Surgimento de aplicativos de monitoramento da Covid-19 levanta preocupação com privacidade

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Países como Singapura e Israel estão apostando fortemente nos aplicativos

Uma equipe pan-europeia de pesquisadores anunciou nesta semana seu plano de lançar um aplicativo para smartphone que notificaria os usuários se fossem expostos a alguém infectado com coronavírus. É o mais recente exemplo de solução para a pandemia orientada por tecnologia, mas que também levantou preocupações sobre a privacidade do usuário.

Um projeto chamado “Rastreamento de Preservação de Proximidade Pan-Europeu” está trabalhando para lançar na próxima semana um aplicativo de rastreamento do coronavírus que usaria a tecnologia Bluetooth anônima para rastrear quando um smartphone se aproxima de outro. Por isso, se um usuário testasse positivo para coronavírus, aqueles em risco de infecção poderiam ser notificados.

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O rastreamento de contatos ou a determinação de pessoas que podem ter sido expostas a alguém com vírus é um aspecto estabelecido do controle de pandemia e foi usado com eficácia para combater surtos em países como China, Singapura e Coreia do Sul na forma de rastreamento por smartphone.

Pesquisadores da Universidade de Oxford e o governo do Reino Unido estão trabalhando em um projeto semelhante –mas, ao contrário de outros sistemas de rastreamento de smartphones, a versão britânica em desenvolvimento seria baseada na participação voluntária e apostaria nos cidadãos inserindo suas informações como um dever cívico.

O governo dos EUA está conversando com empresas como Facebook e Google sobre como rastrear se seus usuários estão se distanciando socialmente usando grandes quantidades de dados de localização agregados e anônimos –essas informações são menos precisas e têm maior probabilidade de antecipar surtos em vez de identificar indivíduos que foram expostos ao vírus.

Em Israel, 1,5 milhão de pessoas baixaram voluntariamente um aplicativo móvel que alerta os usuários se entrarem em contato com alguém com coronavírus –mas o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, ainda ordenou que as possíveis infectados tenham seus telefones monitorados, um movimento controverso que o governo diz ser necessário, já que 17% da população que usa o aplicativo não seria suficiente para combater a pandemia.

Moscou, que está em isolamento desde segunda-feira (30), anunciou na quarta (1) que um novo aplicativo permitirá às autoridades rastrear a movimentação de pessoas diagnosticadas com coronavírus na capital. Ele seria lançado ontem (2), e a ideia é que governo empreste smartphones a quem não possa baixar o aplicativo.

“Estamos explorando maneiras pelas quais informações de localização anônimas agregadas podem ajudar na luta contra o [coronavírus]. Um exemplo pode ser ajudar as autoridades de saúde a determinar o impacto do distanciamento social, semelhante à maneira como mostramos horários populares de restaurantes e padrões de tráfego no Google Maps”, disse o porta-voz do Google, Johnny Luu, ao “The Washington Post”. Ele fez questão de observar que “não envolveria o compartilhamento de dados sobre a localização, movimento ou contatos de qualquer indivíduo”.

Entidades públicas e privadas estão procurando maneiras de combater o coronavírus à medida que a pandemia continua. Funcionários do sistema de saúde inglês disseram ao “The New York Times” que o departamento tem a confiança da população, e que, em conjunto com fortes leis de privacidade, as pessoas concordariam em se juntar ao esforço de compartilhar suas informações privadas para ajudar a rastrear infecções. No entanto, as empresas americanas de tecnologia ainda são céticas em relação ao compartilhamento de dados substanciais com o governo dos EUA desde que Edward Snowden revelou que a NSA estava coletando informações das empresas clandestinamente.

As companhias de tecnologia da informação têm acesso a dados que esclarecem comportamentos diante da pandemia de coronavírus. De acordo com uma análise do Facebook, as visitas a restaurantes caíram cerca de 80% na Itália e 70% na Espanha –enquanto os americanos só pararam de comer fora a uma taxa de 31%.

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