Flavia Camanho: A sucessão pela perspectiva do fundador

Especialista em desenvolvimento humano e governança familiar, a colunista dividiu o artigo em dois capítulos e visões: fundador e sucessor .

Flavia Camanho
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Getty Images/Klaus Vedfelt
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Falar sobre a sucessão é falar sobre a finitude, o que traz à tona uma verdade inegociável: todos os líderes serão sucedidos

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Hoje, vou abordar um dos temas mais significativos e fundamentais da Governança Familiar: sucessão.

Em muitas famílias, esse tema é um grande tabu. Quase sempre as conversas em torno do assunto são sensíveis e pouco precisas.

LEIA MAIS: Flavia Camanho: A importância da governança familiar

Falar sobre a sucessão é falar sobre a finitude, o que traz à tona uma verdade inegociável: todos os líderes serão sucedidos, todos nós iremos encerrar nossa carreira profissional e nossa passagem por este mundo.

Temos duas formas de lidar com isso: com consciência e processos estruturados ou sem consciência, tratando como imprevisibilidade e assumindo um grande risco de seu negócio não sobreviver ao longo das gerações.

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Em muitas famílias, esse tema é um grande tabu. Quase sempre as conversas em torno do assunto são sensíveis e pouco precisas. Falar sobre a sucessão é falar sobre a finitude.

Vou dividir este artigo em dois capítulos: “fundador” e “sucessor”.

Neste artigo, vou me dedicar ao fundador; na próxima edição, foco nos sucessores.

Para o fundador, meu primeiro convite é dedicar um bom tempo para iniciar essa reflexão.

Comece pelo lugar mais confortável: seu papel profissional.

1) Avalie o seu momento profissional: como anda sua colaboração para a organização? Você se contrataria?

2) Avalie as necessidades da sua organização: quais serão os desafios enfrentados para a perenidade dos negócios?

3) Avalie se você tem os ingredientes necessários para levar adiante as inovações, avanços e decisões necessárias para sua empresa continuar performando no futuro.

Agora vamos entender sobre sua vida pessoal com mais clareza:

1) Como é a amplitude da sua vida? Qual é o seu nível de envolvimento com outros temas, além do negócio? Você tem interesses, relacionamentos, conhecimentos, curiosidades, planos que vão te manter vivo e motivado sem ocupar grande parte de sua vida com a jornada de trabalho?

2) Qual foi a última vez que você aprendeu algo novo? Você tem se mantido ativo na busca de novos conhecimentos?

3) Sua saúde tem sido bem acompanhada? Você tem uma rotina equilibrada?

Por fim, vamos falar de autoconhecimento:

1) Quais aspectos do seu papel profissional te trazem mais satisfação?

2) Qual é o próximo capítulo da sua história?

3) Qual legado você deseja deixar?

4) Como você pode utilizar seu conhecimento e repertório para contribuir para tornar o mundo um lugar melhor?

Com essas reflexões feitas, provavelmente, você já deve ter boas pistas de como vai lidar com essa etapa.

A escolha do sucessor terá uma série de variáveis que não vou explorar aqui. Considerando o momento do negócio, área de atuação, momento da família, visão dos acionistas, time executivo vigente, todos esses pontos, e outros mais, serão variáveis de tal decisão. Tenha um time dedicado ao tema e um processo estruturado, com etapas, assessments e tempo.

Para encerrar, vou fazer aqui duas sugestões de quem vem vivendo de perto esse processo, acompanhando grandes líderes, inúmeros fundadores e figuras referências em suas áreas no Brasil e no mundo passar pelas delicadezas de um processo sucessório: decida você quando esse processo vai acontecer, seja você o responsável por definir esse prazo.

E, por fim, comece já a desenhar esse caminho.

Flávia Camanho Camparini é Conselheira, mentora e coach. Especialista em Desenvolvimento Humano e Governança Familiar. Fundadora da Flux Institute. Professora convidada do IBGC para programas de Governança e Next G.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Coluna publicada na edição 88, lançada em junho de 2021.

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