“Bilionário” do Instagram é detido pelo FBI por fraudes milionárias

Reprodução Instagram
Reprodução Instagram

Também conhecido pelo nome de usuário hushpuppi nas redes, Abbas conquistou seguidores em todo o mundo com postagens sobre seus gastos em carros, relógios, roupas de grife e jatos particulares

Um clube inglês de futebol da Premier League se envolveu em um imbróglio criminal contra o autoproclamado “Bilionário Mestre da Gucci” Ramon Abbas, um influenciador nigeriano com mais de 2,5 milhões de seguidores no Instagram. Abas, no entanto, não faz parte da lista de bilionários da Forbes.

Também conhecido pelo nome de usuário hushpuppi nas redes, Abbas conquistou seguidores em todo o mundo com postagens sobre seus gastos em carros, relógios, roupas de grife e jatos particulares. Seu estilo de vida fez dele uma figura popular em diversas plataformas de mídia social, incluindo Snapchat e Instagram. Seu advogado disse à Forbes que o cliente é “um empreendedor” que ganhou dinheiro legitimamente por meio de “imóveis” e de seu trabalho “de promoção de marcas” como uma “personalidade do Instagram”.

VEJA TAMBÉM: Crimes sem punição: 6 casos de bilionários que conseguiram escapar da lei

A riqueza e a fama de Abbas também o levaram para perto das fortunas em ascensão. O influenciador é visto constantemente no Instagram com a estrela da Premier League do Chelsea, Tammy Abraham, e do Aston Villa na Inglaterra sub-21, Ezri Konsa. Ambos autografaram camisas para Abbas, “to my big bro” (“para meu grande irmão”, em tradução literal), segundo post de fevereiro deste ano.

No entanto, a vida de luxo de Abbas foi cancelada no final de junho, depois que o influenciador de 37 anos foi preso em Dubai, Emirados Árabes Unidos, e chegou aos EUA na sexta-feira, 3 de julho, para enfrentar acusações criminais de que teria ganho “centenas de milhões de dólares” com e-mails comerciais que o comprometem com fraudes e outros golpes.

O FBI diz que Abbas “conspirou para lavar fundos desviados em um roubo cibernético de US$ 14,7 milhões de uma instituição financeira estrangeira”. A data e o valor mencionados na declaração juramentada do bureau de investigação correspondem aos do ataque contra o Bank of Valletta de Malta, em fevereiro de 2019. O episódio foi tão sério que o primeiro ministro do pequeno país europeu, Joseph Muscat, foi forçado a falar ao parlamento sobre o que o “Times” de Malta descreveu como “a criação de falsos pagamentos internacionais que resultaram em € 13 milhões transferidos para bancos em quatro países.” Os valores foram “rastreados” e “revertidos” e nenhum dos clientes do banco perdeu seu dinheiro. O Departamento de Justiça dos EUA não mencionou o Bank of Valletta na declaração e diz que não pode fornecer mais detalhes. A instituição financeira não respondeu aos e-mails enviados pela Forbes.

O FBI também alega que um escritório de advocacia com sede em Nova York foi fraudado em, aproximadamente, US$ 922.800 por meio de uma combinação de hackers e engenharia social para obter acesso à conta de e-mail de uma empresa e enviar mensagens fraudulentas com o objetivo de receber uma transferência eletrônica não autorizada de dinheiro. Abbas é acusado de lavar US$ 396.050 dos fundos ao lado de dois cúmplices, um dos quais estava em Los Angeles na época.

Mas talvez o mais notável é que Abbas é acusado de um “esquema para roubar” US$ 124 milhões de um clube de futebol da Premier League em maio de 2019. O Departamento de Justiça dos EUA, neste momento, não pode confirmar detalhes sobre o time em questão. No entanto, o valor que consta no documento é maior do que qualquer transferência já feita para pagar um único jogador da liga.

E AINDA: Dono da Ricardo Eletro é alvo de operação contra sonegação de R$ 400 mi em impostos em MG

A Premier League não respondeu aos pedidos de esclarecimentos da Forbes.

