Ser ou não ser nas redes sociais?

Flávia Camanho
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Como se comportar nas redes sociais?

Acessibilidade


Existe uma atenção especial a respeito da existência nas redes sociais. Perdi a conta de quantos clientes já me questionaram se deveriam ou não ter um perfil aberto no Instagram, como se posicionar no Linkedin e, em alguns casos, como lidar com a exposição de seus filhos e membros da família.

É um tema que pede clareza de posicionamento – e não fazer nada também é uma escolha. O assunto se torna mais aquecido quando se aplica a membros de famílias empresárias que têm um sobrenome de certa notoriedade. “Eu tenho o direito de ser livre e espontâneo nas redes sociais e me posicionar sempre que quiser?”

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Trata-se de um tema tão delicado que recebemos a visita de uma família dos Emirados Árabes que gostaria de saber como o tratávamos. O assunto também norteou minha participação em um programa internacional para famílias empresárias.

A grande questão é a liberdade de expressão versus a responsabilidade com a imagem e o legado familiar. Minha visão é que não existe uma norma restritiva que funcione para qualquer família.

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Existir nas redes sociais é uma realidade – e arrisco-me a dizer que é uma necessidade. Para se integrar ao mercado de trabalho, ter um perfil no Linkedin é mais relevante do que ter um curriculum vitae atualizado.

Onde está o problema, então?

O problema é que o posicionamento nas redes pode ter impacto direto na imagem da empresa e na reputação da família. Existe uma grande questão com a segurança pessoal e na exposição de momentos ou imagens que, uma vez postadas, ficam para sempre disponíveis para acesso e utilização futura em inúmeras situações. Algumas famílias têm documentos como Protocolos Familiares, Constituição Familiar, Código de Regras da Família ou Boas Práticas de Convivência. Neles há recomendações de posturas mais adequadas e condutas mais seguras.

Vou destacar aqui o conceito–chave que deve fazer parte deste debate: se você é membro de uma família empresária, suas ações não são isoladas e desconectadas da construção da imagem dos negó-cios. Os jovens podem achar que isso é injusto, que é um peso que não deveria existir. Mas existe.

Há uma expressão em francês que nos remete ao tema: “noblesse oblige”. Ele significa que o fato de pertencer a uma família de prestígio ou de ter uma posição social de destaque nos obriga a proceder de forma adequada. Cada família tem sua forma de se posicionar no mundo – e os cuidados que adotam, apesar de existirem temas comuns, podem ter desdobramentos particulares. Alguns exemplos de temas comuns a serem alinhados: posicionamentos políticos, julgamentos de valor, exposição da imagem e de sua intimidade, exposição de momentos importantes dos negócios e da família.

O mais importante para esse tema, que vive em constante transformação, é manter a abertura e o diálogo familiar pautados pela clareza. Definir regras muito rígidas será um esforço pouco efetivo, pois nesse ambiente fluido, de modernidade líquida (termo cunhado pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman) e de metaverso, a única certeza é que tudo vai mudar.

Flávia Camanho Camparini é Conselheira, mentora e coach. Especialista em Desenvolvimento Humano e Governança Familiar. Fundadora da Flux Institute. Professora convidada do IBGC para programas de Governança e Next G.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Coluna publicada na edição 94, de fevereiro de 2022.

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