Vírus chinês é “pretexto” para vendas e Ibovespa cai

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Fontes atribuem forte baixa do índice a uma “realização de lucros” após ganhos de véspera

O Ibovespa teve uma queda expressiva hoje (21) após recorde de pontuação na sessão anterior aos 118.861 pontos, com investidores predispostos a vender ativos antes de correr riscos.

Atraiu a atenção do mercado o noticiário sobre o novo vírus letal na China, mas o foco no assunto não chegou a gerar um clima de aversão ao risco nos negócios.

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De acordo com o economista-chefe da Infinity, Jason Vieira, depois de ganhos acentuados nos últimos dias, os investidores buscam motivos para justificar a venda maciça de ativos, conhecida no mercado financeiro como “realização de lucros”. “É tudo muito parecido com o que a gente já viu antes sobre o vírus do ebola, da gripe aviária, levando a temores muito parecidos. Na verdade, é uma desculpa para a realização de lucros”, explica.

Vieira ainda ressalta que a situação da gripe na China é séria, mas ainda faltam informações consistentes. “É muita teoria de mercado. Na ausência de volume, de indicadores e de expectativas em relação a Davos, o pessoal fica em cima desse tema do vírus”, afirma.

Em Davos, na Suíça, os acontecimentos em torno do Fórum Econômico Mundial pouco interferiram nos negócios. O Brasil é representado pelo ministro da economia, Paulo Guedes, que se limitou a dizer que “o pior inimigo do meio ambiente é a pobreza”. Ele não sinalizou novidades para a política econômica do país.

No mercado de commodities agrícolas, os fluxos também não foram alterados pela notícia do vírus. “Não vi ninguém comprar ou vender por causa do vírus aqui ou lá fora. Estamos acompanhando isto há um tempo e pode já estar no preço”, afirmou Leandro Paz, operador no mercado de futuros agrícolas.

No Brasil, o Ibovespa fechou com queda de 1,54% aos 117.026 pontos. O destaque de baixa do índice foi da Hering que antecipou números desanimadores referentes ao quarto trimestre de 2019, com queda de 5,2% no faturamento bruto de R$ 502 milhões e baixas nas vendas das lojas físicas. As ações HGTX3 perderam 12,59% a R$ 27,42.

Ainda entre as principais quedas, Santander (SANB11) com perdas de 4,93% a R$ 43,73, CVC (CVCB3) com recuo de 4,07% a R$39,33, Bradesco (BBDC3 e BBDC4) com desvalorização de 3,48% a R$ 31,91 e de 3,34% a R$33,60, respectivamente.

Já as maiores altas do índice foram da RaiaDrogasil (RADL3) com ganhos de 5,36% a R$ 125,50, Braskem (BRKM5) com valorização de 3,22% a R$ 35,54, Tim (TIMP3) que avançou 2,52% a R$ 16,70, Via Varejo (VVAR3) que subiu 2,21% a R$ 14,32 e Qualicorp (QUAL3) com mais 1,71% a R$ 43,33.

No mercado de câmbio, o dólar oscilou perto da estabilidade durante todo o dia, mas teve alta perto do fechamento. Em relação ao real, a moeda norte-americana subiu 0,40% a R$ 4,20.

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Luciene Miranda é jornalista especializada em Economia, Finanças e Negócios com coberturas independentes na B3, NYSE, Nasdaq e CBOT

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