Uma vida com menos luxo

Segundo o site do Bureau of Prisons, a agência federal de aplicação da lei nos Estados Unidos, Abbas está atualmente na MCC Chicago enquanto aguarda audiência de fiança. O comunicado para imprensa da polícia após a prisão afirma que, se condenado por conspiração para lavagem de dinheiro, Abbas enfrentaria uma sentença máxima de 20 anos em prisão federal. Uma audiência em Chicago na segunda-feira (13) determinará se o influenciador será detido até o julgamento.

O representante legal de Abbas, Gal Pissetzky, da Pissetzky & Berliner, disse à Forbes que seu cliente “não é culpado das acusações que enfrenta”. E acrescentou que “Abbas estava administrando um negócio legítimo e um Instagram verificado e não participou de nenhum golpe ou fraude”.

Questionado sobre como Abbas sustenta seu estilo de vida, Pissetzky disse à Forbes: “Ele é um empreendedor. Ele tem envolvimento imobiliário, é uma personalidade do Instagram. Ele estava promovendo marcas e era assim que estava ganhando muito dinheiro legitimamente”.

Sobre sua relação com os jogadores de futebol da Premier League, Tammy Abraham e Ezri Konsa, seu advogado diz: “O Sr. Abbas é amigo de muitas pessoas. Alguém que tem tantos seguidores, obviamente conhece e tem amigos em muitos lugares. É tudo legítimo”.

Como funciona

O FBI encontrou Abbas após um mandado de busca federal que deu acesso aos dados e conversas sobre a suposta lavagem no iPhone de um dos cúmplices. O bureau vinculou as conversas a um número de telefone de uma pessoa designada como “Hush” e ao usuário do Snapchat “hushpuppi5”, que apontou para “The Billionaire Gucci Master!!!”. Este era o nome de usuário usado por Abbas no Instagram até o ano passado, segundo uma reportagem do jornal britânico “Times” após sua prisão no final de junho.

LEIA AQUI: Ex-produtor de Hollywood Weinstein é condenado a 23 anos de prisão por crimes sexuais

Abbas está no olho do furacão por sua suposta habilidade de encontrar contas bancárias nas quais grandes somas de dinheiro podem ser depositadas sem alertar as autoridades. Ele não é acusado de hackear, mas sim, segundo a declaração, de fornecer “contas bancárias” onde “antecipava o que cada um receberia… os fundos obtidos de forma fraudulenta”. O FBI alega que a conspiração era “lavar dezenas, às vezes centenas, de milhões de dólares provenientes de outros esquemas fraudulentos e invasões de computadores”.

Abbas é acusado de ter enviado informações de contas bancárias da Romênia, Bulgária, México e Dubai para supostos “cúmplices”. Em uma troca de mensagens coletada no telefone de um dos conspiradores, Abbas supostamente reclama do custo de abertura dessas contas bancárias que, segundo o FBI, são chamadas de “casas” durante a conversa. “Irmão, eu não posso continuar coletando casas, sem dar retorno e solicitando mais… Isso custa muito dinheiro agora para abrir.”

O que dizem especialistas

A especialista em fluxos de lavagem de dinheiro Samantha J. Sheen, da consultoria Ex Ante, disse à Forbes que os exemplos mencionados na declaração são “muito, muito inteligentes”, já que, por “permanecerem no universo dos negócios legítimos”, eles podem contornar muitos obstáculos e “simplesmente emprestar a fachada da empresa para redirecionar fundos” no fechamento de uma transação ou liquidação. Ela acrescenta que, para os tipos de empreendimentos direcionados, o movimento das somas mencionadas “não teria parecido incomum”.

No entanto, para Samantha, a tentativa de fraudar um clube de futebol da Premier League em US$ 124 milhões é realmente uma anomalia. “Eu acho que eles ficaram um pouco ambiciosos e gananciosos”, diz. “Essa quantia é enorme.” Com pouquíssimas taxas de transferência de jogadores se aproximando desse montante, o valor é surpreendente até mesmo para os 20 clubes mais ricos da Premier League. “Ele estava sonhando se achou que isso ia funcionar.”

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Inscreva-se no Canal Forbes Pitch, no Telegram, para saber tudo sobre empreendedorismo: .

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).