoçar com a equipe ou cumprimentar com apertos de mão. Por outro lado, é possível que outras pessoas encarem esses pontos de forma diferente, sentindo-se desconfortáveis com essas atividades. Essas diferenças de perspectivas abrem espaço para que situações e desconforto aconteçam, como o caso de um funcionário que não se sente seguro de ir almoçar com seu chefe em determinado lugar. Os códigos de conduta corporativa, que estabelecem os parâmetros de como a empresa espera que os funcionários se comportem, podem ser uma ferramenta para evitar situações do tipo. “Claro que a empresa não precisa chegar ao ponto de dizer qual é a forma que os colaboradores devem se cumprimentar. Mas, com base nos protocolos médicos, é possível que ela emita recomendações”, diz Müller.

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Essa seria uma forma de manter a liberdade individual dos funcionários de se comunicarem da forma que preferem, mas ao mesmo tempo dar para aqueles mais precavidos o respaldo de não se submeterem a situações em que se sintam desconfortáveis. “A pessoa pode usar como justificativa o fato de tal situação não ser recomendada pelo código de conduta da empresa, por exemplo”. Por outro lado, a referência também serve para aqueles que querem saber como se comportar de forma que não cometam gafes. 

As recomendações do código de conduta podem ir desde priorizar cumprimentar com um toque de punhos, por exemplo, até marcar almoços em lugares abertos. O uso de redes sociais, como o WhatsApp, também deve ser englobada dentro desse código. Apesar de não existir uma regra fixa nesse aspecto, o ideal é que profissionais entrem em consenso quanto aos horários em que mensagens podem ser enviadas nessas plataformas, o quão rápido deve-se responder e qual tipo de conteúdo pode ser compartilhado em grupos corporativos. 

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De acordo com Loraine Müller, a elaboração de tal código deve ser um trabalho coletivo e multidisciplinar, envolvendo desde o setor de RH e governança até lideranças, o setor jurídico e especialistas em saúde. A especialista em comportamento ainda dá uma dica: aqueles que não se sentirem confortáveis com determinadas situações, podem ser sinceros com seus colegas de trabalho. “Você pode falar que não se sente seguro com tal atividade, ou até mesmo que possui um parente em um grupo de risco da Covid-19 e está tomando mais precauções”, diz. 

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