Como Kanye West pode impactar as eleições norte-americanas mesmo sem concorrer

GettyImages/ Gary Gershoff
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Kanye West incluiu pautas de justiça eleitoral e direito ao voto em seu discurso

Na semana passada, Kanye West confirmou à Forbes em uma longa entrevista que estava concorrendo à presidência dos EUA em 2020, estabelecendo uma plataforma em constante evolução e muitas vezes bizarra que variava de teorias da conspiração anti-vacinas até uma filosofia de gestão baseada no filme “Pantera Negra”.

Como as pessoas ao seu redor expressaram preocupações sobre sua saúde mental, West demonstrou que não se tratava apenas de uma manobra para chamar atenção. A “New York Magazine” informou que West tomou medidas para obter as assinaturas necessárias para o acesso às urnas nos principais estados. “Eu sei que vou ganhar”, respondeu West quando a Forbes perguntou se ele iria participar da corrida eleitoral se não houvesse chance de vitória. Uma semana depois, porém, ele aparentemente não tem tanta certeza: notícias dizem que o rapper desistiu da candidatura.

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O artista não retornou mensagens de texto pedindo esclarecimentos ontem (15). Por que a mudança? Ele vai aparecer ao lado de Donald Trump apenas alguns dias depois de dizer que estava “tirando o chapéu vermelho”? A ver.

Mas West, mesmo sem concorrer, ainda pode impactar a corrida de 2020. Durante sua conversa com a Forbes, ele voltou muitas vezes ao assunto da crise do dia das eleições: os obstáculos absurdos enfrentados por muitos cidadãos, especialmente nos bairros de negros e latinos, que querem votar. Enquanto Trump tuitava repetidamente mentiras e bobagens sobre a integridade do voto por e-mail e algumas legislaturas estaduais que reduziriam as janelas e os locais de votação, West endossou inúmeras medidas para tornar o voto universal para quem deseja exercer seu direito. “Existem métodos técnicos”, disse ele à Forbes.

West pediu que o dia das eleições se torne feriado nacional, para que as pessoas não precisem escolher entre ganhar dinheiro e exercer seu direito constitucional. Ele disse que os criminosos que cumpriram pena não devem ser destituídos de seus direitos de voto, como atualmente ocorre em vários estados. Acrescentou também que a Guarda Nacional e outras forças de segurança devem ser empregadas, se necessário, para garantir o direito de voto das pessoas, e que estes não devem ser politizados. “Vermelho e azul. São como gangues”, disse ele.

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Essa é uma visão abrangente sobre o sufrágio para alguém que nunca votou antes. Para garantir seu posicionamento, o rapper produziu e compartilhou um vídeo após a nossa entrevista, mostrando como ele havia se registrado para votar pela primeira vez. Também é uma visão muito importante. Em termos de políticas e consideração, sem mencionar as preocupações da família sobre sua saúde mental, é muito difícil imaginar uma candidatura viável do artista. (Especialistas também disseram isso sobre a de Donald Trump.) Mas em termos de influência, West continua sendo um modelo global. Seu tuíte de 4 de julho, no qual anunciava que iria concorrer à presidência em 2020 foi curtido 1,2 milhão de vezes e retuitado por meio milhão de pessoas. Se West voltar sua campanha para a questão do acesso justo e igualitário ao voto, especialmente em um ano eleitoral atravessado por uma pandemia, ele ainda pode ter um impacto positivo em 2020.

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