George Soros doa US$ 1 milhão para ajudar Budapeste a combater o coronavírus

Reprodução/Forbes
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O investidor e filantropo norte-americano nascido na Hungria, George Soros, que sobreviveu à ocupação nazista no país, diz saber sobre tempos difíceis

George Soros confirmou que contribuirá com US$ 1,1 milhão (ϵ 1 milhão) para ajudar a capital da Hungria, Budapeste, a se preparar para a pandemia do coronavírus.

O bilionário de 89 anos, mais conhecido no Reino Unido como o homem que “quebrou” o Banco da Inglaterra, comparou o recente surto à sua experiência durante a Segunda Guerra Mundial.

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Soros disse em um comunicado: “A pandemia de Covid-19 não conhece fronteiras, não entre países, comunidades, religiões ou pessoas. Qualquer pessoa pode ser infectada, mas alguns de nós são mais vulneráveis que outros. Nasci em Budapeste, no meio da Grande Depressão, apenas uma década depois que a gripe espanhola deixou milhares de mortos na cidade. Vivi a Segunda Guerra Mundial, as regras do Partido da Cruz Flechada (organização semelhante ao Partido Nazista alemão) o Cerco de Budapeste. Lembro como é viver em circunstâncias extremas.”

Soros confirmou: “Contribuirei com ϵ 1 milhão para ajudar a cidade de Budapeste em solidariedade com as pessoas da minha terra natal em meio a uma emergência sem precedentes”.

O prefeito de Budapeste, Gergely Karácsony, enviou agradecimentos a Soros no Facebook, pedindo que a doação fosse vista como “um gesto generoso e nobre” e não uma declaração política. Ele acrescentou: “Budapeste é uma cidade solidária; o apoio em dificuldades fortalece a comunidade. Vamos superar essa doença”.

“Morte da democracia” na Hungria

A contribuição de Soros para o país de seu nascimento ocorre em um momento altamente agitado na história do pós-guerra da Hungria.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, um forte populista que chegou ao poder com uma campanha controversa “anti-Soros”, recebeu nesta semana poderes para governar por decreto indefinidamente pelo parlamento húngaro. A lei de emergência húngara do Covid-19 permite que Orban cancele eleições futuras e imponha duras restrições às liberdades da mídia e à mobilidade dos cidadãos.

O grupo de Soros, Open Society Foundations, divulgou uma declaração insistindo que a comunidade internacional coordene esse movimento: “Apelamos à União Europeia para que tome ações robustas contra um Estado-Membro e seus líderes, que claramente continuam a violar o direito internacional e ameaçar os cidadãos europeus”.

A capacidade de Soros de operar no país de seu nascimento foi contestada em 2018 após a aprovação de uma lei, oficialmente chamada de legislação “Stop Soros”. Enfrentando temores de que a União Europeia planejasse impor cotas para imigrantes, a lei tornou indivíduos ou grupos que ajudam imigrantes ilegais a obter status de permanecer na Hungria sujeitos a prisão.

A Anistia Internacional divulgou um comunicado argumentando que a nova lei “criaria um estado de emergência indefinido e não controlado e daria a Viktor Orbán e seu governo carta branca para restringir os direitos humanos”.

Soros University

Em janeiro deste ano, George Soros prometeu US$ 1 bilhão para financiar uma nova rede universitária a fim de combater a disseminação do nacionalismo em um discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Ao descrever a iniciativa como o projeto mais importante de sua vida, Soros disse que a Open Society University Network (OSUN) (Rede Universitária da Sociedade Aberta, em tradução livre) se baseará no trabalho de seu Open Society Fund (Fundo da Sociedade Aberta), que investiu bilhões em projetos pró-democracia e direitos humanos em todo o mundo.

O bilionário também informou que o grupo Open Society Foundations está “contribuindo” com US$ 1 bilhão para estabelecer a plataforma internacional de ensino e pesquisa.

Soros, um veterano da filantropia política e morador dos Estados Unidos, deixou a Hungria aos 17 anos para estudar na London School of Economics, trabalhando como carregador e garçom para financiar seus estudos.

Sua carreira se desenvolveu ao ponto de ele se tornar um dos financiadores mais famosos do mundo, de modo a ganhar infâmia global em 1992 como “o homem que quebrou o Banco da Inglaterra” depois de reduzir a libra, a medida que o Reino Unido se afastava do controverso European Exchange Rate Mechanism (Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio) e do caminho para o euro como única moeda.

Desde 2018, Soros mudou seu foco para a filantropia. No mesmo ano, ele transferiu sua fortuna de US$ 18 bilhões do escritório da família para o grupo Open Society Foundations. Os ativos de seu fundo valem hoje US$ 8,4 bilhões.

O Open Society Fund de Soros se descreve como o maior financiador de direitos humanos do mundo, “trabalhando para construir democracias vibrantes e tolerantes cujos governos prestam contas a seus cidadãos”.

Desde que foi fundado em 1979, o grupo Open Society Foundations afirma ter gasto mais de US$ 15 bilhões em projetos em todo o mundo.

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