Reformar para sobreviver

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Os últimos dados do FMI mostram uma acentuada queda da posição do Brasil entre as economias do mundo. Além da Itália, em crise, e da Indonésia, em pleno crescimento, outras nações como a Rússia estão nos deixando para trás. A dolorosa desvalorização do real e a trágica herança recebida por este governo, atenuadas apenas pelos consertos em voo das turbinas econômicas feitos pelo governo Temer, nos põem diante da equação “reformar = sobreviver”. Temos diante de nós a oportunidade de completar o ciclo das mudanças na Previdência e, tão importantes quanto, as reformas nas áreas tributária e fiscal – e, posteriormente, na político-partidária.

Certamente, por sua profundidade, esse ciclo nos levará a um novo pacto federativo e a uma Constituição que reflita um país que, desde 1988, mudou de alfaiates, consolidou o primado da democracia, desenvolveu o respeito à iniciativa privada e, acima de tudo, à liberdade individual. Para além da teoria, esse movimento nos modernizará – e, ao cortar velhas amarras, as novas forças sociais e políticas, concomitantemente com a maior liberdade de empreender e gerar riquezas, atenderão ao nosso desejo de erradicar a pobreza deste país tão rico e tão desigual.

Com um pouco de oxigênio, tudo o que se perdeu no passado recente se reporá rapidamente.

Apesar das dificuldades conjunturais e estruturais, estudo do Sebrae com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia aponta que as médias e pequenas empresas (MPEs) criaram 93.700 postos de trabalho formais, significando 72,3% do total (129.600). Liderou essa geração de empregos o setor de serviços, com pouco mais de 55 mil vagas criadas, seguido pela construção civil (15.124), pelo comércio (10.680), pela indústria (6.091) e pelo agronegócio (5.845).

Comparado com os Estados Unidos, crescendo a 3,5% ao ano e criando 263 mil vagas, nosso desempenho nesse recorte pode ser considerado relevante. Reverte-se uma tendência, e suas repercussões são tanto materiais quanto, acima de tudo, morais, aumentando a confiança no crescimento econômico já a caminho. A indústria deverá voltar a usar cerca de 75% de sua capacidade instalada, e o agribusiness nos dará uma safra de mais de 230 milhões de toneladas de grãos.

O tradicional pêndulo dos brasileiros entre a euforia pura, a bonjour tristesse de Françoise Sagan e o pessimismo se equilibrará no centro – como no centro também está a posição majoritária da população.

Do outro lado do oceano, de onde regressei recentemente, vemos o Parlamento europeu mudar de roupagem e vestir-se de verde e azul, deixando o vermelho como algo fora de moda. Ainda assim, creio que se obstarão muitas das providências que nos levariam a assinar o acordo comercial Mercosul-Comunidade Europeia. Há uma campanha criada e dirigida por interesses comerciais e políticos visando a alegada “proteção da Amazônia”, mas cujas raízes estão fincadas em uma menos nobre competição agrícola.

Tal configuração nos levará, tendo em vista a comunhão de ideias na América do Sul (com exceção da Venezuela), a uma aproximação maior com os Estados Unidos, não apenas pelo alinhamento de propósitos representado pelo apoio à livre iniciativa e à cooperação internacional, mas, em especial, pela atração mútua por mercados colossais – cuja real dimensão o Brasil jamais alcançou.

Se a China e a Coreia, atrás de nós em 1980 e 1990 nos indicadores de desenvolvimento, transformaram-se em “tigres”, isso se deu por terem uma eficiente e realista política de invasão do mercado americano, o que os levou à condição de países desenvolvidos. E esse espetacular mercado esteve sempre diante de nosso nariz, mas os vieses ideológicos e o complexo de inferioridade nos fizeram deixar passar oportunidades únicas, como a Alca. Nessa área, o México, por iniciativa própria, instalou-se com o Nafta, dando o salto de progresso que hoje conhecemos.

Novamente é chegado o momento de um acordo comercial Brasil-Estados Unidos, com ou sem Mercosul, capaz de nos elevar a outro patamar econômico, tecnológico e industrial.

A China também apresenta-se como uma parceira que, abrindo-se com a nova Rota da Seda, deve se transformar de sócio comercial a participante vivo da economia nacional, graças a monumentais investimentos diretos na infraestrutura brasileira.

O Brasil pode muito, mas não pode tudo. Vamos nos abrir para o mundo sem receios, vamos vencer nossos cartórios internos e, assim, dar o salto para o progresso que nos espera neste quadriênio.

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