1. Início
  2. /
  3. Colunas
  4. /
  5. Startup paulista de nanotecnologia cria máscara impermeável contra coronavírus
Colunas

Startup paulista de nanotecnologia cria máscara impermeável contra coronavírus

Produção, voltada para profissionais da área da saúde, será iniciada no dia 15 de maio

5 min
Reuters
ReutersA máscara segue o padrão daquelas já usadas pelos profissionais da saúde, semelhantes à N95

Contribuir com inovação e tecnologia foi a forma que a startup paulista Nanox, em parceria com a indústria de brinquedos Elka, encontrou para ajudar no combate à pandemia causada pelo novo coronavírus. As empresas desenvolveram juntas uma máscara reutilizável, que pode ser lavada com sabão, feita com material antimicrobiano.

A Nanox, de São Carlos (SP), é a criadora e fornecedora do material, um polímero flexível com micropartículas à base de prata. A máscara ainda tem um filtro (o mesmo utilizado na máscara PFF2, que filtra microorganismos e partículas não biológicas) – esta é a única parte do equipamento que deve ser descartado após o uso.

Inicialmente, a produção é voltada para profissionais da área da saúde, pois a máscara foi classificada como um EPI – equipamento de proteção individual. A Elka, que tem fábrica em São Paulo, será a responsável pela produção e cerca de 10% dos itens fabricados serão doados para instituições de saúde.

LEIA MAIS: Questão de limpeza: quanto tempo o coronavírus sobrevive nas roupas e como lavá-las

A união das empresas para a fabricação da máscara surgiu a partir de um parceiro em comum da Nanox e da Elka na cidade de Boston, nos Estados Unidos, local em que a startup tem uma operação. Das primeiras conversas ao protótipo final da máscara – batizada de Oto – foram cerca de 40 dias. A produção será iniciada no dia 15 de maio, com projeção de fabricação de 5 mil a 6 mil máscaras por dia. De acordo com o sócio e CEO da Nanox, o químico Gustavo Simões, 70 mil unidades já foram vendidas antes mesmo do início da produção. Pedidos podem ser feitos no site da máscara.

A máscara segue o padrão daquelas já usadas pelos profissionais da saúde, semelhantes à N95. A diferença é que ela é impermeável, feita em plástico maleável – e por isso ajustável ao rosto – e contém em seu material o polímero de prata, que tem propriedades bactericidas e antimicrobianas.

“A máscara então pode ser reutilizada várias vezes, basta lavá-la com água e sabão antes e após o uso. Os filtros são descartáveis”, diz. A Nanox não produz o filtro. “A ideia é, em pouco tempo, aplicar o polímero de prata também nos filtros”, diz Simões.

Sobre a rapidez para desenvolver o produto, Simões é taxativo. “Esse é o resultado quando se investe em inovação. Não adianta investir quando o problema já está acontecendo. Não faria sentido lançarmos esse produto em setembro, por exemplo. Os investimentos em inovação precisam ser feitos a longo prazo.”

Além disso, enumera ele, a Anvisa flexibilizou as normas para fabricação de EPIs para a área da saúde por empresas que não são do setor com a Resolução de Diretoria Colegiada N° 356.

Origem do material

Criada em 2005, a Nanox é o resultado do incentivo à pesquisa nas universidades. Simões tem mestrado e doutorado em química pela Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). O polímero foi criado em um dos laboratórios da universidade. “É possível aplicá-lo em diversos tipos de materiais, como plástico, metais, madeira, papel e tintas”, conta.

A startup tem como clientes a Tramontina (para a produção de cabos de talheres) e a AltFilm (filme plástico que cobre alimentos), por exemplo. “Patenteamos essa tecnologia no Brasil, nos Estados Unidos e em países da Europa. Ao longo dos anos, estamos fazendo essas patentes e registrando a propriedade intelectual de acordo com os mercados que a gente quer atuar”, diz Simões.

A Nanox teve apoio de projetos como o Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e venceu o prêmio Finep de Inovação Tecnológica em 2007. Para Simões, a parceria com as universidades e instituições de apoio à pesquisa, como a Fapesp, são essenciais para a empresa.

“Eles nos ajudam correndo o risco tecnológico e a gente corre o risco de mercado”, acredita. Simões ainda diz que a pandemia causada pelo novo coronavírus está abrindo espaço para a Nanox. “Estamos recebendo muitas solicitações do mundo inteiro. A preocupação com materiais bactericidas é uma realidade.” (Com Agência Estado)

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.