O ilimitado aprendizado que o vinho proporciona

GettyImages/ IL21
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Existem cursos para perfis diferentes no Brasil; veja como achar o seu

“Se você não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve”, disse Lewis Carroll.

Claro, pois, é mais fácil saber o que não se quer, do que o que se quer. Não sabe por onde começar a estudar sobre vinhos? Escolha entre tantos, experimente e, com certeza, vai encontrar sua turma.

No meu caso, por exemplo, foi a Jaqueline Caiaffa, sommelière formada por interesse pessoal, que me indicou meu primeiro curso. Minha primogênita tinha oito meses, e eu estava inebriada de paixão maternal, mas, segundo minha maravilhosa guru, a mulher tem a Maria (lado maternal), a Afrodite (nem preciso explicar) e a Sophia (sabedoria) que se alternam. Não podemos sufocar nenhuma delas. Na maternidade somos mais Maria, mas as outras estão ali, esperando sua vez. E, quando cheguei no meu primeiro curso de vinhos a Sophia pirou! Sensações, aromas, história, geografia, magia, celebração, compartilhamento e muito o que aprender. Foi assim que o meu qualquer caminho serve… serviu!

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Tem muitas pessoas que são excelentes autodidatas, pesquisam tudo, são natas na sua disciplina de enriquecimento pessoal. Os hobbies são muito conectados com os interesses pessoais, e o vinho é, sem sombra de dúvida, conectado ao prazer, à gastronomia, às viagens, às celebrações, ao compartilhamento de garrafas e a inúmeros outros assuntos.

Existem cursos para perfis diferentes no Brasil. A ABS, Associação Brasileira de Sommeliers, é uma das mais tradicionais. Curioso que percebi quantos médicos e advogados existem no mundo do vinho e minha conclusão foi que, ambas carreiras focam no diagnóstico. Faz sentido, certo? É uma safra mais alcoólica (foi um ano mais quente), um tom claro de tinto (será que é pinot noir?), tem bastante tanino (pode ser um tannat, hein?), esse branco tem aroma de grama (será que é sauvignon blanc?) e, assim por diante, quebrando a cabeça e, tentando acertar na mosca. É um pinot noir, 2014 de Sonoma! Bravo! Acredite, há grandes sommeliers que alcançam este feito. Obviamente são bitoladíssimos. Sem sacrifício, sem vitória!

Falei de médicos, pois na ABS há muitos professores médicos. O vinho tem a parte química, a fermentação, e os médicos arrasam na hora de explicar. A “litragem” também conta, óbvio. Tem os que bebem e estimulam o sensorial e a intuição, e tem os que anotam tudo, cada macaco no seu galho, pois o estudo é amplo e não há regras para o seu modo de agir.

A Enocultura, representante da WSET (Wine & Spirit Education Trust) e da WSG (Wine Scholar Guild) é uma concorrida fonte de aprendizado no Brasil. Grandes profissionais do mundo do vinho, como Jancis Robinson, se formaram na WSET que tem sede em Londres. Os níveis 1 e 2 são tranquilos de fazer, já o 3 e o 4 precisam de mais afinco, mas, é possível fazer um teste para saber seu nível.

Outro local forte é o Ciclo das Vinhas, de Alexandra Corvo. Embaixadora da Borgonha no Brasil, Alexandra tem uma personalidade livre e polêmica, mas isso não implica em nada o seu alto nível profissional e educativo. Dona do seu nariz, ela ensina de maneira direta, didática e com propriedade. Sua biblioteca é muito interessante também.

A EntreCopos, de Diego Arrebola e Gabriele Frizon, grandes sommeliers do Brasil, é uma escola de cursos interessantes e dinâmicos. A Larissa Moschetta, que trabalha mais no online com sua conta no Instagram, desenvolveu os cursos a distância para atender as pessoas que começam do ABC mesmo. E é excelente pois, sem ABC não tem DEF.

Tem pequenos grupos, como os da Luiza Portela, que são excelentes para ir aprendendo aos poucos, para aqueles que não se sentem à vontade em classes maiores. As importadoras também são super fonte, com muitas degustações e cursos rápidos. Se quiser entender o mundo dos sommeliers, assista o filme “Somm” para sentir o clima de passar em algumas das provas mais difíceis dessa categoria.

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Os cursos são todos muitos interessantes e estimulantes. Para continuar o aprendizado, recomendo formar um grupo de degustação. Escolha um tema, estude antes e façam, por exemplo, cabernet sauvignon de vários países, com a mesma safra para não ficar tão diferente, e com isso já dá para perceber as particularidades de cada região. As possibilidades são realmente inúmeras e, muito reveladoras. Dá pra fazer de uva, país, região, safra, mesmo vinho e várias safras e, cada ano mais uma safra nova, com vários produtores que surgem e uvas que ressurgem.

Depois de navegar, as preferências vão ficando mais claras, mas, como somos mutáveis, o aprendizado é indiscutivelmente infinito.

Tchin tchin!

Carolina Schoof Centola é fundadora da TriWine Investimentos e sommelière formada pela ABS, especializada na região de Champagne. Em Milão, foi a primeira mulher a participar do primeiro grupo de PRs do Armani Privé.

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