Coronavírus x pets: gatos possivelmente infectados devem ficar em casa

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De acordo com pesquisadores, é improvável que os pets transmitam a infecção a seus donos

Veterinários no Reino Unido e na Austrália estão aconselhando donos de gatos em casas com membros infectados a manterem seus animais de estimação em ambientes fechados sempre que possível e evitar interagir com eles se alguém na casa estiver doente, tudo para ajudar a conter a propagação da Covid-19 e diminuir o risco de os pelos dos pets carregarem o vírus.

Os avisos da Associação Veterinária Britânica (BVA, na sigla em inglês) e da Associação Veterinária Australiana vêm dias depois de vários tigres no zoológico do Bronx terem resultado positivo para a Covid-19, o que supostamente aconteceu depois do contato dos animais com um cuidador assintomático.

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A BVA garantiu aos donos dos pets que eles não deveriam se preocupar em serem infectados por seus animais de estimação, mas que deveriam tomar precauções para evitar que os pelos dos animais transmitissem o vírus.

A presidente da BVA, Daniella dos Santos, disse: “Não estamos aconselhando que todos os gatos sejam mantidos em ambientes fechados. Somente gatos de famílias infectadas ou onde seus donos se auto-isolam, e somente se o gato ficar feliz em ser mantido dentro de casa. Alguns gatos não podem ficar em ambientes fechados devido a razões médicas relacionadas a estresse”.

Os veterinários pediram aos donos que tenham boa higiene, lavem as mãos, evitem espirrar nos animais e evitem tocar nos animais de outras pessoas enquanto estiverem ao ar livre.

Atualmente, não há nenhum caso de Covid-19 humano contraído de cães ou gatos de estimação, mas pesquisas, ainda a serem revisadas e comprovadas, sugerem que os gatos podem contrair o vírus de outros gatos.

Em março, um cachorro de 17 anos de idade em Hong Kong testou “positivo fraco” para o coronavírus e foi colocado em quarentena, testado e liberado após teste negativo. Ele acabou morrendo, apesar de sua morte não ter sido causada por Covid-19 .

Cerca de 52 animais de estimação em Hong Kong ficaram em quarentena desde então, incluindo 33 cães, 17 gatos e dois hamsters. Eles são considerados no grupo de alto risco porque seus donos estão doentes.

A professora Vanessa Barrs, ex-diretora de Medicina de Pequenos Animais da Universidade de Sydney, disse à ABC News: “Atualmente, existem mais de 1,2 milhão de casos de infecção por Covid-19 relatados em humanos em todo o mundo e nenhum caso de infecção humana foi registrado causado por um gato. O que sabemos é que, em uma ocasião ímpar, as pessoas infectadas podem transmitir a infecção aos seus gatos”.

Os animais de estimação, embora possam apresentar resultados positivos para o coronavírus, não ficam doentes, mas são suscetíveis a tossir ou espirrar gotículas através das quais o vírus é transmitido. No caso do cão em Hong Kong, ele não apresentou nenhum sintoma, mas foram detectados traços do vírus em amostras retiradas de suas cavidades orais e nasais.

Em outro caso recente, descobriu-se que um gato na Bélgica tinha uma pequena presença do vírus SARS-CoV-2, que causa a Covid-19, depois de ser infectado por seu dono doente. Mas cientistas dizem que o risco de infecção por animais de estimação é improvável.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Veterinária Harbin da China descobriu que os gatos eram suscetíveis ao vírus, poderiam transmiti-lo a outros gatos e deveriam ser testados para coronavírus ao lado de humanos. Os cães não foram considerados suscetíveis. As descobertas foram baseadas em experimentos de laboratório e não em cenários da vida real de pessoas interagindo com seus animais de estimação.

A fonte da atual pandemia do coronavírus permanece desconhecida, mas os virologistas acreditam que, como a SARS, o vírus passou de animais para humanos. As pesquisas se concentraram na ideia de que o vírus foi transmitido de morcegos, para pangolins (uma espécie de mamífero da Ásia e África) e depois para humanos em Wuhan, na China, mas os estudos foram inconclusivos.

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