O que epidemias passadas podem ensinar sobre o coronavírus

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A Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) começou em Hong Kong e teve um desenvolvimento similar mas menor que o coronavírus

Todos estão tentando encontrar vantagens ocultas nesta crise de saúde. Minha busca por aspectos positivos me levou a epidemias anteriores para descobrir o que as pessoas tiraram dessas experiências. Fazendo isso, me deparei com um estudo que sugere que nossos relacionamentos e nossa saúde mental podem eventualmente se beneficiar do que estamos enfrentando agora.

O primeiro surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) começou em Hong Kong em março de 2003, e a epidemia não terminou até junho. Durante esses quatro meses, Hong Kong teve 1.755 casos e 298 mortes. Os familiares de pacientes foram colocados em quarentena a partir de abril e não muito tempo depois a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um aviso de viagem contra Hong Kong. “A sociedade inteira desacelerou, com pessoas evitando trabalho e locais públicos”, escreveram os pesquisadores. Medidas rigorosas, não muito diferentes das que estamos experimentando, finalmente contribuíram para uma diminuição nos casos.

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Hong Kong foi afetado pela Sars como uma crise de saúde física tanto quanto mental. Estudos documentaram que uma alta porcentagem da população “se sentiu desamparada ou preocupada, e muitos de seus familiares contraíram o vírus”. Outros impactos negativos na saúde mental, incluindo “aumento de problemas para dormir, fumar e beber” também foram comuns. As pessoas relataram “aumento do estresse familiar e financeiro”, exatamente como estamos sentindo agora.

Com a crise, um estudo constatou que também surgiram resultados positivos significativos: relacionamentos fortalecidos com familiares e amigos e um novo impulso para começar a focar na saúde mental.

Os pesquisadores usaram um grupo de pessoas aleatório e representativo das pessoas que moram em Hong Kong e fizeram uma série de perguntas sobre seus relacionamentos. Mais de 60% dos entrevistados afirmaram que “se preocupavam mais com os sentimentos de seus familiares” após a crise de saúde. Cerca de 40% disseram que também “acharam seus amigos [e] seus familiares ficaram mais solidários” e mais dispostos a compartilhar seus sentimentos com outras pessoas, algo que eles nunca considerariam fazer antes.

Perguntas sobre saúde mental resultaram em dois terços dos entrevistados dizendo que “prestaram mais atenção à sua saúde mental” após a epidemia. E entre 35%-40% disseram que “passam mais tempo para descansar, relaxar ou fazer exercícios”.

Algumas pessoas não viram essas melhorias em suas vidas, e outras não relataram nenhuma mudança. Mas a alta porcentagem de respostas positivas mostra um fortalecimento amplo dos relacionamentos e de uma maior preocupação com o bem-estar pessoal.

“Impactos positivos podem ter servido de amortecedor contra os impactos negativos causados ​​pela Sars”, escreveram os pesquisadores. “As pessoas que foram mais afetadas pela epidemia podem ter mobilizado seus amigos e família para lidar com os problemas. Também é possível que aqueles que foram afetados mais adversamente ‘aprendam’ a valorizar sua família, amigos e saúde mental ”.

Como este estudo se baseou em relatórios subjetivos, ele é limitado em relação ao que pode nos dizer sobre melhorias na vida das pessoas; estudos adicionais precisariam acompanhar semanas e meses depois para relatar o progresso.

Como ponto de partida, no entanto, o que a pesquisa encontrou é significativo o suficiente para inspirar a esperança de que coisas boas possam realmente vir dos tempos sombrios. Assim como aqueles que viveram a Sars, também podemos tirar o “aprendizado” de nossa experiência que ajudará a moldar nossos valores no futuro.

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